De acordo com o estudo, 72% dos inquiridos consideram que a IA já transformou consideravelmente as competências exigidas nas suas funções. Quase metade (47%) afirma dedicar hoje mais tempo a gerir e orientar esta tecnologia do que a realizar o trabalho em si. Em paralelo, 60% dos profissionais sentem que a fasquia do que é considerado “bom o suficiente” subiu, reflectindo uma redefinição rápida das expectativas em relação à qualidade e complexidade do trabalho entregue.
Esta transformação está associada a uma experiência profissional aparentemente contraditória. Por um lado, 67% dos utilizadores regulares dizem sentir maior satisfação no trabalho. Por outro, 41% apontam para um agravamento da carga cognitiva – um fenómeno que o estudo designa como “paradoxo da satisfação”. A pesquisa acrescenta ainda uma nuance importante: nos primeiros meses de utilização, essa carga cognitiva é frequentemente vivida como estimulante e contribui para o entusiasmo dos colaboradores. Após um ano de utilização regular, deixa de ser um factor de energia. Neste ponto, o que sustenta a motivação passa a ser a clareza estratégica e a qualidade da liderança.
A adopção de IA por colaboradores operacionais (profissionais sem responsabilidades de gestão) acelerou significativamente, com 74% a assumirem-se agora como utilizadores regulares, um aumento de 23 pontos percentuais face a 2025. O estudo interpreta esta evolução como o fim do chamado “silicon ceiling” – a barreira que, até recentemente, limitava o acesso das camadas operacionais das organizações a esta tecnologia. Em termos geográficos, mercados como Índia, Médio Oriente, Austrália e Brasil lideram os níveis de adopção entre colaboradores operacionais, enquanto os Estados Unidos, França e Itália revelam ritmos mais moderados.
Uma adopção mais alargada não se traduz, por si só, em criação de valor para as organizações. 42% dos utilizadores operacionais afirmam poupar pelo menos um dia completo de trabalho por semana graças à IA. No entanto, 66% referem receber orientação limitada ou nenhuma sobre como utilizar esse tempo, e mais de metade não o redirecciona para trabalho estratégico. Sem uma transformação organizacional adequada, o tempo poupado dilui-se dentro da organização e o ganho de eficiência não é capturado como valor para o negócio.
















