Em paralelo, também as organizações estão a acelerar a sua adopção: se há dois anos apenas 27% promovia activamente o uso desta tecnologia, hoje esse número já ascende a 52%, reflectindo uma integração progressiva da IA em diferentes áreas de negócio.
Apesar desta evolução, o estudo revela que a adopção da tecnologia continua a avançar mais rapidamente do que a capacitação das equipas, evidenciando um desalinhamento que pode comprometer o seu impacto real nas organizações.
«Já não estamos numa fase de experimentação. A inteligência artificial entrou no dia a dia das empresas e está a tornar-se uma ferramenta estrutural de trabalho. A questão agora não é se deve ser usada, mas como garantir que está a ser bem utilizada», afirma Sandrine Veríssimo, Regional director na Hays Portugal.
O estudo mostra que empresas e profissionais convergem na identificação dos principais benefícios da inteligência artificial generativa, destacando-se sobretudo o seu impacto na produtividade e eficiência apontado por 67% das empresas e 64% dos profissionais. Mais do que acelerar processos, a IA está a permitir uma nova forma de trabalhar, com maior escala, consistência e capacidade de execução.
A geração de ideias e o estímulo à criatividade surgem também como áreas de impacto relevante, mencionadas por 52% das empresas e 48% dos profissionais, seguidas do apoio à análise de dados, identificado como um contributo importante por 49% das organizações e 39% dos trabalhadores.
Ainda assim, a percepção sobre a qualidade do trabalho apresenta uma ligeira quebra, o que sugere que a velocidade de adopção da tecnologia nem sempre está a ser acompanhada por uma utilização madura e eficaz.
Um dos principais desafios identificados pelo Guia Hays 2026 prende-se com o gap entre o interesse em desenvolver competências em IA e a formação efectivamente disponibilizada pelas empresas. Embora 90% dos profissionais manifeste vontade de adquirir conhecimentos nesta área e 84% das organizações reconheça essa necessidade, apenas 27% dos trabalhadores afirma ter recebido formação específica.
Este desfasamento reflecte um mercado em transição, onde a responsabilidade pela aprendizagem começa a deslocar-se para o próprio profissional. Atualmente, 19% dos inquiridos refere ter desenvolvido competências em inteligência artificial de forma autodidata, o que demonstra uma crescente proactividade, mas também a ausência de uma estratégia estruturada por parte de muitas organizações.














