«Não vamos tirar trabalho a pessoas substituindo-as por robôs? Sim, vamos. Vamos tirar o trabalho repetitivo e que não acrescenta valor»

O Novo Banco tem três novos colaboradores não humanos. São três “Antónios”. Não, não decidimos clonar o António Ramalho, que ele já tem energia que vale por dois. São temas de futuro, mas não se trata de clonagem.

 

Por Catarina Horta, directora de Capital Humano do Novo Banco

 

O Capital Humano do Novo Banco – não me perguntem porque é que se chama Capital Humano e não Pessoas ou Recursos Humanos, porque já se chamava assim quando cheguei ao Banco, e não tenho muita paciência para este tema, já que todos sabemos do que estamos a falar, independentemente do nome – tem três novos colaboradores não humanos. São três robôs, a quem a equipa deu o nome temporário de António. Estamos a tratar de os baptizar com nomes distintos e diferenciadores, mas para já é este o seu nome.

Os três Antónios não contam como FTE (full time equivalent) mas trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana e nasceram do projecto de RPA (Robotic Process Automation) que o Banco está a desenvolver. Este projecto destina-se a todas as áreas em que possa haver tarefas que impliquem a gestão de grandes quantidades de informação, de carácter repetitivo, ou pelo menos traduzíveis em regras explícitas, e até tem à frente uma Chief Robotic Officer, essa sim, bem humana. As tarefas eram desempenhadas por humanos e passaram a ser desempenhadas por software robôs, alguns com inteligência artificial, outros nem isso. Numa analogia com as pessoas, também há robôs mais inteligentes do que outros, ou mais equipados…

O departamento de Capital Humano decidiu alinhar desde a primeira hora. O que fazem os três Antónios? Tratam os processos de marcação e gestão de teletrabalho (oportuno, não?), férias e de comunicação de dispensas. As áreas de Recursos Humanos continuam a ter muitos trabalhos administrativos, que (a)gastam muito tempo dos humanos e (b) que os impedem de fazer coisas realmente interessantes, como analisar os dados extraordinários que acumulamos, ver padrões e tomar decisões, estar mais perto dos seus clientes internos e fazer a verdadeira promoção do desenvolvimento de pessoas.

Infelizmente, considero que ainda vivemos soterrados em tarefas obrigatórias e legais (pergunto-me a real utilidade de muitos mapas estatísticos que continuamos a enviar para efeitos regulamentares, ou seja, pergunto-me se são de facto usados e se não servem apenas para alimentar uma roda dentada de quem os preenche e de quem os pede). Se conseguirmos delegar muitas destas tarefas para os Antónios, podemos libertar-nos para o que realmente importa.

Nesta fase surge sempre a questão: e não vamos tirar trabalho a pessoas substituindo-as por robôs? Sim, vamos. Vamos tirar o trabalho maçador, repetitivo, cansativo, que não acrescenta valor, e vamos dar-lhes trabalho interessante, criativo, que as faça pensar e desenvolver-se.

O já clássico estudo de Frey & Osborne, da Universidade de Oxford, na antecipação da potencialidade de automação de 720 funções no futuro, considera que, em 2035, há 90% de probabilidade de as funções administrativas de Recursos Humanos estarem robotizadas. Pelo contrário, estima-se que as funções de gestão de Recursos Humanos e as técnicas tenham poucas possibilidades de o serem.

A parte engraçada dos robôs Antónios é que nem sempre tudo corre bem. Por vezes, diz-me o director desta área, em que os robôs “se cansaram”, numa antropomorfização dos ditos. Como assim? É que, quando a trabalhar em conjunto, não ficaram tão eficientes. Parece que, afinal, as 24/7 é um mito, ou será ainda uma aprendizagem e uma adaptação nossa.

Não nos demove. Vamos continuar este caminho, porque temos um percurso de simplificação e de robotização grande pela frente nos Recursos Humanos. Porquê? Porque nos queremos centrar no nosso core, que é melhorar a experiência dos colaboradores. Mais, estamos grávidos de mais dois Antónios, que nascem até ao verão.

Já agora, têm alguma sugestão para os nomes futuros dos nossos Antónios?

 

Este artigo foi publicado na edição de Abril (nº.124) da Human Resources, nas bancas.

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