Marco Serrão, Nadara: O futuro não é sem recursos humanos. É com melhores líderes.

A questão não é se as empresas precisam de departamentos de Recursos Humanos. Precisam. A questão é se as empresas estão preparadas para exigir mais dos seus líderes. Estão? Leia oa artigo de Marco Serrão, Chief People and Culture Officer da Nadara.

Human Resources
10 de Julho 2026 | 10:10
Marco Serrão, Nadara: O futuro não é sem recursos humanos. É com melhores líderes.

Por Marco Serrão, Chief People and Culture Officer da Nadara

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Recentemente, esta revista, no seu site, mencionou um artigo sobre o anúncio feito pelo CEO da Bolt a dar conta de que tinha eliminado a função de Recursos Humanos (RH) na sua empresa. Como seria de esperar, as manchetes multiplicaram-se. A mensagem implícita é simples: os RH tornaram-se burocráticos, criaram demasiados processos, afastaram os líderes das suas responsabilidades e deixaram de acrescentar valor.

Há aqui alguma razão, já que, durante anos, muitas organizações cometeram o erro fundamental de transferir para a função as responsabilidades dos líderes. Conversas difíceis, desenvolvimento de equipas, gestão de desempenho, reconhecimento e feedback passaram a ser vistos como temas “dos RH” e não como responsabilidades de quem lidera. O resultado foi previsível. Líderes menos responsáveis, equipas menos autónomas e departamentos de RH transformados em intermediários de problemas.

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Mas daqui a concluir que a solução é eliminar a função vai uma grande distância. Aliás, no contexto actual, é precisamente o contrário. Quanto mais tecnologia existe, mais importante se torna o factor humano. A inteligência artificial (IA) vai automatizar tarefas, eliminar processos e transformar profissões. O que não vai é substituir a capacidade de criar confiança, mobilizar equipas, desenvolver talento ou construir culturas onde as pessoas querem crescer e para a qual querem contribuir. Nenhum algoritmo inspira e nenhuma plataforma cria sentido de pertença. É por isso que me preocupa uma ideia que se tornou popular, a de que a eficiência resolve tudo. Não resolve. E as organizações não falham por terem demasiada humanidade, antes pelo contrário.

Os RH não foram criados para substituir os líderes, mas sim para os desafiar, desenvolver e apoiar, para garantir que a organização tem a cultura e as competências necessárias para prosperar. Alguns dos maiores obstáculos ao desempenho organizacional continuam a ser comportamentos de liderança tóxicos que persistem de forma silenciosa e tolerada. Líderes que confundem influência com controlo, autoridade com ego e ambição com vaidade, mais focados em garantir que outros falham do que em ajudar a organização a triunfar.

A evolução tecnológica que estamos a viver exige líderes menos centrados no ego, mais focados no propósito, mais comprometidos com o impacto colectivo e mais próximos das pessoas. Também exige uma nova geração de RH, menos burocrática, mais estratégica, menos focada em processos, mais focada em impacto. Por isso, a questão não é se as empresas precisam de departamentos de Recursos Humanos. A questão é se as empresas estão preparadas para exigir mais dos seus líderes.

Como nota final, recentemente tive a oportunidade de ir ao cinema ver “Masters of the Universe“ e, para grande surpresa minha, a personagem principal e herói (Adam) trabalha num departamento de RH! Na verdade, o argumento utilizado no filme faz todo o sentido, o verdadeiro poder de Adam (He-Man) não reside na sua força física. Nasce da empatia, da escuta, da coragem e da capacidade de mobilizar pessoas em torno de um propósito comum.

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Num mundo obcecado com eficiência e inteligência artificial, talvez o verdadeiro “superpoder” continue a ser profundamente humano. Porque o futuro não é sem Recursos Humanos. É com melhores líderes.

 

O artigo foi publicado na edição de Junho (nº. 186) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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