MIT. Trabalhar sem emprego: a necessidade de desconstruir a noção de trabalhador como titular de um emprego

Human Resources
5 de Abril 2021 | 10:35
MIT. Trabalhar sem emprego: a necessidade de desconstruir a noção de trabalhador como titular de um emprego

O mundo do trabalho em rápida evolução exige um sistema operacional fundamentalmente diferente daquele que foi feito para a Segunda Revolução Industrial, com o trabalho definido como “empregos” e os trabalhadores definidos como “empregados que mantêm um emprego”.

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Por Ravin Jesuthasan e John Boudreau, MIT Sloan Management Review

 

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Os líderes precisam de um novo sistema operacional para o trabalho – um que suporte melhor o elevado grau de agilidade organizacional necessário para prosperar no meio de mudanças e disrupções cada vez mais rápidas, e que reflicta melhor a fluidez do trabalho moderno e as disposições laborais.

Nos nossos dois últimos livros, defendemos que este novo sistema deve permitir aos líderes e colaboradores desconstruírem cada vez mais – e continuamente – postos de trabalho em unidades mais granulares, tais como tarefas, e que deve identificar e destacar colaboradores com base nas suas competências e capacidades, e não nas descrições das suas funções. A desconstrução do trabalho é essencial para implementar novas opções de fornecimento, para recompensar e envolver os trabalhadores, e para compreender e antecipar como a automação pode substituir, aumentar, ou reinventar o trabalho humano.

A rápida evolução do trabalho está a tornar cada vez mais urgente para líderes, trabalhadores, organizações e sociedade dominarem o trabalho desconstruído. Estas mudanças foram aceleradas pelas respostas à pandemia da COVID-19, o que sublinhou a importância crucial de permitir agilidade e flexibilidade.

 

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Desconstruir empregos e trabalhadores
As organizações são travadas pela obsolescência e inércia obstinada de um sistema operacional de trabalho tradicional que foi feito para a Segunda Revolução Industrial, com o trabalho definido como “empregos” e os trabalhadores definidos como “empregados que mantêm um emprego”. A inadequação desse sistema herdado foi há muito reconhecida, como por exemplo no artigo da Fortune de 1994 “The End of the Job”, de William Bridges. A sua persistência é um dos principais obstáculos para gerir com sucesso desafios como a digitalização, a automatização do trabalho, as condições laborais alternativas, a equidade económica e social global e o futuro da educação e da aprendizagem.

Apesar de décadas de pesquisas que examinaram os elementos dos empregos, e apesar de sistemas de longa data (como O*Net) que ajudaram a combinar esses elementos em apoio à concepção do trabalho, a maioria dos sistemas de trabalho organizacional continuam a ser construídos a partir da noção do trabalho como um “emprego” e dos trabalhadores como “detentores de emprego”.

O que é que acontece quando uma organização tenta digitalizar, automatizar, ou implementar condições laborais alternativas? Se o trabalho está vinculado a um emprego, e o trabalhador está vinculado como titular de um emprego, então as suas opções são limitadas, e muitas soluções são obscuras. Igualmente obscuras são as lacunas de competências específicas, porque tentar fazer corresponder um trabalho a um titular de emprego obscurece a relação entre a mudança de trabalho e as competências específicas daqueles que podem realizar o trabalho.

 

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A desconstrução é essencial para a agilidade organizacional
Como é que as organizações, os trabalhadores e as sociedades se articulam a partir deste sistema operativo de trabalho antigo? O princípio da agilidade motiva esta mudança e revela como implementá-la.

A noção de processos ágeis está bem estabelecida na área do desenvolvimento de software. Está a substituir o sistema antigo da abordagem em cascata, que exige que cada fase de desenvolvimento de software seja terminada e depois enviada “pela cascata” para a fase seguinte, com poucas oportunidades de recuar para as fases anteriores. A abordagem ágil, em contraste, aborda um projecto como uma colaboração simultânea entre as diferentes fases, com o software a ser continuamente testado consoante os comportamentos e requisitos dos utilizadores, e versões actualizadas a serem lançadas numa base contínua.

Muitas organizações adoptaram a metodologia ágil para transformar as suas mentalidades e processos de trabalho para além do desenvolvimento de software, guiadas pelos valores centrais do ágil. Estes dão prioridade aos indivíduos e às interacções e não aos processos e ferramentas, à colaboração do cliente e não à negociação de contratos, e à resposta à mudança e não ao seguimento de um plano.

Estes princípios são particularmente vitais para a passagem para o novo sistema operativo de trabalho, no entanto, a reformulação de processos ágeis por si só não pode ultrapassar os constrangimentos impostos pelas formas tradicionais de pensar sobre os empregos. Uma grande organização de bens de consumo implementou o ágil, mas apesar da sua abordagem fundamentada de redesenhar os seus processos e mesmo de requalificar os seus colaboradores, a empresa enfrentou grandes dificuldades para conseguir que os seus colaboradores se juntassem – para trabalharem colectivamente e para se envolverem activamente em desafios que abrangiam cargos ou departamentos.

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Por exemplo, as queixas de clientes recebidas pelos funcionários do call center revelaram melhorias necessárias nos produtos que poderiam ser implementadas pelos designers/desenvolvedores de produtos. A estrutura ágil do processo revelou uma solução óbvia: os representantes do centro de atendimento telefónico e os designers/desenvolvedores iriam juntar-se a este desafio, trabalhando em conjunto para o enfrentar.

Contudo, na realidade, os representantes do centro de atendimento telefónico que recebiam as reclamações dos clientes não consideravam como seu trabalho transmitir feedback aos designers/desenvolvedores de produtos. Da mesma forma, os designers/desenvolvedores de produtos não consideravam como seu trabalho perguntar aos funcionários do centro de atendimento telefónico sobre reclamações de clientes ou ouvi-los para aprenderem com as suas experiências.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Março (nº.123) da Human Resources.

Caso prefira comprar online, está disponível em versão papel e versão digital.

 

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