Maria João Martins, My Change: Reinvenção constante, para agir em vez de reagir

Maria João Martins, Managing partner da My Change, acredita que «a pandemia trouxe consigo a noção de imprevisibilidade, que poderá ser imposta, futuramente, por outras variáveis, por isso é preciso reinventar constantemente e antever necessidades, para não reagir apenas em tempo de crise». Leia a sua análise aos resultados do XXXVI Barómetro Human Resources.

«Embora a pandemia, talvez por desconhecimento, aparentasse obrigar – e obrigou –, a uma enorme adaptação das empresas e suas pessoas, cerca de 70% dos inquiridos verificaram que as suas empresas estavam aptas a fazer face ao novo contexto. Os grandes impulsionadores de mudança foram os líderes que, com grande representatividade (cerca de 70%), apresentaram ter as competências necessárias para guiar as suas equipas neste contexto. Tal poderá ser explicado pela tendência crescente, verificada nos últimos anos, a favor da digitalização, da automatização de processos e da coordenação assíncrona de equipas, imposta por equipas geograficamente dispersas. O trabalho remoto já havia sido incorporado no dia-a-dia de várias empresas, mesmo que parcialmente. Contudo, mais de 90% dos envolvidos neste barómetro acreditam que é prioritário requalificar. A pandemia trouxe consigo a noção de imprevisibilidade, que nos poderá ser imposta, futuramente, por outras variáveis. Temos por isso de nos reinventar constantemente e antever necessidades, para não reagir apenas em tempo de crise. As nossas empresas precisam de profissionalizar aquilo que significa acompanhar e antecipar a onda de mudança. A flexibilidade revelou-se a arma para a grande capacidade de progredir sem baixar braços. É também claro, pela escolha de mais de 70% dos participantes, que esta requalificação passa pelo aproveitamento do conhecimento interno. Podemos desenvolver internamente as nossas pessoas e, ao apostar no seu desenvolvimento, torná-las mais aptas a enfrentar os desafios do futuro. Muitas organizações olharam para dentro e potenciaram o que já existia e, certamente, era invisível para muitos. Naquilo que respeita ao trabalho remoto, e à crescente globalização que nos permite trabalhar em qualquer parte do globo, Portugal cativa e destaca-se como um país benéfico para trabalhar e para viver. Acreditamos que a incorporação de talento externo pode ser win-win, uma vez que também nós, portugueses, teremos a oportunidade de aprender as melhores práticas externas. Surpreendentemente, 80% dos inquiridos revelam perspectivas de recrutamento até ao final do ano, além da manutenção das suas pessoas. Menos de 10% admitem a necessidade de despedimentos e a maior parte acredita que, nos próximos meses, a tendência é de manutenção ou decréscimo da taxa de desemprego. Estes números revelam-se optimistas e, pessoalmente, não estou completamente convencida, mas gostava de acreditar numa economia que pudesse rapidamente recuperar a sua direcção desejável de crescimento. Os números mais alarmantes referem-se ao deterioramento da saúde mental dos colaboradores durante a fase pandémica, em todos os níveis hierárquicos. Sente-se que os seus líderes não estão preparados para ajudar os colaboradores. E esta é uma temática da ordem do dia que teremos de colocar na nossa agenda, sem hesitação. É importante compreender como atingir um novo equilíbrio e que novos mecanismos e rotinas vamos ter de adoptar nas nossas empresas, quando a sua própria realidade mudou. Ninguém pode seguir em frente e negar esta realidade, e também é verdade que deveríamos aumentar os níveis de colaboração interempresas, em rede, para aprendermos uns com os outros, mais depressa, aquilo que precisamos de fazer, para salvar a saúde mental das nossas organizações.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Junho (nº. 126) da Human Resources, no âmbito da XXXVI edição do seu Barómetro.

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