Marca empregadora: a experiência antes da promessa

Opinião de Cláudia Bernardo, Corporate Communications manager | Grupo José de Mello

Human Resources
7 de Setembro 2026 | 11:00
Marca empregadora: a experiência antes da promessa

Por Cláudia Bernardo, Corporate Communications manager | Grupo José de Mello

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Nos últimos tempos, ao acompanhar mais de perto temas de comunicação interna, tornou-se cada vez mais claro para mim que a marca empregadora não começa na comunicação. Começa muito antes dela.

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Há, por isso, uma pergunta que devia anteceder qualquer estratégia de employer branding: o que diriam os colaboradores se lhes pedissem para descrever, sem filtros, a experiência de trabalhar na sua organização?

Quando a experiência que descrevem não confirma a promessa comunicada ao mercado, essa distância passa a ter uma dimensão reputacional.

Esta reflexão torna-se ainda mais relevante porque a credibilidade mudou de lado. Hoje, a voz dos colaboradores é mais credível do que a voz institucional. Segundo o Edelman Trust Barometer 2025, a credibilidade dos colaboradores situa-se nos 63%, acima do próprio CEO (58%) e da publicidade da empresa (50%).

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Antes de aceitar uma proposta, um candidato procura opiniões, lê avaliações e pergunta a quem conhece a organização por dentro. A marca empregadora deixou, por isso, de pertencer exclusivamente às empresas. Pertence também às conversas que os colaboradores têm quando ninguém da organização está presente.

Quando se fala de employer branding, é fácil cair na ilusão de que a solução está na narrativa. E digo-o com alguma relutância, porque acredito profundamente no poder das palavras. Mas a comunicação não cria cultura – dá-lhe voz.

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Não podemos pedir às palavras que sustentem uma promessa que a experiência não confirma. Uma organização pode falar de autonomia, por exemplo, mas essa promessa dificilmente será reconhecida por quem sente que cada decisão precisa de sucessivas validações.

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Os colaboradores raramente citam os valores corporativos. Reconhecem-nos, isso sim, nas pequenas decisões do dia a dia: na forma como recebem feedback, na coerência entre o que se diz e o que se faz, na maneira como tratam e são tratados por chefias e colegas. É aí que a cultura deixa de ser um conjunto de palavras para se tornar uma experiência.

Num mercado de talento competitivo, é natural que as organizações procurem apresentar a melhor versão de si próprias. E essa versão pode também traduzir uma ambição: aquilo que a organização quer ser e a cultura que procura construir.

O problema não está, por isso, em existir alguma distância entre a promessa e a realidade, mas na dimensão dessa distância. Uma coisa é os colaboradores reconhecerem na promessa um caminho que a organização está genuinamente a percorrer. Outra é não reconhecerem nela a sua experiência.

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Hoje, plataformas de avaliação e redes profissionais tornam transparente aquilo que antes permanecia dentro das empresas. Prometer uma cultura que os colaboradores não reconhecem já não é apenas um erro de comunicação. É uma questão de ética, porque compromete a confiança de quem pondera juntar-se à organização e de quem nela já trabalha.

Talvez o ponto de partida mais honesto não seja uma nova campanha, mas uma pergunta simples: que experiência estamos, de facto, a proporcionar às pessoas? A ambição não devia ser apenas cumprir a promessa. Devia ser superá-la.

Referência: Edelman Trust Barometer 2025 – Brand Trust: From We to Me

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