Mais de 50% dos colaboradores em Portugal considera que os líderes não os ouvem

Human Resources com Lusa
13 de Dezembro 2022 | 09:40

Mais de metade (52%) dos colaboradores em Portugal sentem que os seus pedidos para se desenvolverem a nível pessoal «não são tidos em conta», de acordo com um estudo divulgado pela plataforma de e-learning GoodHabitz.

Em conjunto com a agência de estudos de mercado Marketeffect, a GoodHabitz inquiriu 1047 colaboradores da população activa em Portugal e outros 12.568 na Europa acerca da forma como viam as actuais oportunidades para desenvolverem as suas competências e talentos no contexto das empresas.

Uma das principais conclusões é que os «colaboradores sentem que não são ouvidos». De acordo com o estudo, 43% dos colaboradores em Portugal pedem aos seus empregadores «mais oportunidades para se desenvolverem a nível pessoal», no entanto, «52% destes (…) sentem que os seus pedidos não são tidos em conta», um número semelhante aos 51% registados a nível europeus, o que «significa que uma grande parte dos trabalhadores sente que não é ouvida».

Questionado sobre o tema, Pedro Monteiro, director comercial e porta-voz da GoodHabitz em Portugal, afirma que «o mundo laboral tem-se vindo a desenvolver a uma velocidade alucinante e, entre a pandemia e novos modelos de trabalho, muitas empresas e gestores tiveram de (re)definir prioridades e dar atenção a temáticas como a saúde mental dos seus colaboradores».

Apesar de a maioria dos colaboradores sentir que não é ouvida pelos decisores das empresas onde trabalham, «acreditamos que não se trata de insensibilidade ao tema da formação e desenvolvimento pessoal, mas sim da necessidade dos empregadores aprenderem a priorizá-lo», sublinha.

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O estudo, que inclui países como Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Reino Unido e Suécia, entre 13, demonstra que «os colaboradores já deram o primeiro passo e estão a pedir para terem acesso à formação, o que é um prognóstico positivo», considera Pedro Monteiro.

Contudo, «é essencial que os gestores e decisores oiçam este pedido dos colaboradores e aumentem as oportunidades de desenvolvimento», diz, referindo que os responsáveis de recursos humanos «devem ponderar colocar o desenvolvimento pessoal no topo da sua lista de prioridades» em 2023.

Já mais de dois terços (74%) dos empregadores europeus «acreditam que os seus colaboradores sentem que o seu percurso de desenvolvimento é valorizado por eles, enquanto três em cada quatro dizem incentivar os seus colaboradores a trabalhar no seu desenvolvimento pessoal», refere o estudo.

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«Quando questionados se acreditam que os seus colaboradores seriam mais felizes no seu cargo actual se tivessem mais oportunidades de desenvolvimento pessoal, 84% dos empregadores europeus concordam que sim», um valor muito acima da resposta dos colaboradores europeus (78%), sendo que em Portugal esta resposta sobe para 91%.

O estudo aponta ainda que mais de dois terços (68%) dos colaboradores considera que a falta de oportunidades de desenvolvimento pessoal é um dos motivos para procurarem outra empresa.

Neste âmbito, «Portugal apresenta a segunda maior percentagem do inquérito, ficando apenas atrás da Dinamarca (73%). Ou seja, os colaboradores portugueses são, a nível europeu, dos que se mostram mais dispostos a mudar para conseguirem oportunidade de desenvolvimento pessoal», sublinha, em declarações à Lusa, Pedro Monteiro.

Questionado sobre se os gestores portugueses não dão importância devida ao desenvolvimento pessoal, o responsável da GoodHabitz refere que «estão a começar a compreender o valor da formação e do desenvolvimento pessoal, mas muitas vezes ainda não colocam este tema no topo das suas prioridades».

Aliás, «é preciso que os decisores nas empresas compreendam que a formação e o desenvolvimento já não são um nice to have, mas um must have» e a aposta que aqui for feita terá «impacto directo» em indicadores chave do negócio, defende.

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«No dia em que este pensamento estiver intrínseco nas empresas e nas estratégias das mesmas, e acredito que não sejam precisos 10 anos para que tal aconteça, os colaboradores sentir-se-ão realizados e em constante crescimento e as empresas darão um grande passo para a sua competitividade e sustentabilidade», remata.

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