Metade (49%) das empresas portuguesas disponibilizam planos de benefícios flexíveis aos colaboradores, enquanto 51% ainda não adoptaram este modelo de compensação. Os resultados são do inquérito “2026 Push Survey – Benefícios Flexíveis”, realizado pela Aon, empresa de serviços nas áreas de Risk Capital e Human Capital.
Num contexto marcado pela pressão sobre o poder de compra e pela crescente competição por talento, os benefícios flexíveis estão a assumir um papel cada vez mais relevante nas estratégias de compensação das empresas. Entre as empresas que já implementaram os planos de benefícios flexíveis, a adaptação do pacote retributivo às necessidades individuais dos colaboradores surge como o principal factor (76%), seguindo-se o aumento do rendimento líquido dos colaboradores com 70% das respostas.
Entre as empresas que já oferecem planos de benefícios flexíveis, os montantes anuais atribuídos aos colaboradores variam. O inquérito revela que 30% das organizações oferecem mais de 1500 euros por colaborador e 21% disponibilizam entre 1001 e 1500 euros para alocação a diferentes benefícios. Estes valores reflectem o papel crescente destes programas como complemento à remuneração, permitindo às organizações estruturar soluções de compensação adaptáveis às necessidades individuais.
Os dados mostram que os benefícios mais frequentemente incluídos nos planos flexíveis reflectem uma forte aposta ao apoio às famílias e ao desenvolvimento profissional. Existe uma diversidade de opções que permite às empresas adaptar os benefícios às diferentes necessidades e fases da vida dos colaboradores. Entre os mais utilizados estão os vales infância (87%), educação (76%), formação profissional (76%), tecnologia (72%), e planos de poupança reforma e cobertura de saúde para familiares, ambos com (57%).
A percepção das empresas relativamente ao impacto destes programas é amplamente positiva. De acordo com o inquérito, 95% das organizações consideram que os planos de benefícios flexíveis têm um impacto positivo ou muito positivo nos colaboradores.
Apesar da avaliação positiva, a implementação destes programas continua a enfrentar alguns desafios. A complexidade administrativa (59%) e o risco fiscal (53%) são apontados como os principais, seguidos pelos custos adicionais associados à gestão dos planos (31%).
Num contexto de transformação do mercado de trabalho, os benefícios flexíveis afirmam-se assim como um instrumento cada vez mais relevante nas estratégias de compensação das empresas, permitindo aumentar o valor percebido da remuneração total e responder de forma mais ajustada às diferentes necessidades dos colaboradores.
O inquérito “2026 Push Survey – Benefícios Flexíveis” foi realizado a 110 empresas em Portugal, de variados sectores de actividade, entre os quais tecnologia e telecomunicações, indústria e manufactura, saúde e ciências da vida, construção e imobiliário, entre outros. Em termos de dimensão, 28% das empresas participantes têm menos de 250 colaboradores, 42% têm entre 250 e 1000 colaboradores e 30% contam com mais de 1000 colaboradores.













