Markus Krammer, NFON: «A “cena tech” em Lisboa é absolutamente fervilhante e abre um mundo de perspectivas completamente novas

Sandra M. Pinto
16 de Abril 2021 | 10:40
Markus Krammer, NFON: «A “cena tech” em Lisboa é absolutamente fervilhante e abre um mundo de perspectivas completamente novas

A pandemia veio colocar muitas coisas em perspectiva, não só para as empresas mas também para as pessoas, inclusive a um nível pessoal. Apesar da situação que desde Março de 2020 atinge a Europa, e o mundo, muitos houve que não baixaram os braços e não viraram costas a novos desafios. Markus Krammer é um desses exemplos. 

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

Por Sandra M. Pinto

 

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

O actual Managing Director do Centro de I&D da NFON em Portugal deixou o seu país natal em plena pandemia COVID-19. Desafiado a ocupar um novo cargo na capital portuguesa, não hesitou um segundo, como confessa em entrevista à Human Resources. Na companhia da família, embarcou numa viagem de carro que o trouxe da Alemanha até Lisboa. Quando lhe perguntamos se a mudança foi fácil não esconde que não. «Contudo, nada na vida vem gratuitamente ou sem sacrifícios e, se agora me perguntassem outra vez, a minha decisão seria a mesma», assegura.

 

O que o fez deixar a Alemanha e vir para Portugal?
Em primeiro lugar, Portugal é um país fantástico para explorar e para viver; em segundo lugar, estabelecer um centro de desenvolvimento de software naquele que é o Tech Hub da Europa é uma oportunidade incrível e, ao mesmo tempo, um grande desafio. Depois de alguns anos ao leme da estratégia e portefólio de produtos da NFON, senti-me extremamente motivado e preparado para esta mudança, no sentido de contribuir mais e com maior rapidez. Assim, quando a NFON me abordou com esta proposta, a resposta afirmativa surgiu naturalmente.

Continue a ler após a publicidade

Foi uma decisão fácil?
Mudar para outro país no meio de uma pandemia global não é fácil. Além de ser num momento em que ainda não se conseguia prever as consequências finais, em termos de saúde e economia, era um país cuja língua não falava. Esta decisão implicou tirar a minha família da sua zona de conforto, deixar a escola, os amigos e os avós para trás, e trazê-la para Lisboa. Quando me pergunta se foi fácil, a resposta é não; contudo, nada na vida vem gratuitamente ou sem sacrifícios e, se agora me perguntassem outra vez, a minha decisão seria a mesma!

O que é que Portugal tem que o atraiu e que pode atrair outros profissionais a virem para cá trabalhar?
Portugal é um verdadeiro Tech Hub na Europa e fazer parte desta jornada com a NFON é inspirador e altamente motivante. Proporciona um ambiente de constante aprendizagem e, além disso, estamos a competir com os melhores da Europa – tudo isto torna Portugal bastante atrativo para mim! A “cena tech” em Lisboa é absolutamente fervilhante e abre um mundo de perspetivas completamente novas.

Continue a ler após a publicidade

Optou por vir com a família numa viagem de carro. Como foi essa aventura?
Aventura é, de facto, a palavra certa! Como não podíamos voar para Lisboa, decidimos viajar de carro. Assim, isto envolveu conduzir 2 800 quilómetros, com os números da Covid a subir em toda a Europa. Foi cansativo mas foi também uma experiência fantástica enquanto família. Tínhamos acabado de entregar o nosso apartamento na Alemanha e de colocar todos os nossos pertences num contentor, e damos por nós a viajar juntos durante cerca de dez dias. Embora as circunstâncias não fossem ideais, com todas as preocupações e medidas de segurança implementadas, foi uma jornada incrível.

Continue a ler após a publicidade

Tivemos a oportunidade de visitar alguns lugares espetaculares, que foram boas pausas entre todo o tempo passado ao volante. No final de Agosto, chegámos a Lisboa e começou uma nova parte da aventura: instalarmo-nos no nosso novo apartamento, preparar as minhas filhas para começarem na escola, e preparar-me a mim para começar a trabalhar. Depois de tudo, diria que esta é uma experiência que nunca vamos esquecer e estamos muito felizes por termos decidido embarcar juntos nesta jornada.

Tudo em época de pandemia. O que encontrou de diferente nas pessoas que se foram cruzando convosco?
O impacto e os procedimentos decorrentes da pandemia são semelhantes para toda a gente e em todo lado, por exemplo, as medidas de confinamento, o teletrabalho, as aulas em casa, a redução dos contactos sociais… Contudo, a adopção destas medidas e o comportamento das pessoas são diferentes. Na minha opinião, os portugueses, apesar da sua proximidade social, são muito disciplinados e conscientes, e as pessoas com quem nos fomos cruzando, quer a nível profissional, quer a nível pessoal, foram sempre muito acolhedoras, atenciosas e cuidadosas.

Veio liderar as operações da NFON em Portugal. Como tem corrido a implementação do centro?
A implementação do centro está a correr bastante bem. Temos como objectivo ter uma equipa de 30 pessoas até ao final do ano e estamos a dar grandes passos nesse sentido. O nosso escritório, no centro de Lisboa, já está acabado e estou muito contente com o resultado final. Planeamos fazer a inauguração oficial em Maio, se as circunstâncias assim o permitirem.

Continue a ler após a publicidade

Qual é exactamente a actividade a que se dedicam?
No Centro de I&D em Lisboa, contribuímos para a melhoria contínua do portefólio de produtos baseados na cloud da NFON AG. Isto inclui, por exemplo, o nosso produto core Cloudya, o sistema de telefones e comunicações na nuvem, e uma gama de soluções premium, com novos recursos, melhor usabilidade e maior funcionalidade.

Que desafios inesperados encontrou para pôr a empresa a funcionar?
Na Alemanha, é sempre tudo muito rápido e, à medida que avançamos para sul, o ritmo muda completamente. As pessoas tendem a levar o seu tempo aqui, o que, no início, foi desafiante, ao tentarmos começar a planear o escritório, por exemplo, e mesmo a tratar de assuntos pessoais, como a renovação do nosso apartamento. Mas está tudo bem e esta foi mais uma excelente oportunidade de aprendizagem.

Qual o perfil ou perfis dos profissionais que trabalham consigo?
A maior parte da equipa é composta por Front-end Developers, Back-end Developers e QA Engineers. Tivemos muita sorte por termos pessoas altamente talentosas, motivadas e experientes a juntarem-se a nós para lançar o centro em Portugal. Além das suas excelentes competências técnicas, os nossos profissionais são verdadeiros team players, são audazes e inteligentes, e têm muita vontade de se envolver nos processos, o que é fundamental quando estamos a construir uma nova operação, num novo país.

Quantos colaboradores têm neste momento?
Até ao momento, temos uma equipa de doze pessoas.

Continue a ler após a publicidade

Todos portugueses?
Sim, para já, são todos portugueses. Vamos agora receber os primeiros colegas de outras nacionalidades.

Planeiam continuar a recrutar? Que perfis?
Pretendemos ter uma equipa com 30 pessoas até ao final do ano. Estamos à procura dos melhores talentos de cloud, mais especificamente, Front-end Engineers, Back-end Engineers, Quality Assurance Engineers e SIP Voice Engineers. Procuramos pessoas com uma proporção elevada de licenciados em matemática, ciências da computação, ciências naturais e tecnologia, e uma integração muito boa e ampla da língua inglesa. Pessoas motivadas para desenvolver o potencial de comunicação na nuvem e fazer parte de grandes projectos internacionais. Os profissionais devem ter experiência nas áreas de Front-end, Back-end, QA, PHP e código no geral.

Regressar à Alemanha está nos seus planos?
Vim para Lisboa com a minha família, cheio de energia e motivação para fazer disto um sucesso. Não há tempo nem espaço para ficar a pensar em planos de voltar. Este papel é um desafio todos os dias, um desafio que abracei completamente. Dou o meu melhor para ter o privilégio de estar aqui, no centro da ação tecnológica.

Como encara o futuro da empresa no pós-pandemia e que desafios identifica relacionados, por exemplo, com os Recursos Humanos?
De um modo geral, o local de trabalho tradicional deixou de existir. É imperativa a mudança: é importante ser mais eficiente e flexível, mas também otimizar a comunicação nos negócios e empresas. É triste que tenha sido a Covid-19 a mostrar-nos estas novas formas de trabalhar, mas, neste caso, todos sabemos que já não é possível voltar aos mesmos modelos a que estávamos habituados há décadas. Na NFON, estamos bastante optimistas em relação ao futuro, extremamente motivados, e cheios de vontade de voltarmos a reunir a equipa para unir esforços e enfrentar juntos todos os desafios incríveis que temos pela frente.

Partilhar


Mais Notícias