Mulheres empresárias foram (desproporcionalmente) afectadas negativamente pela pandemia

As mulheres empresárias foram desproporcionalmente afectadas pela pandemia COVID-19 em todo o mundo, com 87% a afirmarem ter sido atingidas negativamente. As conclusões são do relatório Mastercard Index of Women Entrepreneurs (MIWE) 2020.

 

Entre os factores que deixaram as mulheres particularmente vulneráveis neste período estão a forte representação das mulheres nos sectores mais impactados pela desaceleração económica, o pronunciado fosso digital em termos de género, num mundo cada vez mais virtual, e as pressões crescentes das responsabilidades no cuidado das crianças.

Portugal ocupava, em 2019, a 13.ª posição do ranking global do MIWE. Em ano de pandemia, as mulheres portuguesas tiveram menos oportunidades de evoluir no mundo dos negócios, colocando o país na 19ª posição, atrás de economias como Israel, Suíça, Polónia, Reino Unido, Suécia, Espanha, Irlanda e França, que apresentaram uma melhoria geral, excetuando a Irlanda que apesar da boa classificação desceu oito posições desde o ano passado.

Entre os países europeus que constam do ranking apenas Portugal, Irlanda, Dinamarca, Bélgica, Roménia e Turquia perdem posições, sendo o cenário global europeu bastante positivo.

No entanto, em Portugal o governo deu passos positivos ao introduzir o direito à licença parcial remunerada para pais com filhos abaixo de uma certa idade.

Pela primeira vez na história deste Índice, Israel lidera as tabelas como melhor país para mulheres empresárias em todo o mundo.

Da mesma forma, a Suíça passa da 11ª posição em 2019, para a 3ª este ano impulsionada pelo forte apoio liderado pelo Governo às PME – mais 37% do que em 2019 -, e pela consequente subida das perceções culturais do empreendedorismo (mais 45% do que em 2019).

 

COVID-19 provoca retrocessos, mas também cria oportunidades
O Índice da Mastercard de Mulheres Empresárias 2020 fornece uma análise inicial sobre o impacto da COVID-19 no trabalho das mulheres e apresenta políticas de apoio. Embora diferindo de país para país, as que se revelam mais eficazes incluem medidas de alívio para as PME – desde subsídios salariais, regimes de licenças, limites máximos de contribuições até resgates fiscais –, bem como o apoio do estado aos cuidados prestados às crianças.

O relatório também apresenta uma perspectiva optimista para o futuro das mulheres empresárias, indicando que a pandemia pode revelar-se um catalisador para o progresso exponencial das mulheres nas empresas e uma oportunidade para corrigir o preconceito inerente ao género, caso os decisores apoiem iniciativas específicas neste domínio. O relatório baseia-se em vários pontos para ilustrar esta afirmação, nomeadamente:

· A era COVID-19 apresenta uma narrativa de empoderamento e destacou a capacidade das mulheres para liderarem em circunstâncias extraordinárias. Líderes mundiais femininas como a primeira-ministra Jacinda Ardern da Nova Zelândia, a Chanceler Angela Merkel da Alemanha e a primeira-Ministra Sanna Marin da Finlândia presidiram a alguns dos esforços mais bem-sucedidos para conter a Covid-19, ao mesmo tempo que incutiram ordem, segurança, confiança e calma.

· As mulheres já estão a demonstrar uma forte adaptabilidade nos negócios, apesar das múltiplas barreiras ao sucesso.

· O “próximo normal” apresenta uma oportunidade única para eliminar as barreiras existentes, impulsionando uma maior participação de género e paridade para as mulheres nos negócios. Apesar de aumentar várias vezes as muitas disparidades que as mulheres enfrentam nos negócios – desde a diferenças de género ao nível da inclusão digital e financeira – a pandemia também tem estimulado o progresso estrutural. Por exemplo, antes da pandemia, a disparidade financeira global de género manteve-se inalterada durante quase uma década. No entanto, a Covid-19 impulsionou progressos nesta área – com o governo do Reino Unido a criar contas bancárias para mais de 1,2 milhões de pessoas em apenas dois dias, no auge da pandemia, e mais de 11 milhões de trabalhadores informais no Brasil a concorrer a fundos governamentais de emergência.

O relatório refere que as implicações destas observações são profundas e demonstra o valor inexplorado das mulheres enquanto líderes, destacando, de forma crítica, o papel da pandemia na aceleração das soluções progressistas. Alavancar o impulso e defender iniciativas específicas de género será fundamental para reconhecer o potencial das mulheres e evitar perdas no valor de 172 mil milhões de dólares como acontece globalmente (Banco Mundial) devido às diferenças nos ganhos de uma vida entre mulheres e homens.

Através do Índice da Mastercard de Mulheres Empresárias 2020, a Mastercard compromete-se a fornecer uma base de informação que permita aos governos, empresas e indivíduos tomar medidas decisivas na implementação de apoio específico ao género, resultando numa maior paridade de género no mundo do trabalho.

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