A escassez de talento e a transformação das expectativas profissionais estão a exigir novas respostas.
A escassez de profissionais está a obrigar as empresas a repensar a forma como recrutam, integram e desenvolvem pessoas. Para César Santos, CEO da Wellow Network e da Talenter, a resposta passa por uma abordagem mais abrangente ao talento, que cruza recrutamento, formação, integração e desenvolvimento de carreira.
O mercado de trabalho está a mudar rapidamente. Que necessidades das empresas estão hoje a exigir novas respostas da Talenter?
Portugal enfrenta três problemas que contribuem para a escassez de mão de obra: a crise demográfica, o desajustamento de qualificações e a emigração, realidade que tem reforçado a importância da imigração.
Cada um exige respostas diferentes: a escassez de pessoas obriga a aumentar a capacidade de recrutamento; a imigração exige capacidade de acolhimento e integração; o desajustamento de qualificações pede formação e desenvolvimento de competências; e a crescente rotatividade torna cada vez mais importante a gestão de carreira e a retenção. A Talenter tem feito esse caminho.
A Talenter tem reforçado o Recrutamento e Seleção Especializado e a contratação permanente. O que está a mudar na relação das empresas com o talento?
O mercado de trabalho está mais aquecido e a relação das pessoas com o emprego também mudou. As novas gerações procuram mais propósito, flexibilidade, desenvolvimento e projetos que façam sentido para o seu percurso, em vez da ideia tradicional de um emprego para a vida.
Esta realidade traduz-se em maior mobilidade e rotatividade e torna a retenção mais difícil. Já não basta recrutar: é preciso criar condições para atrair, desenvolver, envolver e reter talento, o que transforma a forma como as organizações pensam a sua estratégia de pessoas.
Como é que a Talenter pode ajudar as empresas a responder à escassez de profissionais em setores como a indústria, logística, hotelaria ou agroalimentar?
A Talenter deve atuar em três dimensões: aumentar e melhorar os processos de recrutamento, incluindo o recrutamento internacional; assumir um papel relevante no acolhimento e integração de trabalhadores imigrantes; e desenvolver competências ajustadas às necessidades concretas das empresas.
Num mercado onde determinadas competências já são escassas, não podemos limitar-nos a procurar o talento que existe: temos também de ajudar a criar o talento de que o mercado precisa. É por isso que reforçamos a Formação Profissional e esta visão está também na origem da nossa assinatura, Human Performance.
A assinatura «Human Performance» traduz uma mudança na forma como a Talenter se posiciona no mercado. O que significa, concretamente, colocar a performance humana no centro?
Human Performance parte de uma convicção simples: a performance das empresas começa na performance das pessoas. As pessoas certas, com as competências certas e nos contextos onde podem gerar mais valor, são um fator de competitividade e inovação.
O papel da Talenter é ajudar as empresas a identificar, recrutar, qualificar e desenvolver esse talento, potenciando o desempenho das pessoas, das equipas e das organizações. Esta visão está também na génese da Wellow Network, grupo que nasceu da Talenter e tem as pessoas como elemento comum aos diferentes negócios. É isso que significa posicionarmo-nos como especialistas em talento, carreiras e performance humana.
Que competências e características vão distinguir os profissionais mais procurados pelas empresas nos próximos anos?
Acredito que cinco competências, muitas vezes designadas como super skills, serão cada vez mais valorizadas: pensamento crítico, colaboração, empatia, comunicação e criatividade.
À medida que a Inteligência Artificial assume um papel crescente nas organizações, as competências técnicas evoluem mais rapidamente. Ganha, por isso, relevância aquilo que é profundamente humano: pensar criticamente, relacionar informação, comunicar, colaborar, compreender os outros e criar.
A tecnologia vai transformar muitas funções, mas estas capacidades continuarão a fazer a diferença e serão mais difíceis de substituir por uma máquina.














