No sector de Logística e Transportes, há dois desafios de talento principais (ambos à frente do efeito da transformação digital)

Margarida Lopes
2 de Janeiro 2026 | 12:20
O estudo Desafios de Talento em Logística e Transportes do ManpowerGroup e da Associação Portuguesa de Logística (APLOG), mostra que
no que toca aos principais desafios na gestão do talento, a escassez e competitividade pelo talento releva-se o mais agudo, sendo referido por 66% das empresas do sector como sendo muito relevante, e por 98% como relevante ou muito relevante, valor que se agrava em nove pontos percentuais face ao ano passado.
Na mesma linha, também a fidelização do talento surge como uma preocupação crítica, sendo mencionada por 48% das empresas como muito relevante.
O efeito da transformação digital é também uma realidade neste sector, com a actualização de competências face à digitalização a surgir como o segundo principal desafio das empresas do sector, com 95% a considerá-lo relevante ou muito relevante. Inversamente, e apesar da crescente consciencialização ambiental, a actualização de competências face à transição energética e à sustentabilidade das operações é ainda pouco referida pelos empregadores do sector, com apenas 17% a considerarem-na um desafio muito relevante.
Apesar do cenário de escassez de talento e da situação macroeconómica e geopolítica global, mais de metade dos empregadores do sector (57%) planeia aumentar as suas equipas no próximo ano, com apenas 3% a anteverem reduzir o seu número actual de trabalhadores e 28% a pretenderem manter.
Relativamente aos perfis mais procurados pelos empregadores, regista-se um foco crescente em perfis de apoio à transformação digital, bem como especializados em áreas operacionais. Os operadores de armazém e picking surgem como a posição com maior procura, sendo destacada por 47% dos empregadores.
Seguem-se os condutores de máquinas de armazém (29%), também com elevada procura e desafios na atracção de talento devido ao elevado grau de especialização exigido, bem como os condutores de veículos pesados (24%), igualmente difíceis de contratar devido às condições de trabalho, necessidade de carta de condução de veículos pesados e também de mobilidade geográfica.
Paralelamente, e fruto da transformação digital, é especialmente notável o aumento da procura por profissionais com competências de business intelligence e data analytics, cujas intenções de contratação passaram de 7%, em 2023, para 29%, em 2025. Ao mesmo tempo, também os perfis de técnico de cibersegurança ganham mais relevância, com uma procura de 14%.
Finalmente, existe ainda uma procura significativa, em todo o sector, por quadros médios com conhecimentos operacionais e com experiência nas áreas de armazenagem, tráfego, operações e logística. Destacam-se, assim, responsáveis de logística (31%), analistas de logística (22%), engenheiros de projectos logísticos (16%) e chefes de tráfego (16%).
Na análise das principais prioridades e desafios para o futuro do sector da Logística e Transportes, a transformação digital surge no topo da agenda dos líderes deste sector, com quase 60% a destacá-la como muito relevante. Segue-se a aposta na formação e desenvolvimento do talento, mencionada por cerca de 55% das organizações, bem como a segurança e cibersegurança, destacadas por 50%.
Analisando de forma agregada as respostas que valorizaram as prioridades como relevantes ou muito relevantes, destacam-se igualmente como significativas, para os empresários da logística e transportes, a necessidade de actuar com crescente agilidade e flexibilidade, em resposta à volatilidade do mercado, bem como a procura de eficiências e optimização de custos, tendo sido referidas por 95% e 97% das empresas, respectivamente.
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