“Minimalismo de carreira”: preguiça ou uma nova forma de trabalhar?

Human Resources com Lusa
26 de Setembro 2025 | 09:10

Evita responsabilidades adicionais no escritório, não tem vontade de progredir para cargos de gestão e prioriza o seu horário de trabalho? Se sim, pode ser um minimalista de carreira, revela a Fast Company.

De acordo com um relatório de Agosto da Glassdoor, “minimalismo de carreira” é a mais recente tendência para descrever a atitude da Geração Z em relação ao trabalho.

O minimalismo é um estilo de vida que se foca no essencial, dispensando o supérfluo. Esta existência simples e organizada prioriza o fundamental — como as relações, as paixões e o crescimento pessoal — em detrimento dos bens materiais. Há quem diga que o mesmo princípio pode ser aplicado ao trabalho.

Em vez de procurar cargos vistosos e assumir responsabilidades adicionais sem remuneração extra, muitos profissionais da Geração Z estão a simplificar as suas carreiras e a guardar as verdadeiras paixões e ambições para o horário pós-laboral. Chris Martin, investigador principal da Glassdoor, disse à Fast Company que por trás desta estratégia está uma “mudança de perspectiva”.

«Trata-se de uma mudança consciente, afastando-se da dependência excessiva de um só empregador, com a definição de limites mais firmes, de alternativas de realização profissional e um portefólio de potenciais fontes de rendimento em prol da estabilidade financeira. A Geração Z não está a rejeitar o trabalho. Está a rejeitar uma versão ultrapassada do trabalho que lhe foi imposta», explica Martin.

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A definição de sucesso profissional mudou — afastando-se da cultura de correria e do trabalho árduo que marcaram as experiências de inúmeros Millennials, levando muitos deles ao burnout.

Hoje, à medida que os jovens trabalhadores entram num campo minado de despedimentos em massa, IA e instabilidade económica, a sua resposta não é trabalhar mais ou andar atrás de uma promoção. De acordo com o inquérito da Glassdoor, 68% afirmam que evitariam activamente assumir uma função de gestão.

Aqui reside uma clara distinção em relação às ambições de carreira das gerações anteriores, que ainda viam a liderança como um objectivo em si mesmo.

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«A carreira tradicional prometia aos trabalhadores pensões, estabilidade e indicadores de prestígio como recompensa pelo compromisso a longo prazo. As últimas gerações de trabalhadores viram estas promessas quebradas ou ignoradas, e a visão da Geração Z mudou por causa disso», disse Martin.

«Para muitos jovens trabalhadores, a oferta de um cargo de gestão sem aumento salarial soa a uma despromoção: mais responsabilidade sem qualquer benefício. A sua ideia de sucesso está mais intimamente ligada ao equilíbrio e à segurança financeira», acrescentou.

Isto não quer dizer que a Geração Z não seja ambiciosa. Apesar de serem apelidados de minimalistas de carreira, 57% dos colaboradores da Geração Z têm pelo menos um segundo emprego, em comparação com 48% dos millennials, 31% da Geração X e 21% dos baby Boomers, segundo a Glassdoor.

O minimalismo profissional da Geração Z resume-se a manter as coisas simples no trabalho diário — aquilo que permite pagar as contas e oferece segurança — e a investir tempo e energia em verdadeiras paixões fora do escritório.

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