Bob Iger está à frente da Walt Disney Company desde o final de Novembro passado e, num curto espaço de tempo, já fez algumas mudanças disruptivas. Uma das mais controversas veio num e-mail enviado aos colaboradores, informando que espera que os que estão a trabalhar em modo híbrido comecem a estar quatro dias por semana no escritório, de segunda a quinta-feira, avança a CNBC.
No e-mail, Iger fala sobre o «enorme valor de estarmos com as pessoas com quem trabalhamos». E ninguém duvida disso. A questão é para quem tem mais peso – para os gestores que gostam de controlar as suas equipes ou para os colaboradores, muitos dos quais se acostumaram a trabalhar em casa nos últimos três anos.
Descobrir como trazer as pessoas de volta ao escritório tem sido um desafio para todas as empresas nos últimos meses. A maioria das grandes empresas optou por alguma versão de trabalho híbrido que envolve dois ou três dias no escritório, com a capacidade de trabalhar remotamente nos restantes dias.
O CEO da Disney foi um pouco mais longe e, no seu e-amail, expõe um argumento pertinente:
«Como já me ouviram dizer muitas vezes, a criatividade é o coração e a alma de quem somos e do que fazemos na Disney. Num negócio criativo como o nosso, nada pode substituir a capacidade de conexão, observação e criação com colegas que surge de estarmos fisicamente juntos, nem a oportunidade de crescer profissionalmente aprendendo com líderes e mentores. Acredito que trabalharmos juntos presencialmente beneficiará a criatividade, a cultura e as carreiras de colaboradores da empresa.»
A maioria dos defensores do modelo híbrido de trabalho concorda com a primeira parte do e-mail. Colaboradores juntos no mesmo espaço muda a forma como colaboram e se relacionam. Ambos são importantes numa empresa criativa, que depende de colaboradores a partilhar e desenvolver ideias uns dos outros.
A «oportunidade de crescer profissionalmente aprendendo com líderes e mentores» também não deve ser descurada.
Muitas pessoas podem fazer o seu trabalho em qualquer lado e a pandemia mostrou que muitas funções não exigem estar fisicamente com os colegas num escritório. Por outro lado, tal como Bob Iger refere, há alguns benefícios de trabalhar em equipa presencialmente. Entre os mais importantes estão a cultura da empresa e os percursos profissionais dos colaboradores.
Não é surpresa nenhuma a Disney valorizar a criatividade, mas o e-mail deixa claro que essa não é a única razão pela qual vale a pena reunir as pessoas. Há vantagens que não conseguem ser substituídas virtualmente.
Por muito que se tente, simplesmente não há como recriar virtualmente o valor dos relacionamentos pessoais – especialmente quando se trata de mentoria e desenvolvimento profissional. O mesmo acontece com a cultura. Há muito que se pode fazer para tentar ligar as equipas e promover uma cultura saudável, mas a tecnologia tem limites nesse campo e se há coisa que não consegue fazer é substituir o tempo passado em equipa presencialmente.
A principal conclusão que se pode retirar da mensagem do CEO é que a criatividade, a cultura e o avanço individual na carreira de cada colaborador são cruciais para o sucesso da Disney.
Este e-mail é um óptimo exemplo de como comunicar claramente os valores da empresa e explicar por que essa mudança é tão importante. Mesmo que não agrade a todos, no final, o objectivo é tornar a empresa e os seus colaboradores mais saudáveis e bem-sucedidos.














