Mais de metade dos profissionais de contact centers tem contratos sem termo (e ganha acima de 1000 euros)

São dados do estudo promovido pela Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC).

Margarida Lopes
27 de Maio 2026 | 08:40

Mais de metade dos trabalhadores dos contact centers tinham, em 2025, um contrato de trabalho sem termo, recebiam, em média, acima dos 1000 euros brutos e cerca de um terço tinham o ensino superior.

No ano passado, 55,8% dos trabalhadores dos contact centers tinham um contrato sem termo, “o valor mais elevado desde 2022”, enquanto 38,9% tinham contrato a termo, segundo um estudo promovido pela Associação Portuguesa de Contact Centers (APCC).

Dos cerca de 40% trabalhadores com contratos a termo, 26,9% tinham contrato a termo incerto e 12% a termo certo.

Segundo este estudo, que faz um retrato deste sector, que em Portugal emprega mais de 115 mil pessoas, os contratos sem termo têm vindo a ganhar terreno (em 2023 eram 50,7% e em 2024 54,6%), enquanto os contratos a termo têm vindo a recuar (em 2023 eram 45,2% e no ano seguinte 40,8%).

Já os «contratos de prestação de serviços e trabalho temporário representam cerca de 5%, mantendo-se em linha com os anos anteriores», acrescenta o estudo.

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As remunerações têm vindo a crescer, com o salário bruto médio mensal dos operadores a ultrapassar “pela primeira vez os 1000 euros” em 2025, fixando-se nos 1.021 euros, um aumento face aos 973 euros em 2024 e aos 932 euros registados em 2023.

Por sector de actividade, é nos dos transportes e viagens que o ordenado bruto médio mensal dos operadores é mais elevado, tendo-se fixado nos 1063 euros no ano passado, seguido pela assistência em viagem (1030 euros) e pelos bancos e outras instituições financeiras (1028 euros).

No polo oposto está o comércio (retalho e distribuição) e o turismo, cuja remuneração média mensal bruta dos operadores era 931 euros e 947 euros, respectivamente.

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A situação é semelhante no caso dos supervisores, cujo salário médio bruto era de 1344 euros em 2025, o que compara com os 1312 euros no ano anterior e os 1.230 em 2023.

«Os sectores com RBM mais elevadas são a assistência em viagem (1501euros) e os transportes e viagens (1378 euros)», enquanto «os valores médios mais baixos encontram-se no turismo (1245 euros) e no comércio (1190 euros)».

Por outro lado, os técnicos de qualidade e formação tinham uma remuneração média mensal bruta “ligeiramente abaixo do valor dos supervisores”, fixando-se nos 1271 euros em 2025, sendo que por sector de actividade a indústria ocupa o lugar cimeiro (1407 euros) e o valor mais baixo pertence ao turismo (1045 euros).

Já no caso dos coordenadores, cujo indicador é, a par dos técnicos de qualidade e formação, incluindo pela primeira vez neste estudo, o ordenado médio mensal bruto era de 1727 euros, com o valor mais elevado a ser registado no setor dos transportes e viagens (1747 euros) e os mais baixos no comércio (retalho e distribuição) (1537 euros) e na administração pública e sector social (1.526 euros).

O estudo revela ainda que “os incentivos têm agora um peso menor”, tendo passado de 20% para 18% no caso dos operadores e de 21% para 19% da remuneração global nos supervisores.

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As habilitações dos trabalhadores têm vido a aumentar: quase metade (49,8%) tinham, no ano passado, o ensino secundário completo e cerca de um terço (30,6%) completaram o ensino superior.

«Em crescimento constante nos últimos anos está a frequência do ensino superior, que tem vindo a ganhar terreno em relação a quem detém o ensino secundário (7,5% em 2023, 9,9% em 2024, 16,3% agora)», assinala o estudo, acrescentando que «os únicos sectores com uma diferença mais significativa em relação à média são a indústria, com um número superior de frequência do ensino secundário, e a assistência em viagem, com apenas 16% com ensino superior completo».

As mulheres continuam a estar em maioria no sector, incluindo em cargos de chefia, sendo que os contact centers «continuam presentes em todos os distritos e regiões autónomas», ainda que com uma concentração significativa em Lisboa «que representa aproximadamente 70% das respostas e 60% dos colaboradores».

Na edição de 2026 do Estudo de Caracterização e Benchmarking da Actividade dos Contact Centers foi recolhida informação junto de 59.409 profissionais, distribuídos por 1717 operações, de 96 empresas. Sendo que sendo este um estudo de participação voluntária, a taxa de resposta às diferentes questões não é sempre de 100%.

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