O hábito de conversar com colegas através de plataformas digitais, como o Slack por exemplo, já está bastante enraizado, principalmente desde o aumento dos modelos de trabalho híbridos. Mas e se alguns desses colegas fossem realmente IA, e não pessoas reais?
Pelo menos 750 mil organizações em todo o mundo contam com o Slack para comunicar no local de trabalho, reporta o Inc.com. Em conversa com o site de notícias Axios, Ryan Gavin, director de Marketing da empresa detida pela Salesforce, previu que o surgimento de agentes de IA vai transformar os locais de trabalho e que, em breve, os colaboradores poderão falar mais com IA do que com os seus colegas humanos.
Os agentes de IA foram aclamados por muitos especialistas como as primeiras ferramentas realmente úteis que a IA pode fornecer e, possivelmente, a próxima grande novidade nesta revolução tecnológica. Até o CEO da OpenAI, Sam Altman, concorda e o próximo agente da sua empresa, Operator, pode vir a ser o primeiro gadget de IA a transformar o ambiente de trabalho.
Os agentes são mais poderosos do que o modelo de IA de perguntas e respostas utilizado pelos chatbots porque podem realmente executar acções num ambiente digital, como preencher formulários automaticamente num site ou até mesmo assumir o controlo do rato do seu computador e utilizar aplicações no ambiente de trabalho.
A Axios recorda que a Salesforce, proprietária do Slack, tem vindo a promover os seus próprios sistemas de agentes de IA, que aparentemente já são capazes de agir como representantes comerciais.
Mas, em vez de serem inovações iminentes num futuro distante, Gavin prevê que estes sistemas de agentes cheguem ao uso diário em muitos locais de trabalho em breve. «Penso que as pessoas estão a subestimar o quanto o mundo do trabalho está prestes a mudar», disse, definindo uma previsão para a transformação trazida pelos agentes de IA de apenas «três, quatro ou cinco anos». E imagina que, nessa altura, estará a falar com agentes «tanto, se não mais, do que falo com os colegas humanos hoje».
Esta projecção pode inquietar os críticos da IA, que temem que a tecnologia perturbe seriamente a forma como os humanos interagem entre si no escritório, contribuindo possivelmente para o burnout dos trabalhadores ou para a erosão das relações humanas, e até mesmo afastando pessoas dos seus empregos. Mas a previsão de Gavin está em linha com várias outras visões de especialistas que sugerem que a IA aumentará as competências de escritório dos trabalhadores, em vez de os substituir completamente.
Imagine se «cada colaborador tivesse um profissional de Recursos Humanos sentado ao seu lado no Slack», sugere Gavin. Como a Axios observou, colegas de trabalho de IA como este têm o benefício adicional de serem mais fáceis de formar do que as pessoas, mais baratos de “empregar”, não pedirem aumentos e não fazerem greve ou saírem da empresa.
É fácil imaginar a utilidade de um colega de trabalho agente de IA. Poderia fornecer ao profissional informações automaticamente e até preencher folhas de horas ou procurar informações específicas da empresa, como dados financeiros, quando está a montar uma apresentação.
Como isso vai acontecer no típico ambiente de trabalho do futuro é uma incógnita. O ponto de vista de Gavin foca a comunicação escrita entre colegas no local de trabalho, mas isso não significa que os mexericos das conversas de corredor vão acabar.
A previsão de Gavin sobre os colegas de trabalho omnipresentes com IA alinha-se até com dados recentes que mostram que, actualmente, os colaboradores evitam amizades profundas e duradouras com colegas de trabalho, sugerindo que um “colega digital” pode preencher parte desse vazio. Os defensores do uso da IA também irão salientar que algumas pesquisas sugerem que permitir que os colaboradores utilizem a IA no local de trabalho pode aumentar a sua felicidade.














