«Mais do que nunca, as empresas precisam estar atentas aos seus colaboradores.» (vídeo)

Actualmente, as pessoas estão fisicamente afastadas nas empresas, mas, paradoxalmente, é um momento em que se exige maior proximidade, porque problemas relacionados com saúde mental ou até financeiros, estão a afectar cada vez mais colaboradores. José Ricardo Machado, director de Recursos Humanos do dstgroup, e Manuela Ramalho, global sales manager da Randstad Portugal, não têm duvidas de que, as empresas que não tiverem estes temas na agenda, serão ultrapassadas».

Por Sandra M. Pinto

 

Durante o mês de Março, as RE(talks) têm dado destaque à “consciência ambiental e social das empresas” e uma tónica comum tem sido a importância de começar “dentro de portas”, com o foco nos colaboradores. Sexta-feira passada, José Ricardo Machado e Manuela Ramalho analisaram precisamente a relação entre empresa e colaboradores. Como funciona – ou deve funcionar – essa dinâmica?

Começando por destacar que «responsabilidade social tem a ver com a sustentabilidade, com a promoção do bem-estar e da saúde das pessoas», José Ricardo Machado partilhou que, internamente, «a primeira “injecção” de responsabilidade social acontece na altura do acolhimento. Sempre que um novo colaborador entra na empresa, tem o acesso à plataforma de e-learning onde absorve todo o conhecimento e informações relacionadas com a empresa, onde está incluída a agenda do grupo relacionada com a responsabilidade social e ambiental. O engagement dos trabalhadores relativamente a este tema consegue-se com muita pedagogia e colocando-a na agenda», defende o director de Recursos Humanos, dando vários exemplos do que é feito no dstgroup. Por exemplo: «Promovemos semanas da qualidade, do ambiente, da higiene e da segurança no trabalho e da nutrição, ao mesmo tempo que incentivamos  a utilização do ginásio, disponibilizamos um gabinete de estética com tratamentos de beleza e dentários e temos ainda um conjunto de protocolos que visam promover a qualidade de vida dos nossos colaboradores.»

Também na Randstad existem iniciativas semelhantes, sendo celebrados vários protocolos para benefício dos colaboradores. «Tem sido uma grande preocupação nossa a nível global, e vai desde a promoção do equilíbrio das pessoas, à inclusão da diversidade», garante  Manuela Ramalho. «Com esta situação de pandemia esta preocupação cresceu. As grandes empresa medem-se não só pelo seu volume de negócios mas também se devem medir pelo apoio que disponibilizam aos colaboradores. É preciso que exista esta grande preocupação das empresas para com as suas pessoas, ainda mais no actual contexo», sublinha. «Reforçámos o acompanhamento aos colaboradores. Devido ao facto de estarmos em tempo de transformação do contexto profissional, exige-se de facto um reforço dos acções para responder aos novos desafios, sendo necessário compreender rapidamente esta lógica do trabalho remoto.»

José Ricardo Machado corrobora que foi preciso promover mais iniciativas ao longo do último ano. «Além do seguro de saúde e de vida, que já oferecíamos aos colaboradores, decidimos perante a pandemia disponibilizar consultas gratuitas do foro psicológico. Continuamos a incentivar um movimento em torno da saúde mental, que começou em 2020 com uma série de workshops relacionados com o tema, e prossegue este ano com um curso sobre saúde mental no trabalho. Demonstramos assim que estamos preocupados com a saúde mental dos nossos colaboradores, que o tema está de facto na nossa agenda. As empresas que não tomaram esta opção já vão tarde, pois esta é de uma facto um tema que importa debater»», realça. Outras iniciativas estão relacionadas com a formação – dando seguimento assim à preocupação da empresa com a pedagogia -, neurociências e até  promovem um curso de filosofia.

No mesmo sentido, a responsável da Randstad faz notar a preocupação crescente que existe com a saúde mental dos colaboradores. E reconhece que há outros problemas, como perda de rendimento no seio familiar que, não estando directamente ligados com a empresa, acabam por afectar os colaboradores. Deve haver uma fronteira no envolvimento da empresa, visto que são assuntos pessoais? Manuela Ramalho concorda quea gestão nem sempre é fácil, sem correr o risco de ser invasivo. «Ou a pessoa chega até nós e pode ajuda, podendo a empresa nessa altura ajudar, ou então terá que ser a própria empresa a perceber que a pessoa precisa de ajuda e perceber como pode intervir, por vezes de forma indirecta, para não melindrar a pessoa.»

 

O papel das chefias

Estando agora os colaboradores há distância, torna-se ainda mais importante o papel da liderança para conseguir detectar estes temas. «No nosso caso, olhamos para as chefias como um elo fundamental com os Recursos humanos», partilha José Ricardo Machado. «A chefia é moldada para identificar os trabalhadores, servindo como um termómetro, e são elas que nos passam quais são as dificuldades  das pessoas e que tipo de problemas podem estar a afectar as nossas pessoas. É essencial manter um contacto constante com as chefias, para tentar entender quais as dificuldades e de que forma pode a empresa ajudar a ultrapassa-las, estejam elas no âmbito profissional ou pessoal. As empresas devem ser metamorfoses ambulantes e ter a capacidade de se adaptarem às novas situações que possam surgir, e nós somos um pouco isso», garante. «Não somos um grupo de ideias fixas, adaptamos-nos a cada situação e a cada necessidade para atendermos às necessidades do nosso melhor cliente, os colaboradores».

Também na Randstad as chefias desempenham um papel fundamental de elo de ligação da empresas com as suas equipas. E Manuela Ramalho acrescenta outro âmbito: «Em trabalho remoto, temos que ter algumas cautelas em termos de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, e lembrar aos colaboradores que têm de encerrar o dia de trabalho dentro do horário normal ou descansar no horário de almoço, por exemplo. O segredo está na comunicação, na boa comunicação, estabelecida diariamente com as nossas pessoas, mostrando compreensão junto das equipas, tentando de alguma forma manter os momentos sociais que tínhamos e sendo cuidadosos na forma como fazemos as abordagens.»

Em jeito de conclusão, José Ricardo Machado reitera que «as empresas que não tiverem este temas na agenda serão ultrapassadas em breve, porque as pessoas precisam de uma lufada de ar fresco, de ser ajudadas a vencer a fadiga em que se encontram devido à pandemia. Todas as medidas que as empresas estão a implementar, traduzem-se na percepção do colaborador como um salário emocional. Estes temas devem fluir nas empresas e fazer parte das suas preocupações. E acredito que muitas mais empresas pensam como nós, não me parece que sejamos um “surfista solitário”.»

 

(re)Veja esta conversa aqui, na íntegra. A moderação foi assegurada por Ana Leonor Martins, directora de redacção da Human Resources.

As re(talks) são uma iniciativa da Randstad em parceria com a Human Resources, promovida desde Março, e estão todas reunidas aqui.

 

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