No seu comentário à LX edição do Barómetro Human Resources, Mariana Canto e Castro, directora de Recursos Humanos da Randstad Portugal, destaca que «é preciso olhar para os dados demográficos do desemprego, para a estatística sectorial do desenvolvimento da economia e ter coragem, enquanto sociedade, para ir fundo. Fazer algo pelo futuro.»
«Um dos temas do Barómetro Human Resources é a reforma da lei laboral. O questionário chegou antes, mas entretanto surgiu o anteprojecto de lei da reforma da legislação laboral do XXV Governo Constitucional português. Num momento em que tanto se fala de um projecto legislativo do Governo, com 67 longas páginas, preparadas para alterar a legislação laboral vigente, é preciso compreender a importância crucial que a existência de um quadro normativo actual, flexível, realista, pragmático, corajoso, concreto, não teórico, não baseado em “achismos” e em dogmas político-partidários, reveste para as empresas portuguesas poderem desempenhar a sua actividade de forma robusta e capaz de ultrapassar os desafios de todas as circunstâncias socioeconómicas que se fazem sentir actualmente.
E sempre com respeito total e completo pelos direitos e deveres de todas as partes envolvidas: empresas e trabalhadores; sempre garantindo a possibilidade de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional; sempre sem colocar em causa aqueles que são direitos superiores que pretendem salvaguardar valores considerados pela nossa sociedade, como relevantes para distinguir e proteger.
Temos de ir buscar dados aos tribunais, às acções inspectivas da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), da Segurança Social e da Autoridade Tributária (AT). Temos de ouvir os parceiros sociais e as confederações patronais. Temos de dialogar com os sindicatos e com as estruturas representativas dos trabalhadores. Temos de ir ao terreno, saber o que se passa no dia-a-dia das empresas, nos turnos das fábricas, nos escritórios das consultoras. Temos de ouvir directores de Recursos Humanos e analisar os seus dados de “engagement” corporativo, “turnover”, razões de saída.
Temos de andar na rua com olhos de ver, e registar os que pedem esmola; analisar os números oficiais de pessoas sem-abrigo; ver atentamente os que estão sentados em esplanadas e cafés a qualquer hora do dia; analisar os que aguardam sentados na sua bicicleta, com o telemóvel na mão atentos a vigiar quando cai o pedido na app; temos de contar o número de táxis parados nas “praças” oficiais; temos de contar, a seguir, os veículos TVDE que circulam com passageiros; temos de perguntar nas escolas o número de crianças que só comem as refeições ali disponibilizadas; temos de avaliar o grau de endividamento das famílias, ou o volume de poupança existente; temos de cruzar números, pessoas, rendimentos, demografias, declarações de imposto, realidades de vida.
Temos de olhar para os dados demográficos do desemprego, para a estatística sectorial do desenvolvimento da economia. Temos de ter coragem, enquanto sociedade, para ir fundo. Temos de fazer algo pelo nosso futuro.»
Este testemunho foi publicado na edição de de Agosto (nº. 176) da Human Resources, no âmbito da LX do seu Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














