Na MSD, os benefícios evoluem com as pessoas, combinando flexibilidade, bem-estar e desenvolvimento para responder às diferentes fases da vida.
Os benefícios oferecidos pelas empresas têm vindo a ganhar cada vez mais importância, tanto na relação com os colaboradores como na capacidade de atrair e reter talento. Para além da componente salarial, questões como a saúde e o bem-estar são hoje bastante valorizadas e podem fazer a diferença na experiência dos profissionais no dia a dia.
Em entrevista à Human Resources, Filipa Figueira, Portugal HR lead da MSD Portugal, explica de que forma a empresa procura responder às diferentes necessidades dos seus colaboradores. Entre as iniciativas e programas em vigor encontram-se soluções nas áreas do bem-estar, saúde, família e desenvolvimento, que contribuem para reforçar a proposta de valor da MSD e manter uma oferta competitiva e alinhada com as expectativas do mercado.
Atualmente, o conceito de benefícios está a evoluir para uma visão mais abrangente do bem-estar dos colaboradores. Como é que a MSD define a sua estratégia de benefícios e que princípios orientam essa abordagem?
Na MSD, encaramos os benefícios como parte integrante da experiência do colaborador e de uma estratégia abrangente de bem-estar. A nossa abordagem assenta numa visão holística, que contempla as dimensões física, emocional, financeira e social, procurando apoiar as pessoas de forma equilibrada e sustentável.
Esta visão está diretamente ligada à flexibilidade e à autonomia. Por isso, procuramos disponibilizar soluções que permitam a cada colaborador construir uma experiência mais ajustada às suas necessidades, promovendo simultaneamente um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal. No fundo, o nosso objetivo é criar uma proposta de valor relevante, capaz de acompanhar a diversidade de realidades existentes na organização e reforçar uma cultura verdadeiramente centrada nas pessoas.
De que forma procuram garantir que os benefícios disponibilizados respondem às diferentes necessidades dos colaboradores, tendo em conta as várias fases da vida e da carreira?
O ponto de partida é reconhecer que as necessidades das pessoas não são estáticas. O que um colaborador valoriza no início da carreira pode ser muito diferente daquilo que procura mais tarde, quando constitui família, assume novas responsabilidades pessoais ou profissionais, ou se aproxima da reforma.
Por isso, evitamos uma abordagem única e indiferenciada e apostamos num plano de benefícios flexível, que permite a cada colaborador escolher as opções mais adequadas ao seu momento de vida, seja no apoio à educação e formação, infância e família, saúde ou outras prioridades.
Procuramos acompanhar as diferentes fases da vida e da carreira através de uma proposta abrangente, que inclui flexibilidade no trabalho, apoio ao bem-estar emocional através do Lyra, com consultas de psicologia para o colaborador e a sua família e recursos de apoio à saúde mental, literacia financeira, plano de pensões, iniciativas de desenvolvimento e oportunidades de crescimento interno.
Além disso, ouvimos regularmente os nossos colaboradores através de questionários internos e diferentes momentos de feedback, porque acreditamos que os benefícios só criam valor quando respondem ao que as pessoas efetivamente valorizam.
A MSD integra a iniciativa Working with Cancer Pledge. O que motivou esta decisão e que significado tem esta adesão para a organização?
A adesão ao Working with Cancer Pledge surgiu de um alinhamento natural com o propósito da MSD: melhorar e salvar vidas. Trabalhamos diariamente para desenvolver soluções com impacto na saúde das pessoas e acreditamos que esse compromisso deve refletir-se também na experiência dos nossos colaboradores.
Temos reforçado a convicção de que aquilo que promovemos externamente deve começar por existir dentro da própria organização. Foi precisamente essa visão que nos levou a reforçar iniciativas ligadas à prevenção e à literacia em saúde, incluindo o nosso programa Cancer Pledge, com foco na vacinação contra o HPV e no acesso a rastreios oncológicos.
Ao aderirmos ao Working with Cancer Pledge reforçamos o nosso compromisso com uma cultura de apoio, empatia e inclusão, garantindo que as pessoas se sentem acompanhadas e reforçando, ao mesmo tempo, a importância da prevenção e do diagnóstico.
Na prática, de que forma esta iniciativa se traduz em apoio aos colaboradores que enfrentam um diagnóstico de cancro, tanto durante o tratamento como no regresso ao trabalho?
Na prática, esta iniciativa traduz-se, antes de mais, num compromisso de olhar para cada caso de forma individual. Não acreditamos em soluções únicas para situações desta natureza, por isso, privilegiamos uma abordagem flexível e adaptada às necessidades de cada colaborador.
Isso significa promover um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para falar sobre a sua situação, contar com o apoio das suas chefias e da equipa de RH, e encontrar soluções que permitam gerir este período com a maior segurança e flexibilidade possíveis.
Considera que iniciativas como o Working with Cancer Pledge representam uma nova geração de benefícios, mais centrados nas necessidades humanas do que na componente exclusivamente financeira?
Sim, sem dúvida. Hoje, os colaboradores valorizam cada vez mais o apoio que recebem nos momentos mais determinantes das suas vidas e das suas famílias. Iniciativas como o Working with Cancer Pledge refletem essa evolução e traduzem uma abordagem mais humana, centrada na saúde, na prevenção, no bem-estar e no apoio às pessoas em diferentes fases da vida.
Na MSD, acreditamos que os benefícios com maior impacto são aqueles que conseguem responder às necessidades reais das pessoas e contribuir para uma experiência de trabalho mais positiva, próxima e sustentável.
Até que ponto benefícios alinhados com a missão e os valores da empresa têm impacto na experiência do colaborador e no seu sentimento de pertença?
Têm um impacto muito significativo. Quando trabalhamos numa empresa como a MSD, com a missão de melhorar e salvar vidas, é fundamental que aquilo que promovemos junto da sociedade se reflita também na forma como cuidamos das nossas pessoas. Os benefícios têm um papel importante porque transformam o nosso propósito em ações concretas para os colaboradores. Quando existe este alinhamento, as pessoas sentem-se mais ligadas à cultura, mais identificadas com a missão e desenvolvem um maior sentimento de pertença. Na MSD, procuramos que temas como a saúde, o bem-estar, a prevenção e o impacto na comunidade façam parte da experiência dos colaboradores, em coerência com a nossa missão.
A MSD apresenta uma proposta de Total Rewards, que combina remuneração, benefícios, desenvolvimento profissional e bem-estar. Como é que estas diferentes dimensões se complementam para criar uma proposta de valor consistente para os colaboradores?
Vemos o Total Rewards como uma proposta integrada e centrada nas pessoas. Esta abordagem assenta em três dimensões – live, earn e grow – que refletem a forma como encaramos a experiência dos nossos colaboradores.
Na dimensão live, queremos que os nossos colaboradores tenham os recursos necessários para que cuidem do seu bem-estar, através de benefícios, iniciativas de bem-estar, flexibilidade e apoio às diferentes fases da vida. Na dimensão earn, procuramos reconhecer o seu contributo através de uma remuneração competitiva, incentivos e programas de reconhecimento. Na dimensão grow, criamos oportunidades para que possam crescer através do desenvolvimento contínuo, da aprendizagem e da construção do seu percurso de carreira.
É a combinação destas três dimensões que torna a nossa proposta de valor consistente. Não olhamos para compensação, benefícios, desenvolvimento e bem-estar de forma isolada, mas como sendo elementos complementares que contribuem para uma experiência mais coerente, integrada e valorizada pelos colaboradores.
Que papel desempenham os programas de reconhecimento na motivação e no engagement das equipas? Existem iniciativas que distingam colaboradores pelo seu contributo e alinhamento com a cultura da empresa?
O reconhecimento desempenha um papel essencial na motivação, no envolvimento e no reforço da nossa cultura. Um dos principais exemplos é o programa INSPIRE.
O INSPIRE permite promover uma cultura de reconhecimento contínuo, permitindo aos colaboradores reconhecer os colegas por contributos alinhados com os nossos valores.
Além de reconhecer resultados e iniciativas que refletem a nossa cultura, o programa permite também celebrar momentos importantes da carreira, como novas funções, desenvolvimento de competências ou marcos de antiguidade. É, por isso, uma forma de reconhecer, recompensar e celebrar o impacto individual e coletivo dentro da organização.
Num mercado altamente competitivo na atração de talento, até que ponto os candidatos valorizam hoje benefícios relacionados com saúde, flexibilidade e apoio em momentos particularmente exigentes da vida?
Cada vez mais. Hoje, os candidatos avaliam uma oportunidade de forma muito mais abrangente, indo além da componente financeira. Benefícios relacionados com a saúde, o bem-estar, a flexibilidade e o apoio em momentos mais exigentes da vida têm assumido um peso crescente na decisão de aceitar uma proposta e, mais tarde, de permanecer na organização. Esta valorização reflete também a diversidade crescente do mercado de trabalho, onde diferentes pessoas, em diferentes fases da vida, procuram formas de apoio distintas.
Na nossa experiência, os candidatos procuram cada vez mais organizações que demonstrem uma preocupação genuína com a pessoa para além da sua função. A possibilidade de conciliar vida pessoal e profissional, ter acesso a apoio na área da saúde física e emocional, beneficiar de maior flexibilidade e contar com recursos que apoiem diferentes momentos da vida tornou-se um fator diferenciador.
Como equilibram a necessidade de oferecer benefícios competitivos com a personalização da experiência dos colaboradores?
Encontrar esse equilíbrio é precisamente um dos maiores desafios na gestão de benefícios. Por um lado, é essencial garantir uma proposta competitiva e alinhada com as tendências e expectativas do mercado. Por outro, sabemos que o que é valorizado por uma pessoa pode não ter a mesma importância para outra.
Na MSD, respondemos a esta realidade através de um plano de benefícios flexíveis que oferece maior liberdade de escolha dentro de um conjunto abrangente de opções. Acreditamos que o papel da organização não é decidir o que é mais importante para cada colaborador, mas criar condições para que cada pessoa possa fazer escolhas alinhadas com as suas prioridades.
Que indicadores utilizam para avaliar o impacto da estratégia de benefícios e de reconhecimento na retenção, satisfação e compromisso das equipas?
Procuramos avaliar regularmente se a nossa proposta continua alinhada com as necessidades, expectativas e prioridades dos colaboradores. Para isso, recorremos a diferentes mecanismos, como o acompanhamento dos resultados dos nossos questionários internos, nos quais analisamos indicadores relacionados com engagement, grau de satisfação face à compensação e aos benefícios, sentimento de pertença e intenção de permanência na organização.
Complementamos essa informação com feedback recolhido de forma mais informal e com indicadores específicos, como a monitorização das métricas de retenção e turnover. Apesar de termos uma taxa de saída baixa, quando um colaborador decide sair da organização, procuramos compreender os motivos através das entrevistas de saída, incluindo o eventual peso da proposta de compensação e benefícios, bem como de outros aspetos da experiência enquanto colaborador, nessa decisão.
Que tendências acredita que irão marcar a evolução dos benefícios flexíveis e dos programas de rewards & recognition, e como pretende a MSD posicionar-se nesse futuro?
Os benefícios flexíveis e os programas de rewards & recognition deverão evoluir de modelos relativamente estandardizados para experiências cada vez mais personalizadas, suportadas por tecnologia e uma compreensão mais profunda das necessidades de cada colaborador. As novas formas de trabalho, a convivência de múltiplas gerações e o aumento da longevidade irão acelerar esta transformação. As organizações terão de responder a necessidades diversas, acompanhando as diferentes fases da vida e da carreira de forma mais flexível e individualizada.
Na MSD, queremos continuar a acompanhar esta evolução, ouvindo os nossos colaboradores, antecipando tendências, assim como desenvolvendo soluções que tornem a nossa proposta de valor cada vez mais relevante, humana e personalizada.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Benefícios Flexíveis” da edição de Setembro (n.º 189) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.
Nota: Os especiais são escritos segundo as regras do actual acordo ortográfico.

















