Microgestão? Sim. «A melhor liderança é a presença, não a ausência», afirma o CEO da Airbnb

Human Resources
20 de Janeiro 2025 | 09:40

O CEO da Airbnb, Brian Chesky, não tem receio de fazer double-check ao trabalho dos seus colaboradores, avança a Fortune.

Chesky começou há cerca de cinco anos a rever versões de todos os projectos do Airbnb, desde novas funcionalidades do site a anúncios de televisão. Alguns podem chamar a sua abordagem de microgestão, principalmente à escala do Airbnb, mas Chesky vê-se como alguém que define padrões para a empresa.

«Trata-se de uma mentalidade de que a grande liderança é presença, não ausência», afirma. «É preciso estar envolvido nos detalhes… É preciso, como CEO, definir não só a visão, mas o ritmo para a empresa. Agora revejo todo o trabalho antes de ser enviado.»

«Podes estar envolvido nos detalhes [com] as pessoas sem lhes dizer o que fazer, resolvendo os problemas com elas», acrescenta, referindo que agora só dá à maioria dos projectos uma única ronda de feedback.

Há cinco anos, o crescimento do Airbnb tinha abrandado e as despesas, principalmente custos tecnológicos e administrativos, estavam a aumentar. Os colaboradores sentiam-se como se estivessem a «trabalhar numa passadeira», dedicando «70 horas de esforço para obter 10 horas de [produtividade]», partilhou com a Fortune.

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Meses depois, quando a Airbnb se preparava para entrar em bolsa, a pandemia veio e destruiu cerca de 80% do negócio global da empresa, recorda. Determinado a sobreviver, Chesky começou a formar pessoalmente colaboradores e gestores, recém-chegados ou não, para que a empresa tivesse uma «consciência partilhada».

O free cash flow do Airbnb — normalmente visto como um indicador de rentabilidade e saúde empresarial — cresceu para 3,4 mil milhões de dólares em 2023, face aos 97,3 milhões de dólares em 2019.

As nuances da microgestão

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Regra, os colaboradores são inicialmente resistentes ao envolvimento de um gestor, disse Chesky, porque a estratégia “contradiz” a suposição de que, se contratar colaboradores excelentes, deve deixá-los fazer o seu trabalho sozinhos.

Em vez disso, Chesky comparou a estratégia a treinar o seu swing de golfe com um treinador: aprende-se com um especialista, sem inadvertidamente desenvolver maus hábitos quando se aprende sozinho. «Mesmo que [o trabalhador] saiba mais do que tu sobre a sua função, não sabe mais do que tu sobre a empresa, os seus padrões ou o seu ritmo», explicou.

A recompensa pelo trabalho extra de Chesky é a eficiência. Inicialmente, trabalhava até 100 horas por semana para reconstruir os processos da Airbnb, mas agora tem mais tempo livre porque a empresa tem menos reuniões sobre temas que correram mal.

«Se não [entrares nos detalhes], acabas por ter líderes que não terão sucesso. Têm receio de vir ter contigo. Envolves-te mais tarde e minas a confiança deles… Acabas por ter 10 equipas diferentes, ou 100 equipas diferentes a ir em 100 direcções diferentes.»

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