Manpower | Mais além da flexibilidade: integração estruturada e produtividade

Entre incerteza geopolítica e digitalização acelerada, o trabalho temporário reinventa-se como ferramenta estratégica, com a Manpower posicionada na vanguarda dessa transformação.

Human Resources
30 de Março 2026 | 13:40

Entre incerteza geopolítica e digitalização acelerada, o trabalho temporário reinventa-se como ferramenta estratégica, com a Manpower posicionada na vanguarda dessa transformação.

Por: Daniela Lourenço, brand leader da Manpower

Flexibilidade, tecnologia e especialização tornaram-se variáveis críticas num mercado em profunda transformação. Daniela Lourenço, brand leader da Manpower, traça o retrato de um sector mais competitivo, digital e, paradoxalmente, mais humano, onde, à medida que os processos se automatizam, a dimensão relacional se torna decisiva.

Que tendências que estão a marcar o mercado de trabalho temporário em 2026, em Portugal e a nível internacional, e como é que a Manpower está a posicionar-se face a este novo ciclo económico?

Destacaria três grandes tendências com impacto nacional e internacional. Primeiro, o cenário de estabilidade com resiliência, com alguns sinais de retoma apesar do contexto de incerteza. Em Portugal, o barómetro da APESPE-RH mostrou que 2025 foi um ano estável, com visíveis melhorias a partir de metade do ano e até Dezembro. O cenário para 2026 aponta para a continuidade desta dinâmica, mas com volatilidade associada à incerteza geopolítica, cadeias de abastecimento instáveis e prudência por parte dos empregadores, transversal a sectores e regiões. Perante este contexto, muitas empresas evitam compromissos longos e utilizam o trabalho temporário para gestão de risco e garantia de competitividade, deixando de ser apenas uma solução para picos e assumindo-se cada vez mais como um instrumento estruturante de gestão empresarial.

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Segundo, a crescente utilização de IA e digitalização no recrutamento. A IA vem permitir a automatização de tarefas repetitivas, como a triagem de currículos, o matching inteligente entre perfis e vagas, e o suporte à criação de descrições de funções, enquanto reforça a avaliação comportamental e preditiva. Desta forma, permite aos consultores concentrar- se no que é mais decisivo, como avaliar, acompanhar e cuidar da experiência de candidatos, trabalhadores e clientes, acelerar o time-to-fill e reforçar a taxa de sucesso das contratações. A adopção da IA é uma tendência que se está a consolidar. Dados da Experis indicam que 66% das empresas em Portugal antecipam impactos positivos da IA no recrutamento, enquanto mais de metade dos empregadores a nível global já recorre a estas tecnologias na contratação e integração de talento. A componente humana continuará a ser central no processo, mas é fundamental equipar os recrutadores com as ferramentas certas para acompanhar a evolução do mercado.

Como terceira tendência, destaco a especialização como factor crítico de diferenciação. O mercado do trabalho temporário é cada vez mais competitivo, não só pelo número de players dedicados, mas também pelas alternativas e opções que estão disponíveis para os nossos clientes, como o acesso a portais e sites de emprego ou a publicidade em Redes Sociais. A capacidade de oferecer uma solução especializada e focada em determinados sectores e domínios de competências será um grande diferenciador, ao permitir alavancar mais valor dos recursos que temos, em termos das nossas próprias equipas, das nossas bases de talento especializadas e da capacidade de resposta às necessidades específicas dos nossos clientes.

No contexto actual, de que forma o trabalho temporário tem sido uma ferramenta estratégica para as empresas garantirem flexibilidade e competitividade?

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O trabalho temporário dá sobretudo velocidade, continuidade operacional e controlo do risco. No actual contexto de incerteza, permite manter níveis de serviço, responder a picos, substituir ausências e proteger margens sem comprometer a qualidade. Quando bem gerido, melhora a produtividade. Cada vez mais clientes valorizam SLAs – time to fill, time to delivery, absentismo, rotatividade – e utilizam o trabalho temporário como instrumento de competitividade, com um foco claro na medição de desempenho. Este foco na eficiência é especialmente acentuado nos modelos on-site, que são modelos que oferecem uma gestão integral do talento, com equipas dedicadas e dotadas de um profundo conhecimento do sector dos clientes, das suas operações e das necessidades da sua força de trabalho. Nestes modelos, há um foco claro na gestão do talento e na optimização de custos por via da eficiência operacional, com recurso a metodologias de melhoria contínua e Lean Management.

Que sectores têm registado maior dinamismo na procura de soluções de trabalho temporário desde 2024? Existem novas áreas emergentes a ganhar peso no vosso portefólio?

Desde 2024, os sectores que têm registado maior dinamismo mantêm-se, em grande medida, estruturalmente fortes. Dados da APESPE-RH mostram que a indústria de componentes automóveis e de acessórios continua a ser um dos principais motores, a par da logística e transportes, do catering e refeições e da hotelaria e restauração. Em 2025, verificou-se também maior tracção na indústria dos plásticos, enquanto funções administrativas menos especializadas evidenciaram algum abrandamento, reflectindo uma rotação do mercado para perfis mais operacionais e ligados a volume, num contexto ainda marcado por volatilidade.

Um sector que tem vindo claramente a ganhar peso é o dos Bens de Consumo, em particular a indústria alimentar, em linha com a evolução macroeconómica recente, muito suportada pela procura interna e pelo consumo das famílias. Paralelamente, observamos um crescimento de necessidades em perfis mais especializados associados à tecnologia dentro das operações, acompanhando a digitalização crescente dos processos. Hoje, mesmo funções tradicionalmente operacionais exigem maior exigência técnica e tecnológica.

Como é que a Manpower assegura o alinhamento entre as necessidades específicas dos seus clientes e os perfis dos candidatos, especialmente num mercado marcado pela escassez de talento?

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O alinhamento entre necessidades do cliente e perfis dos candidatos vai muito além da correspondência de CVs. Na Manpower, é feito através das nossas especializações, do diagnóstico cuidadoso das necessidades dos clientes e da construção de relações, com o foco na compreensão, não só das exigências por parte do cliente, mas também da motivação e expectativas do candidato.

Contamos, por isso, com equipas especializadas por sector e perfis de competências, com um conhecimento profundo dos sectores em que trabalham e anos de experiência no recrutamento e gestão destes perfis. Desenvolvemos relações estreitas com os candidatos, criando redes de talento activo, construídas ao longo de anos, que nos permitem aceder rapidamente a profissionais qualificados e imediatamente disponíveis.

Temos um processo estruturado de avaliação: além de avaliar competências técnicas, valorizamos o fit cultural, as motivações e o alinhamento com os objectivos da empresa. Esta abordagem aumenta a taxa de sucesso das colocações e reduz o turnover.

Finalmente, apostamos claramente na construção de relações de longo prazo com os nossos clientes e trabalhadores, e estamos focados na sua satisfação. Asseguramos um acompanhamento contínuo, uma gestão transparente de expectativas e feedback regular, cuidando da experiência do trabalhador e do cliente ao longo de toda a missão. Desta forma, conseguimos não apenas preencher vagas, mas criar relações sustentáveis e confiança mútua, garantindo produtividade e fidelização do talento.

A integração é um dos momentos mais críticos para o sucesso de uma colocação temporária. Que práticas têm vindo a adoptar para garantir uma experiência positiva, tanto para o trabalhador como para a empresa-cliente?

Na Manpower, a integração é tratada como um processo estruturado e não apenas como o primeiro dia de trabalho. Começa com um pré-onboarding cuidado, assegurando que o trabalhador recebe informação clara e completa antes de iniciar funções, desde o local e horários a questões mais administrativas, para que chegue preparado e com expectativas alinhadas.

Até às 72 horas iniciais, realizamos um check-in para alinhar objectivos, perceber como está a correr a adaptação e recolher as primeiras percepções, tanto do trabalhador como da empresa-cliente, estando garantido ainda um ponto de contacto dedicado e sempre disponível.

Este acompanhamento culmina com a medição regular da experiência, nomeadamente através de NPS e recolha de feedback livre, com periodicidade trimestral. Sempre que identificamos oportunidades de melhoria, são definidos planos de acção concretos. Esta abordagem estruturada reduz desistências, aumenta o engagement e traduz-se numa maior produtividade e numa experiência mais positiva para todas as partes.

Como é que a Manpower trabalha a valorização deste modelo junto dos candidatos?

O trabalho temporário continua por vezes a ser visto como uma solução precária ou de curto prazo. Na Manpower, este desafio é abordado através de transparência, acompanhamento próximo e desenvolvimento de carreira.

É possível construir uma carreira sólida através do trabalho temporário e, na Manpower, encaramo-lo também como um modelo de empregabilidade e progressão profissional. Por isso, oferecemos uma combinação de experiências profissionais evolutivas, de oportunidades de desenvolvimento de competências, de recomendações de empresas que reforcem esse crescimento e de acompanhamento personalizado dos nossos consultores, para ajudar a gerir expectativas e a escolher oportunidades alinhadas com os objectivos de carreira. Desta forma, permitimos aos nossos trabalhadores reforçar competências técnicas e humanas ao longo do seu percurso connosco. Com esta abordagem, o trabalho temporário passa a ser uma opção consciente, valorizada e estruturante.

Há um número crescente de profissionais que procuram activamente projectos temporários ou modelos de trabalho mais flexíveis. Que perfis têm identificado nesta tendência e quais são as motivações mais comuns?

Identificamos três grandes perfis de profissionais que procuram projectos temporários. Por um lado, os jovens, que procuram uma entrada rápida no mercado e ganhar experiência prática. Por outro, especialistas que valorizam projectos circunscritos no tempo e autonomia na gestão das suas funções. E ainda profissionais experientes, que privilegiam flexibilidade e procuram um sentido de propósito nas suas missões.

As motivações mais comuns destes perfis incluem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, a rapidez na colocação, a possibilidade de experimentar diferentes sectores, empresas e localizações, e a oportunidade de complementar o rendimento.

No caso dos jovens em início de carreira, o trabalho temporário continua a ser uma porta de entrada relevante para o mercado de trabalho? Que dados ou experiências podem partilhar nesse sentido?

O trabalho temporário continua a ser uma porta de entrada relevante para jovens em início de carreira, num mercado que, cada vez mais, exige experiência prática desde cedo. Muitos jovens estudantes recorrem a missões temporárias para obter rendimento extra e ganhar a primeira experiência profissional, beneficiando da flexibilidade que permite conciliar estudos e trabalho. Há também jovens em transição de carreira, que utilizam o trabalho temporário para experimentar novas áreas e adquirir experiência prática num sector diferente.

Os dados confirmam esta tendência: na União Europeia, em 2024, 31,1% dos trabalhadores com contratos temporários tinham entre 15 e 29 anos, sendo que em Portugal este valor estava acima da média, com 36,7%. Isto evidencia o papel do trabalho temporário como porta de entrada no mercado, permitindo aos jovens validar competências e criar referências profissionais e, às empresas, aceder a uma forma eficaz de conhecer talento em contexto real.

A inteligência artificial está a transformar os processos de recrutamento. Como estão a integrar IA e ferramentas digitais na identificação, avaliação e matching de talento face às necessidades dos clientes?

Na Manpower, a IA e as ferramentas digitais são integradas de forma a agilizar e tornar mais preciso o recrutamento, mais orientado por dados, sem nunca substituir a dimensão humana. A IA é utilizada na triagem e qualificação inicial de candidatos, no matching inteligente entre competências e vagas, e na análise de padrões de adequação, incluindo indicadores de risco de desistência ou rotatividade.

Para melhorar a experiência dos candidatos, contamos ainda com um portal do candidato, para facilitar as etapas de candidatura e entrega de informação, opção de activação de notificações para vagas de emprego relevantes e um chatbot que nos permite estar sempre disponíveis, ao longo do processo de recrutamento. Apesar da tecnologia, a decisão final e o acompanhamento continuam humanos, garantindo que factores como motivação, contexto e alinhamento com o ambiente e objectivos da empresa são avaliados e acompanhados de forma personalizada. Desta forma, a tecnologia reforça, mas não substitui, a dimensão relacional que é central para o sucesso das colocações.

Quais são as perspectivas da Manpower para o mercado de trabalho temporário nos próximos três a cinco anos? Que inovações ou novas soluções estão a preparar para melhorar a experiência de clientes e candidatos?

O trabalho temporário tenderá a tornar- -se mais tecnológico, ágil e orientado por dados, com a IA a desempenhar um papel central na identificação, avaliação e colocação de talento. As plataformas digitais e marketplaces de talento permitirão uma ligação mais eficiente entre as necessidades de competências das empresas e os perfis dos candidatos, com processos de matching cada vez mais rápidos, preditivos e escaláveis.

Apesar desta evolução tecnológica, quanto mais automatizados forem os processos, mais relevante se torna o acompanhamento humano, a interpretação de contextos, a compreensão da motivação dos candidatos e a garantia do alinhamento com a cultura e objectivos da empresa.

Acreditamos que, à medida que o mercado se torna mais digital, vai também aumentar a relevância da presença física e da proximidade local, com consultoria especializada e acompanhamento próximo. As agências continuarão a desempenhar um papel crítico enquanto pontos de contacto humano, capazes de acolher candidatos, apoiar percursos profissionais e construir relações de confiança com os clientes. Este modelo híbrido será determinante para continuarmos a criar valor num sector cada vez mais competitivo e tecnológico.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Trabalho Temporário”, publicado na edição de Março (nº. 183) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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