O mais recente estudo da Gallup, State of the Global Workplace 2025 mostra que os níveis de envolvimento e bem-estar dos trabalhadores caíram drasticamente em quase todas as regiões do mundo. Em Portugal,19% dos trabalhadores sentem-se envolvidos com o seu trabalho, valor acima da média europeia (13%), ainda que distante do ideal.
Por outro lado, 43% dos portugueses relatam níveis elevados de stress diário, e quase um quarto confessa ter sentido tristeza no dia anterior [ao inquérito realizado pela Gallup]. Mesmo com os indicadores de raiva (8%) e solidão (10%) entre os mais baixos da Europa, a sensação de desgaste é real.
O estudo revela que Portugal é um dos países onde mais se acredita que este é um bom momento para procurar emprego, 60% partilham dessa visão e 36% estão mesmo a procurar activamente novas oportunidades. Além disso, apenas 38% da população diz que está a “prosperar” na vida.
Em 2024, a percentagem global de trabalhadores empenhados caiu de 23% para 21%. Este valor só caiu duas vezes nos últimos 12 anos, em 2020 e 2024 e a queda de dois pontos no envolvimento do ano passado foi igual ao declínio durante o ano de confinamentos devido à COVID-19. E mais de seis em cada 10 trabalhadores vivem entre a apatia e o distanciamento emocional. Esta perda de envolvimento está a custar milhares de milhões à economia mundial e, consequentemente, a comprometer o bem-estar de milhões de pessoas.
O estudo indica que cerca de 70% da variação no nível de envolvimento de uma equipa depende directamente do seu líder. E são precisamente os gestores que hoje se encontram sob maior pressão e com menores níveis de engagement.
Os dados mostram que o nível de engagement dos managers caiu de 30% para 27%, enquanto entre os colaboradores sem funções de liderança o valor manteve-se estável. Nenhum outro grupo, seja em termos de género como de faixa etária, registou uma descida tão significativa.
Apesar de manter índices mais baixos de stress, tristeza e solidão (igualmente avaliados no relatório) quando comparada com outras regiões do mundo, a Europa destaca-se negativamente em quase todos os indicadores relacionados com o envolvimento profissional. A taxa de envolvimento de 13% é a mais baixa de todas as regiões avaliadas, e mesmo os que não se dizem “activamente desmotivados” revelam níveis altos de desinteresse e cinismo.
Além disso, 17% dos inquiridos dizem-se activamente desmotivados, enquanto menos de metade (47%) afirma estar “a prosperar” nas suas vidas. Esta realidade aponta para um cenário de estabilidade emocional relativa, mas de desânimo e falta de propósito no contexto profissional.
Apesar da falta de entusiasmo, os trabalhadores europeus têm uma visão mais positiva do mercado laboral. Cerca de 57% considera que este é um “bom momento para encontrar emprego” — um aumento de cinco pontos percentuais face a 2023. No entanto, paradoxalmente, apenas 30% estão activamente à procura de novas oportunidades — o valor mais baixo do mundo.
O relatório mostra que apenas 33% dos trabalhadores, a nível global, afirmam estar a “prosperar” nas suas vidas — uma outra queda face a anos anteriores. Nesta variável em concreto, o declínio é particularmente acentuado entre gestores mais velhos e mulheres em cargos de liderança, reflectindo uma combinação de desgaste prolongado, ausência de apoio e ambientes organizacionais tóxicos ou indiferentes.
O estudo da Gallup sobre os locais de trabalho e mão-de-obra inqueriu profissionais de mais de 160 países e regiões com autonomia, onde se inclui Portugal.














