De acordo com o último estudo da Kaspersky, mais de um terço (38%) das mulheres que trabalham na área de Tecnologias de Informação (TI) consideram que o número reduzido de mulheres no sector as fez recear o ingresso na profissão. A investigação concluiu ainda que apenas 19% das mulheres que trabalham actualmente no sector foram encorajadas por um modelo feminino a abraçar a profissão.
A investigação, que contou com a participação de 13.000 homens e mulheres a exercer no sector de TI concluiu que quase metade das mulheres (43%) encontraram por si próprias a vaga para o seu cargo actual.
Além disso, um terço (33%) das mesmas revelaram ter sido encorajadas a dedicar-se à tecnologia durante a sua educação, quer fosse na escola ou já na faculdade.
De acordo com a Kaspersky, embora se tenham dado passos bastante positivos ao longo dos tempos para reverter os estereótipos de género no seio da indústria, consciencializar as estruturas organizacionais e mudar algumas atitudes culturais, ainda têm que ser feitas muitas mudanças para se chegar a uma maior representação feminina. Se não houver exemplos femininos a seguir, não é possível a existência de um caminho claro que leve as jovens mulheres da educação até à indústria e, posteriormente na sua carreira, até a cargos superiores.
Evgeniya Naumova, vice-presidente da Rede Global de Vendas da Kaspersky explica que «estes resultados salientam um problema relevante: a força que o «efeito bola de neve» pode exercer se caminharmos na direção errada. Para as mulheres que tiveram de dar um salto de fé relativamente ao sector, devido aos poucos exemplos de mulheres que trilharam o seu caminho antes delas, deve ter sido incrivelmente assustador. Mas, por outro lado, este estudo destaca também a possibilidade de uma mudança positiva para o futuro. Ter mais mulheres a trabalhar na indústria poderá tranquilizar outras, relativamente a certos receios associados à desigualdade de género no setor. Isto pode ser o catalisador que efetivamente irá acelerar esta mudança tão necessária.»
Os resultados da investigação ajudam a fundamentar o facto de que as mulheres podem abrir o caminho a outras mulheres. O aumento do número de referências femininas a exercer no sector tecnológico irá demonstrar às futuras candidatas as competências e benefícios que podem ser alcançados através de uma carreira na indústria. Dos inquiridos, 44% identificaram a aquisição de competências de resolução de problemas como principal exemplo, enquanto 40% mencionam simplesmente os salários que podem ser alcançados.
Patricia Gestoso, Head of Scientific Customer Support na BIOVIA, vencedora do prémio 2020 Women in Software Changemakers e membro da Ada’s List, acredita que há muitas formas de mudar a narrativa para as mulheres, começando por «desmistificar a crença de que todos os tipos de trabalho em IT são sobre codificação».














