Neotalent: O talento como a moeda mais valiosa da era digital

A Neotalent, empresa do Grupo Novabase que se dedica ao recrutamento de talento em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), lançou recentemente o programa “Refer a Talent”. A iniciativa permite que qualquer pessoa possa referenciar amigos com perfis ligados a esta área e surge como uma estratégia para ultrapassar a escassez de talento.

A atracção e retenção de talento tem sido identificado como um dos principais desafios para as empresas e nem a COVID-19 veio alterar isso. As fronteiras entre os vários sectores estão a desaparecer e hoje tudo é digital, ou está prestes a ser digitalizado. Este contexto traz não só desafios acrescidos ao nível da captação e retenção de talento especializado, como também na forma como as organizações operam e gerem a sua força de trabalho.

«Atrair talento é desafiante, na medida em que as competências que as empresas hoje procuram são diferentes daquelas que procuravam há uns anos», faz notar Célia Vieira, managing director da Neotalent, acrescentando que «reter talento tem mais a ver com as expectativas, motivações e desafios que as organizações podem oferecer aos seus colaboradores».

Como exemplo, a responsável refere que, além do salário, as condições de trabalho e a flexibilidade laboral passaram a ter uma preponderância muito grande na retenção das pessoas. «É verdade que as pessoas continuam a querer bons salários, mas Portugal não pode comparar-se a outros países nesta matéria. Neste caso, são os desafios, a experiência, a motivação e as condições laborais que as empresas proporcionam que se transformam nas grandes armas de retenção do talento. O teletrabalho, por exemplo, é um benefício extraordinário e transversal a qualquer faixa etária.»

Para Célia Vieira, o mais importante é que as organizações tenham a capacidade de se reinventar no que diz respeito às suas estratégias de recrutamento e retenção de talento para dar resposta a estas “novas” necessidades.

A escassez de talento é um desafio à escala global e Portugal não é excepção, sobretudo nas áreas mais tecnológicas. De acordo com a responsável, «o recrutamento especializado nas áreas tecnológicas é seguramente um dos mais desafiantes, pois é um mercado bastante competitivo, e tem níveis de empregabilidade muito altos».

Neste contexto, a requalificação assume uma importância fulcral, porque permite tentar reduzir o gap de skills digitais e a falta de talento, «e, de facto, esta tem sido uma aposta de sucesso da Neotalent nos últimos dois anos que já resultou em mais de 100 talentos formados», contextualiza a managing director. Célia Vieira destaca ainda o facto de a nova geração de profissionais ter assumido o controlo da sua própria carreira e a probabilidade de, ao fim de dois a três anos, querer procurar um novo desafio, dentro ou fora da empresa, é muito elevada. «Isto coloca pressão nas organizações para criar um ambiente capaz de potenciar e fazer crescer este novo tipo de profissionais, conseguindo, por exemplo, propor rapidamente a missão que melhor se adapte aos requisitos do profissional.»

A responsável acredita que a situação possa mudar, mas alerta que não deixa de ser preocupante o facto de, segundo um estudo recente feito por uma multinacional de recrutamento, o problema não estar na quantidade dos alunos licenciados, mas sim na qualidade com que são formados. Assim, defende que a interacção mais frequente e próxima entre empresas e a Academia deve conseguir preencher estas lacunas. «Além disso, é também importante que empresas se comprometam com programas específicos para quem está a entrar no mercado, para que possam adquirir e reforçar competências.»

 

Refer a talent
É como estratégia para ultrapassar a escassez de talento tecnológico e chegar a candidatos de topo que nem sempre procuram activamente emprego que a Neotalent criou o programa Refer a Talent. «As organizações devem ter a capacidade de se reinventar no que diz respeito às suas estratégias de recrutamento e retenção de talento para dar resposta às competências necessárias que o mercado exige, pelo que o Refer a Talent responde precisamente a esta ambição, surgindo como um programa de referenciação de amigos, com o objectivo de atrair novos talentos e promover uma resposta rápida às necessidades de recrutamento de projectos dos clientes da Neotalent», esclarece Célia Vieira.

O programa veio, assim, ajudar num desafio já conhecido na área das Tecnologias da Informação – a dificuldade em encontrar talento especializado –, ao permitir alargar o acesso da empresa a novos talentos, numa área onde a escassez é crítica e onde, muitas vezes, os profissionais mais qualificados para a função não procuram activamente emprego, por já se encontrarem noutras empresas. «O principal objectivo é chegar a novos talentos na área das TIC que, ou não procuram activamente emprego, ou precisam de um “empurrão final”», revela a managing director.

E como é que funciona? É simples. Através de um incentivo monetário, consegue-se que os amigos destas pessoas lhes deem o impulso que lhes falta para começarem a carreira em determinada empresa, ou mudarem-lhe o rumo.
«Assim, além de nos ajudar a combater um grande desafio que temos pela frente, conseguimos recompensar a pessoa que fez a referenciação e até mesmo contribuir para a empregabilidade no sector das tecnologias.»

Qualquer pessoa pode participar no programa, partilhando o CV de um amigo através de um formulário disponibilizado no site da iniciativa. A equipa de Talent Acquisition da Neotalent recebe e analisa as referências. A pessoa que fez a referenciação será notificada sobre o estado desta submissão, bem como a sua evolução. Após a contratação e passado o respectivo período de integração, que tem a duração de três meses, a pessoa que fez a referência recebe um incentivo na sequência desta contratação, neste caso 500€ em cartão presente.

«Este programa é aberto ao público, pelo que todas as pessoas podem referenciar, desde que não façam parte do Grupo Novabase, sejam uma entidade individual e tenham mais de 18 anos», esclarece Célia Vieira, acrescentando que a Neotalent tem também um programa de referenciação interno exclusivo para os seus colaboradores.

Mas não se pode referenciar qualquer pessoa, sendo preciso que cumpram alguns critérios, nomeadamente: não terem tido contacto com a equipa da Neotalent nos últimos seis meses e não estarem alocados em parceiros ou clientes da Neotalent. «Se estes requisitos forem cumpridos, as referências são validadas», garante a responsável. «A ideia passa por descobrir e contratar novos talentos, pelo que através destes critérios conseguimos garantir que de facto serão pessoas novas a entrar na organização.»

Os perfis mais procurados pela Neotalent são os funcionais e/ou técnicos, directamente ligados às áreas das TIC.
A empresa procura referências para Portugal, mas também para as geografias onde tem actividade aberta e/ou projectos, nomeadamente em Espanha. «As pessoas referenciadas poderão ser integradas na Neotalent ou numa das empresas do Grupo Novabase, dependendo das oportunidades existentes e dos seus perfis.»

 

O dinheiro não é tudo
De uma forma mais genérica, e quando questionada sobre quais os maiores desafios que se colocam hoje às empresas relativamente à gestão de talento, Célia Vieira acredita que esta questão varia consoante a faixa etária e situação profissional de cada pessoa, mas reconhece que o salário tem uma grande importância. «Acho que o salário é muito relevante para pessoas com família, que têm um mindset completamente diferente dos candidatos que estão a iniciar carreira, e ainda têm ajuda dos pais. Estes privilegiam experiências novas e outros benefícios», constata.

Além do salário, a managing partner destaca a motivação como um dos maiores desafios na gestão do talento. «Quando existe desmotivação ou insatisfação, não é o dinheiro que vai resolver tudo, temos de perceber o que está na base dessa insatisfação.» Não podendo subir os salários, o talento tem de ser atraído e motivado com outros mecanismos, e é aqui que entram os benefícios. «O teletrabalho é um bom exemplo de um benefício extra-salarial e que tem resultado, por diferentes motivos, para os colaboradores», revela.

Um dos aspectos mais importantes da redefinição estratégica que a Neotalent operou há sensivelmente um ano, prende-se com o alargamento da sua oferta. «Durante muitos anos, tivemos uma oferta de IT staffing, mas percebendo o espaço que poderíamos ocupar e a evolução do mercado de TI, foi fácil chegar à conclusão que uma marca exclusiva de staffing já não era suficiente, tínhamos de criar uma oferta mais abrangente, enriquecer o nosso portefólio e apostar num novo posicionamento no mercado», partilha Célia Vieira.

Foi neste contexto que surgiu a nova área de Capacity Services que, partindo da oferta core de staffing, acabou por adicionar mais valor para o cliente. «Já não estamos apenas a disponibilizar talento, estamos a partilhar risco, a acrescentar talento, gestão e entrega. Na Neotalent sabemos que o talento é a moeda mais valiosa da era digital, pelo que o nosso foco é, essencialmente, capacitar as empresas com profissionais de TI de excelência, capazes de facilitar a transformação positiva dos seus negócios», conclui Célia Vieira.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Gestão de Talento”, publicado na edição de Julho (n.º 115) da Human Resources, nas bancas.

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