Nelson Pires, Jaba Recordati: A tempestade perfeita, num contexto de incerteza

Nelson Pires, director-geral da Jaba Recordati Portugal, Recordati UK/Recordati Ireland, destaca «assiste-se agora à tempestade perfeita causada pela pandemia de COVID-19 e da guerra na Ucrânia. Este cenário de incerteza vai levar a que os gestores se “finjam de mortos” e esperem por tempos mais previsíveis, procrastinando a decisão de investir».

 

«O barómetro deste mês é bastante eclético e toca em vários temas distintos. Vou-me focar em apenas um, o da incerteza. Assistimos agora à tempestade perfeita causada pela pandemia de COVID-19 e da guerra na Ucrânia: o choque na procura de bens de consumo que aumentou, visto existir mais dinheiro disponível pela poupança forçada durante a pandemia; o choque na oferta por constrangimentos logísticos; a falta de investimento na produção e falta de fornecimento das matérias-primas (fruto, por exemplo, dos lockdowns); o alto custo da energia; a geopolítica; as novas formas de trabalho; a cibersegurança; o e-commerce; as novas formas de inflação conjuntural ou estrutural…

Este cenário de incerteza vai levar a que os gestores se “finjam de mortos” e esperem por tempos mais previsíveis, procrastinando a decisão de investir. O atraso nesta decisão vai contrair a economia (excepto para os investidores que já se habituaram a investimentos com exposição ao risco). E isso é bem patente numa das perguntas do barómetro, visto que 86% dos inquiridos “sofrem na pele” esta pressão, e 41% não sabem o que o futuro trará (incerteza). Estamos a falar de líderes das maiores empresas em Portugal.

Duas certezas tenho como assumidas: nada será igual ao passado, pelo que as receitas anteriores não funcionarão; a globalização desapareceu, passando a ser a “blocalização”. O mundo organizar-se-á por blocos que permitam aproximar a produção dos centros de consumo, garantindo menos riscos logísticos, um mercado suficiente, RH disponíveis, e regras geopolíticas e de multilateralismo semelhantes. A Europa e o Norte de África; ou os EUA, Canadá, México e alguns países da América Central, por exemplo.

A grande incerteza prende-se com a China e a Índia, nos quais confiámos a nossa “supply chain”, os fornecedores do mundo. Mas com esta passagem do “offshoring” para o “nearshoring” (julgo que não chegaremos ao “onshoring” de cada país a tentar ser autónomo), a economia mundial vai realinhar-se e talvez seja esta a oportunidade da Europa de vender lenços de papel, quando todos choram devido à crise!»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Maio (nº.137) da Human Resources, no âmbito da XLI edição do seu Barómetro. Está nas bancas. Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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