Mulheres líderes sub-representadas nas conversas sociais com 25% das mensagens. Portugal está abaixo da média global

Margarida Lopes
12 de Março 2022 | 17:00

As mulheres líderes estão subrepresentadas nas conversas digitais. O relatório “Mulheres líderes no limiar da visibilidade. Análise das conversas digitais sobre mulheres líderes na política, negócios e jornalismo”, elaborado pela LLYC revela que apenas 25% das mensagens se referem a mulheres. 

 

De acordo o relatório, as líderes femininas são muito menos citadas do que os seus colegas masculinos, com apenas un em cada quatro mensagens (25,76%) referentes a elas, e com uma leitura inversa, podemos ver que os líderes masculinos são três vezes mais representados do que os seus homólogos femininos.

A situação é pior em países como Portugal (17,1%), os Estados Unidos (18,3%) e o Equador (19,5%), que estão bem abaixo da média. Contudo, há uma presença igual no Peru (50,6%) e no Panamá (47,2%), e a República Dominicana destaca-se excecionalmente, com 71,5% das mensagens transmitidas sobre as mulheres.

Dos três sectores analisados, a política representa 70% do total das conversas, a iniciativa privada 26% e o jornalismo 3%. Porém, as mulheres empresárias são quase inexistentes nestas conversas, em cada 20 mensagens sobre negócios, apenas uma é dirigida a mulheres (5%) e em cada 100 mensagens sobre líderes, apenas uma é dirigida a mulheres empresárias (1%).

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Nos Estados Unidos, a ausência de mulheres visíveis à frente das empresas tecnológicas, que geram um volume muito elevado de conversas, produz uma diferença abismal: 98% das conversas de cerca de 20 líderes empresariais ocorre em torno dos 10 que são homens. E embora a média para a América Latina também seja baixa (9% das citações sobre empresas), a situação é ainda pior em países como o Chile, Colômbia e México (1%).

O Peru encarna uma excepção e as percentagens são invertidas. Apenas 17,9% das conversas sobre líderes empresariais são sobre homens, provavelmente devido à elevada actividade no Twitter das empresárias analisadas. Entretanto, Espanha, Portugal e a República Dominicana estão na faixa dos 75-80% das conversas de negócios dedicadas aos homens. E o único país com conversas equilibradas é o Panamá (50,4% das mulheres empresárias).

O relatório estuda as diferenças na atenção prestada às mulheres, especialmente no tom e conteúdo das conversas geradas à sua volta, em comparação com os homens. Para isso, a equipa de Deep Digital Business da LLYC usou técnicas de PLN (Processamento de Linguagem Natural) para processar 11,5 milhões de mensagens publicadas no Twitter durante um ano (1/2/21 – 31/1/22), compreendendo quase 70 milhões de palavras e análise de sentimentos para avaliação qualitativa.

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Para realizar o relatório, foram estudadas conversas no Twitter, durante um ano, em perfis de 360 homens e 360 mulheres líderes em 12 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, México, Panamá, Peru, Portugal e República Dominicana).

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