Merco Portugal: A reputação futura das empresas nos olhos do talento universitário

A forma como os estudantes percepcionam as empresas enquanto empregadoras está a tornar-se um indicador decisivo da reputação futura no mercado de trabalho.

O modo como os estudantes avaliam as empresas enquanto potenciais empregadoras está a ganhar um peso estratégico crescente na gestão de talento. Esse é o princípio que orienta o Merco Talento Universitário (MTU), um monitor especializado que analisa a atractividade das organizações junto de futuros profissionais do ensino universitário e da formação profissional superior. Ao captar expectativas, preferências e percepções ainda em formação, o estudo permite antecipar a reputação das empresas no mercado de trabalho, num momento em que as decisões de carreira se constroem cada vez mais cedo.

Vanessa Sequeira, country manager da Merco Portugal, explica que o MTU surge como uma ferramenta capaz de «compreender como se formam as preferências e expectativas do talento jovem relativamente às empresas enquanto empregadoras», oferecendo uma leitura avançada sobre a forma como as marcas empregadoras se posicionam junto de um dos seus principais stakeholders. A responsável sublinha que os resultados do MTU integram o Merco Talento, um estudo mais abrangente que acrescenta uma visão 360º da atractividade das empresas, ao incorporar a percepção de diferentes públicos ligados ao ecossistema de talento.

A primeira edição do Merco Talento em Portugal está prevista para 2026, permitindo uma leitura integrada e comparável da reputação das empresas ao longo de todo o ciclo de atracção, desenvolvimento e retenção de talento. Com duas décadas de edições em Espanha, o Merco Talento afirma-se como uma referência para empresas e decisores de Recursos Humanos, ao oferecer benchmarking sectorial e um overview global do mercado, com uma metodologia verificada de forma independente pela KPMG.

Um ranking que vai além da notoriedade da marca

De acordo com Vanessa Sequeira, o Ranking Merco Talento Universitário distingue-se de outros estudos de empregabilidade pela metodologia «rigorosa, independente e multistakeholder», que combina diferentes fontes de informação. O ranking gera uma classificação das 100 melhores empresas para trabalhar com base exclusivamente na avaliação dos estudantes, analisando não apenas preferências profissionais, mas também a forma como estes avaliam os seus estudos, os serviços de emprego das universidades, expectativas salariais e critérios de escolha das organizações enquanto empregadoras.

Este cruzamento de dados permite às empresas compreenderem como são vistas dentro do seu próprio sector e noutros, reforçando o valor do ranking como instrumento de apoio à decisão estratégica em Employer Branding. Para a responsável, o MTU reflecte a reputação das empresas como uma «percepção consolidada ao longo do tempo», indo muito além da simples notoriedade da marca. O estudo avalia a coerência entre o discurso das organizações e a experiência que transmitem, captando se são percepcionadas como empregadoras responsáveis, atractivas e credíveis.

Num contexto em que os jovens valorizam autenticidade e alinhamento entre valores, práticas e impacto real, esta leitura ganha especial relevância. Ainda assim, Vanessa Sequeira sublinha que o MTU analisa um público específico, razão pela qual o Merco Talento vem complementar esta abordagem, ao incorporar a visão de diferentes stakeholders e oferecer uma leitura mais completa da atractividade das empresas.

Entre os indicadores avaliados destacam-se factores como ambiente de trabalho, oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem, flexibilidade, autonomia, estabilidade, ética, propósito e contribuição social. Estes elementos reflectem expectativas claras dos jovens talentos, que privilegiam crescimento profissional, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, aprendizagem contínua e alinhamento com valores pessoais, mais do que a tradicional segurança do emprego.

Os últimos dados disponíveis, referentes a 2024, revelam que a atracção de talento jovem é fortemente influenciada pelas oportunidades de carreira e formação, pela cultura organizacional, pela reputação da liderança e pela flexibilidade, seja ao nível de horários, teletrabalho ou autonomia. O compromisso com sustentabilidade, diversidade e impacto social ganha igualmente relevância, enquanto o salário mantém importância, mas deixa de ser exclusivo, sendo valorizado em conjunto com qualidade de vida, desenvolvimento e propósito.

Sectores em destaque e novas expectativas de carreira

A primeira edição do MTU em Portugal foi realizada em 2024 e evidencia uma maior maturidade nas expectativas dos estudantes. Um salário médio inicial de cerca de 1.298 euros líquidos é considerado suficiente quando acompanhado por perspectivas de crescimento, o que confirma uma mudança estrutural na forma como os jovens avaliam propostas de emprego. Mantém-se a preferência por empresas multinacionais e por modelos de remuneração variável, autonomia e desenvolvimento profissional, mesmo em contextos de maior instabilidade económica. A flexibilidade, o teletrabalho e a qualidade de vida consolidam-se como factores determinantes na escolha das organizações.

No que diz respeito aos sectores, destacam-se tecnologia, consultoria, energia, grande consumo e serviços financeiros, sobretudo empresas que combinam inovação, dimensão internacional e investimento em talento. O ranking de 2024 é liderado por Microsoft, Google e Sonae, seguidas por Deloitte, Grupo Nabeiro, EDP, Nestlé, Super Bock Group, Santander e Galp. Para Vanessa Sequeira, estes resultados revelam um mercado competitivo, onde a capacidade de adaptação, aprendizagem contínua e exposição internacional são altamente valorizadas pelos futuros profissionais.

Factores como propósito, sustentabilidade, diversidade e inclusão assumem hoje um peso estrutural na escolha das empresas, sendo encarados como indicadores de responsabilidade e credibilidade. Os jovens procuram organizações com impacto positivo, ambientes inclusivos e um compromisso claro com o bem- -estar das pessoas e com o futuro, o que influencia directamente a atractividade enquanto empregadoras.

Para as empresas, o MTU funciona como um verdadeiro barómetro do mercado, permitindo situarem-se no contexto da atracção de talento e compreenderem o seu posicionamento face ao sector e a outras áreas relevantes. Vanessa Sequeira explica que esta leitura pública oferece uma primeira visão da percepção do talento jovem, mas é na análise aprofundada que o estudo acrescenta valor estratégico. A aquisição da informação detalhada permite aceder a resultados por dimensão e stakeholder, identificar factores críticos de atratividade, compreender expectativas, detectar gaps face ao mercado e definir prioridades de actuação. Esta informação confidencial transforma o ranking num instrumento accionável de apoio à decisão, essencial para orientar estratégias de Employer Branding, reputação e gestão de talento com base em dados sólidos e comparáveis.

Este artigo faz parte do Especial Conferência Employer Branding, promovida pela Talent Portugal, que foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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