Num dos momentos mais difíceis na vida dos profissionais e das empresas do canal Horeca (Hotéis, Restaurantes e Cafés), a Nestlé Professional e a Randstad , com a parceria da Bugle, assinaram um protocolo de colaboração para potenciar oportunidades de emprego e disponibilizar formação profissional gratuita, em Portugal e em Espanha. Para o efeito, a ferramenta principal será a plataforma digital “TalentoXHoreca”.
Por Ana Leonor Martins
A Human Resources foi falar com Victor Martins, director da Nestlé Professional Iberia, com Vítor Peliteiro, director de Staffing da Randstad Portugal, e com João Ferro Rodrigues, director-executivo da Bugle, para perceber em que consiste esta iniciativa e que resultados pretende alcançar.
Na génese deste protocolo de cooperação estará o facto de o sector do alojamento, restauração e similares ser um dos mais impactados pela pandemia. Que números traçam a realidade que se vive em Portugal?
Vítor Peliteiro (VP): O sector do Turismo, do qual o canal Horeca faz parte, perdeu no ano de 2020 perto de 11 mil milhões de euros. De acordo com os últimos números oficiais, em Fevereiro existiam cerca de 50 mil desempregados, representando uma taxa de desemprego neste canal de 13,4%. São números muito preocupantes, sendo que a Organização Mundial do Turismo diz que eles nunca serão recuperados antes de 2023. Este projecto visa ajudar um sector em dificuldade, funcionando como um facilitador e uma alavanca para uma recuperação mais rápida e eficaz.
Como é que surgiu a ideia de promover esta iniciativa?
Victor Martins (VM): A ideia surge porque o canal Horeca é um parceiro fundamental dos negócios da Nestlé em Portugal e em Espanha. Em Portugal, a marca Christina foi fundada em 1804, há mais de 200 anos. A marca Sical foi fundada em 1947. A Tofa nos anos 60 e a Buondi nos anos 80. Temos para com o sector Horeca uma história de parceria com dezenas e dezenas de anos, e não podíamos deixar que este cataclismo caísse sobre os nossos parceiros e ficar apenas como espectadores.
Num ambiente volátil e incerto como o que estamos a viver, a nossa aposta foi olhar para o que poderiam ser os principais eixos de recuperação do sector nos quais a Nestlé poderia influenciar. A formação é há dezenas de anos um dos principais contributos que a Nestlé proporciona aos seus parceiros e esse seria um eixo natural de actuação. E aqui, além da formação própria que a Nestlé desenvolve, sabíamos que podíamos contar com a Bugle. Por outro lado, conhecemos bem o sector e sabemos que os empregadores se debatem com a dificuldade de encontrarem o talento certo. E isso leva-nos ao nosso outro parceiro, a Randstad, que tem a competência e a experiência de fazer acontecer o “match” certo e contribuir igualmente com muitos conteúdos formativos relevantes.
Em que consiste exactamente este protocolo e iniciativa?
VM: No seguimento de outras acções de apoio a este canal, a Nestlé Professional e os seus parceiros Randstad e Bugle desenvolveram uma iniciativa para apoiar este sector, através de uma ferramenta de apoio à empregabilidade dos seus profissionais.
Esta nossa iniciativa, denominada Talento para Horeca, tem por base a criação de uma plataforma digital que procura facilitar o encontro entre quem procura emprego e quem procura talento para as suas empresas, neste sector. A plataforma permite aos profissionais de Horeca em busca de emprego a inscrição numa base de dados dedicada ao sector, junto da qual os empregadores podem procurar profissionais com a formação e experiência que necessitam.
Para além deste ponto de encontro entre profissionais, a plataforma proporciona ainda um conjunto alargado de conteúdos formativos relevantes em formato e-learning, tais como formação em técnicas de comunicação, preparação de CVs, entrevistas, formação barista, etc., que esperamos possam ajudar a valorizar os profissionais, contribuindo para uma maior e melhor empregabilidade e apoiando o desenvolvimento da sua carreira.
Esperamos que a implementação desta iniciativa possa proporcionar um espaço de referência onde os profissionais de Horeca em busca de emprego se possam inscrever quando procuram novas experiências ou oportunidades profissionais, e onde os empregadores neste canal procuram e seleccionam talentos para incorporar nas suas empresas.
Para a Nestlé Professional, e para os seus parceiros Randstad e Bugle, era imperativo estar mais próximos destes milhares de profissionais e empresários do canal Horeca, ajudando de forma tangível uma das forças de trabalho mais afectadas pelos impactos da COVID-19.
E a Randstad, porque aceitou o desafio?
VP: A Nestlé desafiou-nos para este desafio altruísta, que visava ajudar a retoma de um canal muito afectado pela pandemia. A partir do momento que ficamos a conhecer a visão para o projecto, abraçamos de imediato a ideia, porque, por um lado, vai de encontro ao propósito da Randstad, que passa por ajudar as pessoas a encontrar um trabalho e a desenvolverem-se profissionalmente, e, por outro, entronca com um objectivo estratégico global da Randstad que é “tocar” em 500 milhões de pessoas até ao ano de 2030.
Qual a intervenção e contributo das vossas empresas neste projecto?
VM: A Nestlé Professional concebeu a iniciativa e encontrou os parceiros ideais, sem os quais não teria sido possível dar vida a este projecto de apoio aos empregados e empregadores do HORECA. A Randstad, com toda a sua experiência em termos de selecção e recrutamento, e a Bugle, com a sua especialização em termos de formação digital, deram-nos uma enorme ajuda para que fosse possível em tão pouco tempo criar a plataforma e recheá- -la de conteúdos de formação relevantes.
VP: Na Randstad, teremos a responsabilidade pelo “match” entre o talento e as empresas. Desenvolvemos um portal onde receberemos os registos das pessoas e das empresas. Quando uma empresa tiver uma necessidade de recursos humanos, terá de submeter esse pedido através do portal e, depois, tendo em conta as pessoas que estarão registadas no mesmo portal, a Randstad tratará de fazer o “match” e enviar os candidatos disponíveis para as empresas que fizeram o pedido.
O portal terá ainda uma parte de formação, que é da responsabilidade da nossa parceira Bugle, onde disponibilizaremos cerca de 400 módulos formativos para que as pessoas possam desenvolver as suas competências e prepararem-se dessa forma para a retoma, somando competências às suas actuais skills. Pretendemos que as pessoas, tirando partido de um desemprego forçado resultante da pandemia, tenham a possibilidade de assistirem a cursos formativos que lhes permitam estar melhor preparadas para a retoma que, esperamos todos, ocorra num curto espaço de tempo. Tendo em conta a potencial valorização das pessoas, as empresas irão igualmente beber deste tipo de upskill, já que poderão identificar pessoas mais preparadas para os seus respectivos postos de trabalho.
Como surge a Bugle associada a este projecto e qual a sua intervenção?
João Ferro Rodrigues (JFR): A Bugle foi uma das startups que se destacaram no programa de empreendedorismo “Start & Co.” que a Nestlé desenvolve com a NOVA SBE e tem, desde então, sido parceira da Nestlé no desenvolvimento de conteúdos formativos digitais para o canal Horeca, em Portugal e em Espanha. Colaboramos também com a Randstad desde 2017, na sua formação online, tanto na área do Outsourcing, como para as suas equipas internas. Por isso, foi natural a nossa associação a um projecto que une dois importantes parceiros de sempre da nossa empresa.
Que tipo de conteúdos e cursos são disponibilizados? O foco está nas competências técnicas ou nas soft skills?
JFR: Existem centenas de módulos de formação disponíveis, na sua maioria de curta duração, e com o formato vídeo como preponderante. A formação é de três tipos, sendo que cada parceiro traz conteúdos da sua área de especialização: a Nestlé Professional oferece conteúdos relacionados directamente com o canal Horeca, a Randstad formação muito orientada para a empregabilidade, e a Bugle aporta vários cursos do seu catálogo de formação digital, num âmbito mais transversal, a pensar no desenvolvimento das competências de cada profissional.
Leia a entrevista na íntegra na edição de Maio (125) da Human Resources, nas bancas.
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