Nos últimos meses, Portugal tem adoptado uma postura mais rígida no controlo da imigração, com novas regras para a residência e uma maior atenção à capacidade do país para integrar os imigrantes que chegam. A promulgação da nova Lei dos Estrangeiros consolidou este novo paradigma.
Contudo, para além das discussões centradas em números, fronteiras e vistos, permanece uma questão fundamental: o que acontece depois de um imigrante chegar a Portugal?
Para a Prepara Portugal, centro de formação profissional certificado pela DGERT, a resposta reside na qualificação profissional.
«Portugal tem todo o direito de definir as regras de entrada no seu território. Mas, depois de alguém chegar legalmente ao país, precisamos de perguntar o que estamos a fazer para que essa pessoa consiga integrar-se, trabalhar e contribuir para a sociedade portuguesa. A formação é uma das respostas mais concretas que temos», afirma Higor Cerqueira, fundador da instituição.
Este debate não é recente. Em 2025, a procura por cursos de formação profissional entre imigrantes aumentou significativamente, acompanhando as alterações previstas na Lei dos Estrangeiros. A Prepara Portugal registou um crescimento superior a 100% nas novas matrículas nesse período. Embora este fenómeno tenha sido muitas vezes interpretado como uma tentativa de obter vistos ou autorizações de residência, a Prepara Portugal destaca que a formação deve ser vista como um instrumento de integração e não apenas como uma porta de entrada.
Actualmente, a instituição conta com mais de 5.000 alunos de mais de 50 nacionalidades diferentes, o que evidencia a procura por formação profissional para adquirir competências, adaptar-se ao mercado de trabalho português e construir um percurso profissional sustentável.
Este enfoque na qualificação ganha ainda mais importância num contexto em que o enquadramento migratório português se tornou mais exigente. Em 2024, foram revogados os procedimentos de autorização de residência baseados em manifestações de interesse, e a Lei n.º 61/2025 introduziu alterações ao regime de entrada e permanência de cidadãos estrangeiros, incluindo a reformulação do visto para procura de trabalho, agora focado no trabalho qualificado. Assim, possuir competências profissionais adequadas ao mercado assume um papel decisivo.
A formação profissional pode, por isso, desempenhar um papel crucial na integração dos imigrantes, facilitando a sua adaptação e inserção no mercado de trabalho. A Prepara Portugal considera esta mudança de perspectiva essencial para o debate migratório actual.
Num país que procura controlar a imigração, mas que enfrenta desafios demográficos e carência de mão de obra em vários sectores, a qualificação pode funcionar como uma ponte entre estas realidades.
Segundo a instituição, a questão não deve ser apenas quantas pessoas entram em Portugal, mas também o que o país consegue fazer com o talento e a vontade de quem chega. A educação é a ferramenta que pode fazer a diferença.
A integração, defende a instituição, não começa na obtenção de um título de residência, mas sim na capacidade de comunicar, trabalhar, desenvolver uma profissão, alcançar autonomia financeira e encontrar um lugar efectivo na sociedade. Este processo vai muito além da regularização documental, e a formação pode assumir um papel determinante.
Para milhares de pessoas que escolheram Portugal para construir o seu futuro, a formação profissional pode ser a diferença entre simplesmente viver no país e verdadeiramente fazer parte dele.

















