«Não fazer parte da digitalização significa exclusão», garante secretário de Estado da Transição Digital

Human Resources com Lusa
2 de Novembro 2021 | 17:49

O secretário de Estado da Transição Digital, André de Aragão Azevedo, disse hoje na Web Summit que não fazer parte da transição digital “significa ficar social e economicamente excluído”, frisando as várias desigualdades que a digitalização pode provocar.

“Estamos cientes de que não fazer parte desta viagem significa ficar social e economicamente excluído”, disse hoje André de Aragão Azevedo no palco `Corporate Innovation Summit` da Web Summit, evento que decorre entre segunda e quinta-feira na Altice Arena e na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

O governante assumiu que o executivo tem uma “ambição digital coletiva de usar o digital como uma oportunidade para um país que foi percebido como periférico”, querendo usá-lo “como motor para o crescimento económico”.

“Queremos acelerar esse crescimento e projetar Portugal para o mundo como um país digital e moderno, assegurando, claro, que não deixamos ninguém para trás”, afirmou.

Numa apresentação feita integralmente em inglês, o secretário de Estado elencou depois os vários tipos de desigualdades que a digitalização pode provocar.

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“No caso dos desafios da formação e educação, o que procuramos é cobrir todo o ciclo de vida da nossa população, segmentando a nossa população em diferentes perfis e e tendo respostas específicas para cada um deles”, introduziu.

Assim, André de Aragão Azevedo exemplificou com “a escola digital, entregando um computador e conectividade para todas as crianças e professores”, com a “formação de toda a população ativa, tanto empregada como desempregada”, com competências de digitalização.

“Temos de assegurar que não deixamos ninguém para trás e que cuidamos das pessoas que são info-excluído e é por isso que temos esta ambição de cobrir um milhão de adultos em Portugal com competências digitais básicas”, referiu.

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O governante elencou depois as desigualdades que existem no país, como por exemplo as desigualdades quanto à literacia digital.

“Ainda temos 48% da nossa população que não tem competências digitais básicas. Isto é, claro, um desafio. Estamos cientes que 90% dos empregos futuros requerem essas competências digitais”, frisou.

André de Aragão Azevedo acrescentou ainda que 18% da população portuguesa nunca usou a Internet, o que significa que “quase um quinto da população está fora deste processo e a perder uma oportunidade”.

O secretário de Estado apontou também à desigualdade de género no sector tecnológico nacional, dado que a maioria da população universitária em Portugal é feminina mas o mesmo não se repercute à medida que a tecnologia é mais utilizada.

“Quanto mais a tecnologia intensiva se torna mais presente nas suas vidas, menos mulheres há. Existe um funil, uma correlação invertida, entre a presença de mulheres e a presença de tecnologia intensiva”, alertou o governante.

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O responsável do Governo pela transição digital sustentou a sua visão afirmando que “dos 54% de mulheres na população universitária, só 43% está em cursos STEM [ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na sigla inglesa] e só 28% em cursos de engenharia”.

“Isto significa que estamos a perder quase metade [das mulheres] neste processo de afunilamento”, disse André de Aragão Azevedo, acrescentando que nos sectores com maior presença de tecnologia intensiva, apenas 12% dos estudantes são mulheres.

As consequências no mercado de trabalho espelham-se no facto de que dos 3,6% da população em Portugal que é especialista em Tecnologias de Informação, apenas 0,7% são mulheres, frisou o secretário de Estado.

“Precisamos, definitivamente, de inverter esta tendência. Temos de eliminar este tipo de estereótipos”, apelou.

 

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