Meeting Point: O futuro do trabalho

Flávia Brito
6 de Dezembro 2016 | 11:56
Meeting Point: O futuro do trabalho

“O Futuro do Trabalho” foi o tema proposto para reflexão no âmbito da rubrica “Meeting Point”. Estudos indicam que daqui a 10 anos a força de trabalho necessária irá reduzir drasticamente. Como adaptar pessoas e organizações, competências e formas de trabalho, às novas tecnologias e que impacto isso pode ter na estrutura das equipas?

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Alavancar as nossas habilidades únicas nas novas capacidades das “máquinas”

Por Inês Pina Pereira, head of People Culture na WeDo Technologies

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Não podemos falar sobre o futuro do trabalho sem falar em tecnologia. Ao longo dos tempos temos vindo a testemunhar o impacto dos avanços tecnológicos no nosso trabalho, inicialmente com a automação das atividades operacionais – na industria, por exemplo -, e, mais recentemente, no contributo para a rapidez com que realizamos as nossas tarefas diárias e a facilidade com que acedemos a qualquer tipo de informação.

Mas estamos a assistir a uma nova era, onde o avanço da tecnologia vai mudar em muito as profissões atuais. Estima-se que 65% das crianças que hoje entram nas escolas, provavelmente irão trabalhar em funções que atualmente não existem.

Há décadas que a Inteligência Artificial (IA) faz parte do imaginário tecnológico, mas a verdade é que só com o movimento da internet e da transação de milhares de dados – textos, imagens, até estados de espirito! – este conceito conseguiu evoluir na sua aproximaçao à faceta da inteligência humana.

O “machine learning” é a prova de que a robotização está chegar às áreas de conhecimento e às atividades mentais que envolvem tomadas de decisões e juízos de valor assegurados por pessoas, que jamais pensaríamos poderem ser subsituídas por máquinas.

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É verdade que algumas atividades serão substituídas, ou complementadas, por máquinas, mas ainda há um conjunto de características que nos diferenciam. A nossa criatividade, o nosso bom senso, a nossa flexibilidade e capacidade de nos adaptarmos a situações novas e, acima de tudo, a nossa emotividade e skills interpessoais, são alguns exemplos de elementos únicos no ser humano que, ainda, não são subsituíveis.

Em casos onde a tomada de decisão for um processo meramente automático, os computadores conseguirão assumir o processo de A a Z. Exemplo disso são alguns call centers que viram já as suas atividades/ processos robotizados pois seguem rigidamente scripts predefinidos. E a verdade é que com sistemas cada vez mais evoluídos, em alguns casos, o computador pode até fazer um melhor trabalho, pois conseguirá considerar os diferentes cenários, ao conseguir consultar em tempo real informações dispersas em dezenas de bancos de dados e cruzar as inúmeras variáveis.

Mas a capacidade de ouvir, refletir e criar será sempre diferenciador, e necessário, no contexto empresarial, onde lidamos com pessoas – e emoções – numa base diária.

No outro dia li um artigo sobre o tema, e exempleficavam com a ideia de um advogado poder usar algoritmos para analisar e cruzar milhares de documentos e até receber de forma automática algumas estratégias de ação, de forma a ficar livre para se dedicar à preparação da sua argumentação e retórica que, acima de tudo, é influenciada pelo conhecimento do contexto, emotividade e pensamento abstrato de como conduzir a estratégia da sua retórica. Acredito que este exemplo espelha o que irá acontecer nas empresas.

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As máquinas libertar-nos-ão de algumas tarefas e atividades para as quais a nossa capacidade intelectual não é tão necessária, permitindo-nos focar em outro tipo de desafios. Não podemos recear esta transformação no mercado e na força de trabalho, mas devemos, sim, pensar e antecipar formas de alavancar o nosso conhecimento, as nossas habilidades únicas e diferenciadoras, nestas novas capacidades das “máquinas”.

Neste novo paradigma de união de novos processos, novos canais, infidáveis transações, enormes volumes de dados e máquinas inteligentes, há que apostar em formação continua e em nos manter informados e atualizados.

Para vingar neste movimento, a regra é simples: é preciso aprender, sempre.

(Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, em vigor desde 2009.)

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Sobre “O futuro do trabalho” leia também os artigos “A IA libertará recursos para produzir trabalho com significado“, de Luísa Fernandes, directora de Recursos Humanos da Primavera BSS, e A metanóia que precisamos de “instalar”, de Hugo Sousa, Digital Transformation adviser no Ministério da Justiça de Portugal

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