MC Sonae: Quando a mentoria acelera talento

Na MC Sonae, o Agile Mentoring afirma-se como uma ferramenta central na capacitação de pessoas, promovendo aprendizagem contínua, colaboração e preparação de lideranças para um contexto de transformação no retalho.

Human Resources
16 de Julho 2026 | 13:40
MC Sonae: Quando a mentoria acelera talento

Na MC Sonae, o Agile Mentoring afirma-se como uma ferramenta central na capacitação de pessoas, promovendo aprendizagem contínua, colaboração e preparação de lideranças para um contexto de transformação no retalho.

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Ganhar escala, responder à pressão operacional e acompanhar a transformação digital são desafios que colocam o desenvolvimento de pessoas no topo das prioridades. É nesse contexto que a MC Sonae tem vindo a apostar em modelos mais flexíveis de aprendizagem, capazes de aproximar equipas e acelerar a partilha de conhecimento dentro da organização. Cláudia Romão, Area leader – Strategic Projects & Analytics, explica como o Agile Mentoring tem contribuído para essa evolução, ao reforçar competências, estimular a colaboração e preparar lideranças para um ambiente de mudança contínua.

Quais as prioridades actuais do desenvolvimento de pessoas em 2026?

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As prioridades de desenvolvimento de pessoas em 2026 assentam em três pilares estratégicos: Eficiência, Digital e EVP, com o objectivo de construir uma organização mais ágil, competente e centrada nas suas pessoas.

No plano da eficiência, a aposta passa por optimizar a força de trabalho através de redesenhos organizacionais e pelo desenvolvimento contínuo de competências críticas, com especial enfoque no up/reskilling e na requalificação das lideranças, garantindo que o talento está alinhado com as necessidades estratégicas do negócio.

No plano digital, torna-se prioritário assegurar que os colaboradores possuem as competências necessárias para liderar a transformação em curso, nomeadamente através da simplificação de processos com recurso à IA e da adaptação de funções e estruturas organizacionais a este novo paradigma.

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Ao nível da experiência do colaborador (EVP), a aposta centra-se em acelerar a mobilidade interna, consolidar uma transformação cultural sustentada e implementar uma estratégia integrada de bem-estar, capacitando as lideranças actuais e futuras para reter e desenvolver os melhores talentos.

Em suma, 2026 exige uma abordagem verdadeiramente integrada, que alie eficiência operacional, capacitação digital e uma proposta de valor ao colaborador diferenciadora.

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Quais as prioridades de liderança e como se articulam com a estratégia da empresa e os desafios do retalho?

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Num contexto simultaneamente de transformação cultural e de expansão, a capacitação das lideranças assume-se como peça central na execução da estratégia. Liderar no retalho actual exige mais do que competência técnica, exige adaptabilidade, proximidade e capacidade de mobilizar equipas em ambientes de mudança constante.

As prioridades organizam-se em dois eixos complementares: por um lado, garantir que os líderes têm acesso, ao longo de todo o seu ciclo de vida na organização, a jornadas formativas que os preparem para liderar em contextos de incerteza; por outro, antecipar a prontidão de futuros líderes através de uma capacitação profissional e académica focada nas operações e na mobilidade interna, assegurando o pipeline de talento necessário para sustentar o crescimento.

Estes dois eixos articulam-se directamente com os pilares de Eficiência, Digital e EVP, tornando a liderança a principal alavanca de implementação da estratégia definida para 2026.

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O que motivou a empresa a lançar o programa de Agile Mentoring?

O Agile Mentoring nasceu há cerca de oito anos, da vontade de tornar a aprendizagem mais próxima, contínua e acessível dentro da organização. Na sua origem esteve a convicção de que o conhecimento mais valioso muitas vezes já existe dentro da empresa e que o desafio está em criar as condições certas para que circule e seja partilhado.

O programa surgiu, assim, como resposta a uma necessidade clara: criar mais oportunidades para a partilha de conhecimento entre pessoas de diferentes áreas, desenvolver competências de forma prática e incentivar o crescimento das lideranças. Paralelamente, procurava também promover maior colaboração transversal, ampliar o networking interno e dar mais visibilidade ao talento existente na organização contribuindo, em última análise, para uma cultura mais conectada e orientada para o desenvolvimento mútuo.

Como definem Agile Mentoring e o que o distingue da mentoria tradicional ou do coaching?

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O Agile Mentoring é um programa de aprendizagem interactivo, focado no desenvolvimento pessoal e profissional, que se caracteriza por ser simples, flexível e fácil de activar. O nome não é por acaso: inspira-se nos princípios das metodologias ágeis para criar uma experiência de mentoria mais dinâmica, adaptada e centrada nas pessoas.

O que o distingue é, sobretudo, a forma como rompe com os modelos mais tradicionais. Ao contrário da mentoria convencional, frequentemente unidireccional, onde o mentor transmite e o mentorado recebe, o Agile Mentoring valoriza a aprendizagem mútua: ambos crescem com a relação. Ao contrário do coaching, não segue uma estrutura rígida nem se orienta exclusivamente por objectivos formais. A dupla tem liberdade para definir o ritmo, os temas e o formato que melhor servem o seu percurso.

Em síntese, o que o torna distintivo é a combinação entre flexibilidade, reciprocidade, foco em experiências práticas e uma abordagem menos formal e mais humana.

De que forma o programa se integra na transformação cultural e no reforço da liderança?

O Agile Mentoring é, na sua essência, um programa que contribui para a mudança cultural. Ao estimular relações entre diferentes áreas e níveis hierárquicos, contribui directamente para uma organização mais colaborativa, aberta e conectada, onde as fronteiras entre departamentos se tornam mais permeáveis e o conhecimento flui de forma mais natural.

Ao envolver líderes como mentores, o programa reforça competências essenciais para a liderança actual: escuta activa, capacidade de desenvolvimento de outros, partilha de experiência e criação de relações de confiança. Mas o impacto vai além dos líderes-mentores. Ao participar no programa os mentorados desenvolvem também a sua própria visão de liderança, preparando-se para os desafios futuros.

No fundo, o Agile Mentoring é um dos instrumentos que a organização utiliza para construir, de forma consistente e sustentada, uma cultura de aprendizagem contínua, feedback e melhoria permanente.

Como está estruturado o programa e que formatos utilizam?

O Agile Mentoring assenta numa estrutura simples e clara, desenhada para ser fácil de activar sem abdicar de consistência: duração mínima de seis meses e pelo menos quatro sessões entre mentor e mentorado. A dupla tem liberdade para definir o formato dos encontros: presenciais ou online, sendo que o processo de match procura, sempre que possível, minimizar a distância geográfica entre ambos, favorecendo a proximidade e a criação de relação.

Para orientar o conteúdo das sessões, o programa sugere uma progressão temática ao longo do percurso: da definição de objectivos e expectativas nas primeiras sessões, passando pela exploração de competências e desafios concretos, até à consolidação de aprendizagens e planeamento de próximos passos na fase final.

O programa inclui ainda momentos estruturantes ao longo do percurso: uma sessão de kick-off presencial com todos os participantes, que inclui formação e a apresentação formal das duplas; momentos de acompanhamento intermédios para apoiar a evolução das relações; e uma avaliação final para medir o impacto e recolher aprendizagens para edições futuras.

Como seleccionam os mentores, que competências valorizam e como é feito o matching com os mentorados?

Os mentores são, sobretudo, líderes e perfis seniores da organização que, para além da experiência acumulada, demonstram genuína vontade de contribuir para o crescimento de outros. Não se trata de ser o “melhor” numa determinada área, mas de ter disponibilidade, abertura e as competências relacionais certas para criar uma relação de confiança e aprendizagem.

Entre as competências mais valorizadas estão a empatia e a escuta activa, a capacidade de partilha de experiência de forma útil e contextualizada, a transparência, a confiança e, de forma cada vez mais relevante, a curiosidade para também aprender com o mentorado.

O processo de matching é criterioso e procura maximizar o potencial de aprendizagem mútua. São considerados factores como as competências que o mentorado pretende desenvolver versus os pontos fortes do mentor, a pertença a áreas e funções diferentes, a proximidade geográfica e os diferentes níveis de experiência. O objectivo é garantir duplas verdadeiramente complementares, em que a diferença seja um activo e não um obstáculo.

Que tipo de formação ou preparação recebem os mentores?

Os mentores não são deixados sozinhos no processo. Logo no arranque do programa, na sessão de kick-off, recebem formação com dicas práticas sobre como conduzir as sessões, criar uma relação de confiança e tirar o máximo partido da experiência.

Para além disso, é disponibilizado um Kit de Mentoria, um conjunto de ferramentas simples e práticas que apoiam o processo ao longo dos seis meses, incluindo a bio de mentor e mentorado para facilitar o primeiro contacto, um modelo de definição de objectivos, um acordo de mentoria para alinhar expectativas, e um calendário com uma estrutura sugerida para cada sessão.

A filosofia subjacente é clara: não se pretende formalizar em excesso nem sobrecarregar os mentores com processos complexos, mas sim dar-lhes o suporte necessário para que conduzam a relação com confiança e de forma autêntica.

Que princípios ágeis estão incorporados na experiência de mentoring?

O nome “Agile” não é apenas uma designação, reflecte uma filosofia que está presente em toda a experiência. O programa incorpora vários princípios alinhados com metodologias ágeis, adaptados ao contexto do desenvolvimento de pessoas.

A flexibilidade e adaptação ao ritmo e às necessidades de cada dupla é o princípio mais visível: não há um guião rígido, mas sim um quadro orientador que cada par pode ajustar. O foco em objectivos claros, mas ajustáveis permite que a relação evolua de forma orgânica, sem perder direcção. A aprendizagem iterativa, sessão a sessão, com reflexão e ajuste contínuos, garante que cada encontro gera valor real. E a responsabilidade partilhada pela evolução do processo reforça o compromisso de ambas as partes.

A tudo isto acresce uma base de confiança, confidencialidade e melhoria contínua, que transforma a relação de mentoring numa verdadeira parceria de crescimento.

Quais os principais desafios na implementação e que resistências encontraram?

Como em qualquer iniciativa de desenvolvimento que envolve pessoas e agendas complexas, o programa não esteve isento de desafios. A gestão de disponibilidade das duplas é, de longe, o mais recorrente: conciliar agendas em contextos de grande exigência operacional requer comprometimento de ambas as partes. A isto somam-se, por vezes, expectativas iniciais pouco claras, situações em que mentor e mentorado chegam ao programa com visões distintas do que esperam da relação.

Foram também identificados alguns casos de mismatch entre duplas, em que a complementaridade esperada não se verificou na prática, e situações em que certas duplas beneficiariam de uma estrutura mais definida para as sessões.

Do lado das resistências, as mais naturais prendem-se com a dificuldade em “assegurar” tempo para o programa num quotidiano exigente e com alguma incerteza inicial sobre o impacto concreto da mentoria. A experiência mostrou, porém, que essas resistências tendem a dissipar-se rapidamente quando a relação arranca com confiança e intenção.

Que impacto tem o Agile Mentoring na retenção de talento e na forma como as equipas colaboram e se adaptam?

O impacto do programa tem-se revelado consistentemente positivo, em três dimensões principais. Ao nível do desenvolvimento profissional, os participantes reportam melhorias claras em competências específicas, maior clareza sobre o seu percurso de carreira e uma visão mais alargada do negócio. Ao nível da colaboração, o programa tem contribuído para aproximar áreas que raramente interagiam, criando pontes informais que beneficiam toda a organização. E ao nível da experiência do colaborador, o simples facto de ser escolhido, quer como mentor quer como mentorado, gera um sentimento de valorização e pertença que tem impacto directo no engagement.

Em conjunto, estes factores contribuem de forma significativa para reforçar a ligação das pessoas à organização, um elemento cada vez mais determinante num mercado onde a retenção de talento é um desafio real e crescente.

Como imaginam a evolução do programa nos próximos anos e que conselho dariam a outras empresas que queiram implementar Agile Mentoring?

O Agile Mentoring tem ainda muito espaço para crescer. A visão para os próximos anos passa por aumentar a escala e a abrangência do programa dentro da organização, criar mais momentos colectivos de partilha entre participantes, reforçar o acompanhamento ao longo do percurso e integrar o programa de forma ainda mais orgânica com outras iniciativas de desenvolvimento.

Para outras organizações que queiram embarcar nesta jornada, o principal conselho é começar de forma simples e centrada nas pessoas. Não é necessário ter um modelo perfeito desde o primeiro dia, o que realmente importa é criar as condições para que relações genuínas se estabeleçam: confiança, flexibilidade, clareza de objectivos e envolvimento autêntico de todos os participantes.

A experiência acumulada ao longo de oito anos ensinou-nos que o sucesso do Agile Mentoring não reside no modelo em si, mas na qualidade das relações que consegue gerar. E isso, mais do que qualquer processo, é o que verdadeiramente transforma pessoas e organizações.

Este artigo faz parte da edição de Junho (n.º 186) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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