Mais de um terço da população activa não concluiu o ensino secundário, sublinha o Estado da Educação 2024, que mostra que esta é a realidade de 38,5% dos portugueses entre os 25 e os 64 anos. Outros 30,1% dos adultos concluíram a educação secundária ou pós-secundária e 31,4% a educação terciária. Os dados são do Relatório Estado da Educação 2024 do Conselho Nacional de Educação (CNE).
A formação média dos adultos portugueses é muito inferior à média da União Europeia e da OCDE, refere ainda o Estado da Educação, que mostra também que há cada vez menos adultos em programas de formação e que 40% dos adultos que vivem em Portugal só conseguem compreender textos simples e fazer contas básicas.
O relatório denuncia que Portugal continua a ter dificuldades em contrariar o destino de quem nasce numa família desfavorecida, sendo habitual ver alunos mais pobres com percursos escolares mais erráticos: Chumbam mais, desistem mais dos estudos e chegam em menor número ao ensino superior.
Perante este cenário, o presidente do CNE recomendou uma “estratégia nacional” para a formação de adultos e uma “política mais robusta” que acabe com as “baixas taxas de execução de formação de adultos”.
“Temos uma situação bastante grave. Temos centenas de milhares de pessoas na vida ativa que não têm o diploma do ensino secundário e muitos sem o diploma do 9.º ano, têm apenas o 6.º ano. Não têm competências para resolver problemas muito simples”, alertou Domingos Fernandes.
Para o presidente do CNE, a falta de formação da população adulta e a dificuldade em compreender textos um pouco mais elaborados levanta “problemas sérios de coesão social, de salários, de funcionamento da própria sociedade e de funcionamento da própria democracia, porque estas pessoas não estão preparadas para participar na vida pública”.














