Mercado tecnológico em Portugal está a entrar numa nova fase, com salários a estabilizar

O mercado tecnológico em Portugal está a passar por mudanças significativas, conforme revela o Tech Talent Trends Report 2026. O estudo, baseado em dados recolhidos directamente junto de milhares de profissionais da área, oferece uma visão detalhada das tendências que moldam o sector para os próximos anos.

Human Resources
25 de Maio 2026 | 10:40

O mercado tecnológico em Portugal está a entrar numa fase de maturação, marcada por maior estabilidade salarial, crescente selectividade na contratação e um impacto estrutural da inteligência artificial (IA) nas funções e competências exigidas. Esta é uma das principais conclusões do Tech Talent Trends Report & Salary Benchmark 2026, desenvolvido pela Landing.Jobs e pela Damia, que cruza dados de profissionais e de processos reais de recrutamento.

 

Um mercado menos volátil, mas mais exigente

Depois de vários anos de crescimento acelerado, o sector tecnológico mostra sinais claros de estabilização. Os salários continuam a subir, mas de forma mais moderada, enquanto as empresas adoptam estratégias mais cuidadosas de contratação.

Ao mesmo tempo, o mercado torna-se mais selectivo: a procura concentra-se sobretudo em perfis sénior, em detrimento dos júnior. Esta tendência levanta questões relevantes sobre a renovação do talento no sector, já que os profissionais em início de carreira representam uma fatia cada vez menor.

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Salários estabilizam após forte crescimento

O salário médio anual bruto em tecnologia ronda actualmente os 53.671 euros, registando uma ligeira subida face ao ano anterior.

Apesar deste crescimento ser mais modesto, a evolução ao longo da última década foi significativa: desde 2019, os salários aumentaram cerca de 74%, reflectindo a forte valorização do sector.

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As diferenças salariais continuam, no entanto, a depender de factores como o tipo de empresa e o modelo de trabalho:

  • funções totalmente remotas pagam, em média, mais do que as presenciais;
  • empresas de produto oferecem salários superiores aos de consultoras.

Paralelamente, subsiste um desfasamento entre o que os profissionais esperam receber e o que as empresas oferecem, com diferenças médias na ordem dos 11%.

Lisboa domina, mas o talento continua concentrado

A geografia do talento tecnológico mantém-se fortemente centralizada. Lisboa concentra a maior fatia de profissionais e de procura, seguida do Porto, enquanto outras regiões crescem a um ritmo mais lento.

O perfil do sector é também marcado por elevada experiência: quase metade dos profissionais tem mais de nove anos de carreira, reflectindo um mercado cada vez mais maduro.

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Em termos de diversidade, os dados mostram progressos limitados. As mulheres representam cerca de 22% da força de trabalho, mantendo-se uma diferença salarial de cerca de 14% nos níveis seniores.

Desenvolvimento continua no centro do ecossistema

O tecido tecnológico português continua assente em funções de desenvolvimento, com destaque para perfis de backend e fullstack.

A nível tecnológico, o ecossistema é claramente dominado pelo JavaScript, acompanhado por SQL e Python, enquanto plataformas cloud como AWS lideram a adopção.

Esta combinação reflecte uma forte orientação para aplicações escaláveis, baseadas em dados e integradas em ambientes cloud.

Inteligência artificial: adopção elevada, maturidade desigual

A IA está já integrada no dia a dia de grande parte dos profissionais: cerca de três quartos utilizam ferramentas de apoio à programação.

No entanto, a utilização ainda é, maioritariamente, operacional. Apenas uma minoria desenvolve ou integra soluções mais avançadas, revelando uma lacuna na maturidade técnica associada à IA.

As percepções são globalmente positivas — muitos profissionais reconhecem ganhos de produtividade — mas persistem preocupações, sobretudo relacionadas com a fiabilidade das ferramentas e com a segurança dos dados.

Flexibilidade torna-se factor decisivo

Os modelos de trabalho continuam em transformação. O regime remoto, especialmente em formato flexível, surge como o preferido pelos profissionais e é também o que apresenta níveis mais elevados de satisfação.

Apesar disso, parte das empresas tem vindo a incentivar o regresso ao escritório, criando um desalinhamento entre oferta e expectativas dos trabalhadores.

Este contexto contribui para um mercado altamente dinâmico: mais de metade dos profissionais está disponível ou aberto a mudar de emprego, reforçando o poder negocial do talento.

Salário não chega: o que pesa na escolha de emprego

Embora a remuneração continue a ser um factor relevante, outros elementos ganham peso nas decisões de carreira. Flexibilidade, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e benefícios como seguros de saúde ou tempo livre são altamente valorizados.

A percepção de progressão de carreira é, em geral, positiva, embora sem níveis elevados de entusiasmo, sugerindo margem para melhoria no desenvolvimento de percursos profissionais.

Um sector mais maduro e orientado para o futuro

O mercado tecnológico em Portugal está, assim, a entrar numa nova fase: menos marcada pelo crescimento rápido e mais focada na eficiência, na especialização e na adaptação à IA.

Para as empresas, o desafio passa por atrair e reter talento num contexto mais competitivo, em que a cultura organizacional, a flexibilidade e as oportunidades de desenvolvimento são tão importantes quanto o salário.

Para os profissionais, o caminho aponta para o reforço de competências, sobretudo nas áreas ligadas à inteligência artificial, e para uma maior selectividade na escolha de projectos.

Num ecossistema que se torna mais sofisticado, a capacidade de adaptação será o principal factor diferenciador dos próximos anos.

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