Multinacionais em Portugal pagam salários 61% mais elevados e têm maior produtividade

Human Resources com Lusa
26 de Maio 2025 | 08:10

Os salários pagos pelas empresas multinacionais em Portugal são 61% mais altos que os das outras empresas, apresentando maior produtividade e receitas por trabalhador, segundo um artigo de economistas do Banco de Portugal (BdP).

 

«Em média, as EMN [empresas multinacionais] pagam salários médios quase 61% mais elevados e são cerca de 57% mais produtivas, com base na produtividade do trabalho, e 65% recorrendo à receita por trabalhador», referem os autores do artigo.

As conclusões constam no artigo “Alguns factos estilizados sobre as empresas multinacionais a operar em Portugal”, presente na Revista de Estudos Económicos, Vol. XI, n.º 2 e recuperado pelo BdP na sua rubrica “economia numa imagem”.

No artigo, os autores Ana Cristina Soares e Tiago Serrano debruçam-se sobre o período entre 2014 e 2022 e registam que as empresas multinacionais eram, nestes anos, 3% das empresas a operar em Portugal, sendo que duas em cada três destas eram estrangeiras.

Continue a ler após a publicidade

No quadro das nacionalidades, Espanha, França e Alemanha destacaram-se como as mais presentes entre as estrangeiras – «tanto em termos de número de empresas, como em termos de receita correspondente».

Os autores acrescentam que o número destas empresas em Portugal «tem vindo a aumentar sistematicamente ao longo deste período, em termos absolutos e relativos» e que as multinacionais estão «relativamente mais presentes» em sectores económicos específicos, nomeadamente indústria transformadora, electricidade, água e transportes e outros serviços.

Não obstante o relativo baixo número de multinacionais em Portugal, Soares e Serrano assinalam que estas «representam uma parte desproporcional da actividade económica» e são um importante elemento nos fluxos comerciais internacionais.

Continue a ler após a publicidade

Os autores apontam que mais de 60% das exportações, cerca de 60% das importações, 50% da receita, 40% da massa salarial e 30% do emprego estão dependentes de multinacionais.

Quanto à produtividade, medida como o valor acrescentado bruto, os resultados sugerem que as multinacionais «são mais produtivas e pagam salários médios mais elevados» que as não multinacionais.

Segundo os dados apresentados, as multinacionais portuguesas são cerca de 39% mais produtivas que as não multinacionais, uma vantagem que aumenta para 65% quando a comparação é entre multinacionais estrangeiras e não multinacionais.

Quanto à receita por trabalhador, as multinacionais portuguesas «são mais produtivas do que as não-EMN em mais de 49%, mas as EMN estrangeiras são mais de 73% mais produtivas do que as não-EMN».

«O estudo mostra que as EMNs [empresas multinacionais] apresentam um prémio salarial médio por trabalhador de quase 61% em comparação com as não-EMN na especificação preferida», registam.

Continue a ler após a publicidade

Também os prémios de produtividade são consideráveis nas multinacionais, «atingindo mais de 57% de acordo com a produtividade do trabalho e mais de 66% utilizando a receita por trabalhador».

As multinacionais portuguesas pagam salários médios que são cerca de 48% mais elevados que os pagos pelas empresas que não são multinacionais, enquanto nas multinacionais estrangeiras o premio «tende a ser superior, alcançando cerca de 68%».

Partilhar


Mais Notícias