Mariana Canto e Castro, Randstad Portugal, faz notar que «numa época de escassez de talento ou em que o mesmo nem sempre é óbvio, numa época em que o reskilling é um tema central no debate da Gestão de Pessoas, numa época em que a atractividade das empresas é ainda um desafio maior do que a retenção, numa época destas, negar a mudança que se desenha já no horizonte de forma muito clara é equivalente a querer parar o vento com as mãos».
«Os resultados deste barómetro são superinteressantes pelo alinhamento e coerência das respostas, que nos apontam, na sua maioria, para uma tendência de mudança; não necessariamente radical, mas muito estruturada, sólida, orgânica e consistente.
Senão vejamos: 48% dos inquiridos consideram que o mundo do trabalho, tal como o conhecemos, vai mudar de forma significativa a médio prazo, seguidos por 40% que, acreditando que o essencial se manterá, igualmente entendem que o modelo muda de facto; assim, no total, são 88% a sentirem estes ventos de mudança, apesar de não existir consenso total sobre a força com que os mesmos irão soprar.
Se muda o modelo de trabalho, e se é disso que falamos – modelos de trabalho –, temos 68% das respostas a considerarem que as mudanças são significativas.
Mas de que mudanças falamos? Formas de trabalhar? A eterna e já cansativa discussão do trabalho remoto vs. a pressão de alguns sectores ou líderes que apenas sabem gerir com presentismo, sem compreenderem a que é que estão a condenar o seu futuro (e sim, só me estou a referir aos sectores/ actividades onde o trabalho remoto é viável)? Sim, mas não só.
Quando 57% de quem responde ao barómetro entende que, no futuro muito próximo, o bem-estar organizacional e a flexibilidade laboral irão passar a ser considerados como uma commodity não negociável, e não como o benefício com que hoje ainda são vistas, estamos a falar de algo muito profundo.
Estamos a falar da geração já no mercado de trabalho, com idade até aos 30 anos, e que não aceitam as longas horas ou noitadas de trabalho, não aceitam estar todos os dias no escritório, de manhã à noite, não aceitam prescindir da sua vida pessoal em detrimento da profissional.
Numa época de escassez de talento ou em que o mesmo nem sempre é óbvio, numa época em que o reskilling é um tema central no debate da Gestão de Pessoas, numa época em que a atractividade das empresas é ainda um desafio maior do que a retenção, numa época destas, negar a mudança que se desenha já no horizonte de forma muito clara é equivalente a querer parar o vento com as mãos.»
Este testemunho foi publicado na edição de Fevereiro (nº. 182) da Human Resources, no âmbito do seu LXIII Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.












































































































































































































