Microsoft junta universidades e sociedades de advogados para acelerar IA no sector jurídico

A Microsoft Portugal promoveu o Hackathon AI x Justice, que reuniu cerca de 35 estudantes universitários da área do Direito, sociedades de advogados e especialistas da Microsoft, com o objectivo de capacitar talento em Inteligência Artificial e tecnologia aplicada ao sector jurídico em Portugal.

Margarida Lopes
23 de Junho 2026 | 14:40

A iniciativa contou com a participação de estudantes da Universidade Católica Portuguesa, da NOVA School of Law, e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, bem como de sociedades de advogados, nomeadamente Gomez Acebo Pombo, CCA, PLMJ e Cuatrecasas. Ao longo de um dia de trabalho, o hackathon aproximou a academia, prática jurídica e tecnologia, combinando aprendizagem prática, experimentação e cocriação de soluções. De acordo com Laura Fauqueur, Founder da Legal Shake “o que mais me entusiasma é o facto de reunir pessoas tão diversas para pensar em como resolver desafios reais. O sector jurídico em Portugal tem muito a resolver, e é aí que a IA entra em cena, porque faz todo o sentido utilizá-la para apoiar o sistema”.

Este hackathon insere-se na estratégia da Microsoft de capacitação em Inteligência Artificial aplicada e de apoio à transformação do sector jurídico, visando reforçar a capacidade das equipas para lidar com o volume de informação, complexidade normativa e exigência de rigor — libertando tempo de tarefas repetitivas e elevando a qualidade do trabalho com tecnologia confiável e segura.

Segundo Juan Carretero Sánchez, Legal and External Affairs lead na Microsoft Portugal, «o desafio raramente é a falta de informação ou de competência; é garantir que o conhecimento circula, é reutilizável e chega a tempo de suportar boas decisões». Em muitas organizações jurídicas, pareceres, análises e enquadramento regulatório permanecem em silos, o que pode conduzir à duplicação de trabalho e à perda de conhecimento crítico.

Este desafio cruza‑se com fragilidades estruturais do sistema judicial português, sobretudo na justiça administrativa e fiscal. Assim, a Microsoft acredita que a IA pode desempenhar um papel relevante na modernização do setor jurídico, quando aplicada de forma responsável e com supervisão humana. Ao apoiar o trabalho diário, pode melhorar a consistência e transformar informação dispersa em conhecimento acionável, contribuindo para melhores decisões e para serviços jurídicos mais eficientes sem substituir o julgamento humano. Contudo, a sua integração num setor tradicional exige literacia digital e uso responsável, e o desafio central é capacitar os profissionais do Direito para tirarem partido da tecnologia, conhecendo os seus limites.

Durante o hackathon, equipas multidisciplinares trabalharam desafios do setor jurídico da eficiência operacional ao apoio à decisão — explorando como a IA pode ser aplicada para desenhar protótipos com foco em impacto, aplicabilidade real e confiança. No final do dia, as equipas apresentaram protótipos de soluções desenvolvidas com recurso à tecnologia, contribuindo para um diálogo mais informado sobre adoção de IA no setor.

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António Mota Pinto, estudante da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e participante no Hackaton, refere que «é iminente que a IA venha a desempenhar um papel importante na assistência aos aspetos judiciais do próprio sistema. É por isso que é importante que, neste hackaton, possamos usar novas soluções para problemas que já existem há algum tempo.»

Já Inês Silveira, participante no Hackaton e estudante da Nova School of Law, destaca, «gosto de aproveitar todas as oportunidades que tenho para aplicar os meus conhecimentos a situações da vida real. A IA está a crescer cada vez mais e o setor jurídico não é exceção. Se os escritórios de advogados e até as empresas não começarem a incorporar a IA nas suas práticas jurídicas, vão ficar para trás».

Todas as soluções desenvolvidas durante o hackathon serão enquadradas pelos princípios de IA responsável da Microsoft, incorporando desde o início preocupações de segurança, privacidade, transparência e supervisão humana.

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