Antecipar a mudança, liderar a transformação e criar valor sustentável são prioridades da Nova SBE Executive Education.
Assiste-se, cada vez mais, a uma aceleração da mudança que supera a capacidade das organizações de a absorver e de preparar líderes capazes de antecipar desafios e criar valor sustentável, tornando este objectivo uma prioridade para as instituições de ensino. Em entrevista à Human Resources, Marta Pimentel, Executive Education director da Nova SBE, explica como a instituição está a reinventar a formação executiva, combinando inovação pedagógica, tecnologia e desenvolvimento integral de competências para capacitar líderes para um futuro exigente e incerto.
Que tipo de perfil de executivos e empresas procuram actualmente os programas da Nova SBE Executive Education? E de que forma é que a oferta formativa se diferencia para estes executivos?
Vivemos num momento em que a velocidade da mudança é superior à capacidade natural das organizações para a absorverem. Por isso, os executivos que procuram a Nova SBE Executive Education são, acima de tudo, líderes que se recusam a ficar reféns do sucesso do passado. São profissionais conscientes de que a experiência acumulada continua a ser valiosa, mas que, por si só, já não é suficiente para responder aos desafios de um mundo moldado por novas dinâmicas geopolíticas, avanços tecnológicos e crescentes pressões económicas, sociais e ambientais. Procuram não apenas conhecimento, mas novas perspectivas que os ajudem a interpretar a complexidade e a tomar melhores decisões.
Que desafios estratégicos ou organizacionais levam esses executivos e empresas a investir em formação na Nova SBE?
As organizações estão a operar num contexto em que a mudança deixou de ser esporádica para se tornar permanente. A transformação digital, em particular a adopção da inteligência artificial, a necessidade de responder a mercados cada vez mais voláteis e uma crescente agenda geopolítica estão a obrigar as empresas a repensarem os seus modelos de negócio, processos e formas de liderança.
Neste cenário, a formação executiva surge não apenas como um instrumento de desenvolvimento individual, mas como uma alavanca estratégica para reforçar a capacidade de adaptação e assegurar a competitividade das organizações no médio e longo prazo.
Paralelamente, cresce a consciência de que os desafios do futuro exigem uma nova geração de líderes: profissionais capazes de combinar desempenho com sustentabilidade pessoal e organizacional. A liderança regenerativa ganha assim relevância, assente numa preparação mais sistémica que integra as dimensões intelectual, emocional, física e espiritual do líder. Esta abordagem procura desenvolver a capacidade de criar valor de forma duradoura, preservando a energia, a clareza e o propósito ao longo do tempo.
De que forma a inovação pedagógica na formação de executivos da Nova SBE contribui para o desenvolvimento das competências de liderança e gestão dos participantes? E como é que um conceito como “inovação pedagógica” se traduz, na prática, na sala de aula?
Na Nova SBE Executive Education, acreditamos que o desenvolvimento de competências de liderança e de gestão não resulta apenas da aquisição de conhecimento, mas sobretudo da capacidade de transformar esse conhecimento em acção. É neste contexto que a inovação pedagógica assume um papel central. Os nossos programas são concebidos combinando conhecimento académico, aplicação prática a desafios reais e journaling enquanto prática de reflexão individual. Recorremos a metodologias de experiential learning e learning intervention que colocam os participantes no centro da experiência de aprendizagem, promovendo a experimentação, iteração, acção e reflexão.
Na prática, isto traduz-se em percursos de aprendizagem mais personalizados e transformacionais. Utilizamos assessments que ajudam os participantes a desenvolver uma maior consciência das suas capacidades, estilos de liderança e áreas de desenvolvimento, criando um ponto de partida para a evolução individual. Estes processos são frequentemente complementados por mentoring e coaching, potenciando a transferência da aprendizagem para o contexto profissional.
É possível medir o impacto dos programas e metodologias da Nova SBE Executive Education tanto no percurso dos participantes como nas organizações onde operam?
O impacto pode manifestar-se em diferentes níveis: no participante, através da aquisição de competências, integração de novas práticas e/ ou mudanças de comportamento; na organização, através da transformação da estratégia, da liderança, inovação, produtividade, entre outros; e até no ecossistema e na sociedade, quando as decisões tomadas pelos líderes geram efeitos mais sistémicos. A medição do impacto começa, por isso, pela definição clara dos resultados que se pretendem alcançar e das variáveis que melhor os representam.
Que exemplos de métodos pedagógicos inovadores a formação de executivos da Nova SBE tem implementado e quais os resultados observados?
A inovação pedagógica na Nova SBE Executive Education traduz-se na criação de experiências de aprendizagem que vão além do modelo tradicional de sala de aula. Numa perspectiva de medição de impacto, um exemplo é o programa VOICE Leadership para PME, que combina investigação aplicada e formação executiva, medindo ao longo do tempo como a formação contribui para o aumento da produtividade das empresas. Esta proximidade entre investigação e prática permite medir o verdadeiro impacto da formação.
Numa perspectiva de mudança e transformação, temos desenvolvido formatos imersivos, como os programas retreat, estratégicos ou de liderança (Programa Horizon) que oferecem aos participantes a oportunidade para reflectirem sobre o seu futuro e/ou das suas organizações. Desta forma, recorremos a metodologias como scenario planning, future-back thinking, simulações e outras abordagens sistémicas que ajudam os líderes a expandir horizontes, desafiar pressupostos e construir visões de longo prazo.
Cada vez mais, temos integrado de forma intensiva ferramentas e agentes de inteligência artificial nos processos de aprendizagem, não apenas para desenvolver competências técnicas, mas também para aumentar a familiaridade dos executivos com estas tecnologias e explorar novas formas de uso nas suas vidas pessoais e organizacionais. A Nova SBE Executive Education é cada vez mais uma sandbox de inovações pedagógicas que diariamente testam melhores formas de disseminar e aplicar o conhecimento.
Como é que a Nova SBE integra ferramentas digitais e tecnologia educativa no ensino, e de que forma é que isso impacta e potencia a aprendizagem dos executivos?
A tecnologia desempenha hoje um papel cada vez mais relevante, na forma como desenhamos e entregamos experiências de aprendizagem para executivos. Procuramos integrar as ferramentas digitais não como um fim em si mesmas, mas como catalisadores de uma aprendizagem mais personalizada, interactiva e aplicada. Entre estas tecnologias, a inteligência artificial assume um lugar de destaque, não apenas como um tema de estudo, mas como uma ferramenta que acompanha o próprio processo de aprendizagem.
Na prática, a IA é integrada em diferentes níveis da experiência pedagógica. É utilizada como fonte de conhecimento e consciencialização, permitindo aos participantes explorar novas tendências, testar hipóteses e aprofundar conceitos de forma dinâmica. Simultaneamente, funciona como uma metodologia transversal para apoiar a reflexão sobre estratégia, modelos de negócio, inovação e transformação operacional, desafiando os executivos a repensarem pressupostos e a explorar cenários alternativos.
Que competências considera essenciais para os líderes do futuro e como é que a Nova SBE as está a integrar nos seus programas?
As competências mais importantes para os líderes do futuro começam por ser aquelas que lhes permitem compreender melhor o mundo. Falamos da capacidade de pensar de forma sistémica, interpretar sinais emergentes, compreender as interligações entre fenómenos aparentemente distintos e desenvolver uma visão estratégica de longo prazo. São líderes capazes de alternar entre o detalhe operacional e a perspectiva de “helicóptero”, navegando a complexidade sem perder a clareza de direcção. Esta capacidade de leitura abrangente da realidade será cada vez mais determinante para antecipar mudanças e tomar decisões num ambiente de elevada incerteza. A esta dimensão juntam-se as competências humanas e relacionais que continuam a estar no centro da liderança eficaz: mobilizar equipas, gerir stakeholders diversos, construir confiança, promover colaboração e liderar processos de transformação. Por último, existe ainda um terceiro nível, igualmente importante, relacionado com competências mais técnicas e funcionais, como gestão de projectos, finanças ou operações.
Que prioridades estratégicas irão marcar os próximos anos para a Nova SBE?
A ambição da Nova SBE para os próximos anos passa por reforçar o seu posicionamento como uma escola para líderes. Queremos contribuir para a formação de pessoas capazes de gerar impacto positivo nas organizações, na economia e na sociedade. Mais do que transmitir conhecimento, procuramos desenvolver líderes preparados para compreender os grandes desafios do nosso tempo e para actuar num contexto global cada vez mais complexo e interdependente. Para concretizar esta visão, a internacionalização continuará a assumir um papel central, através do reforço da nossa presença em múltiplos países, do desenvolvimento de parcerias globais e da criação de experiências de aprendizagem cada vez mais diversas e multiculturais.
A Nova SBE Executive Education tem feito um investimento estratégico em temas relacionados com a liderança. Porquê? Sentem que o perfil do líder contemporâneo está a mudar de forma radical?
A aposta da Nova SBE Executive Education na área da liderança resulta da convicção de que os grandes desafios das organizações são também desafios de liderança. Se a nossa ambição é ser uma escola para líderes, acreditamos ter a responsabilidade de os preparar para navegar a complexidade da realidade actual, com mais autoconsciência dos seus impactos, mais vitalidade e longevidade empresarial.
Assistimos a uma evolução do papel do líder. Hoje, liderar implica navegar e gerir paradoxos, exige uma maior capacidade de lidar com a ambiguidade, de integrar diferentes perspectivas e de actuar num mundo cada vez mais interligado. Mas exige também uma nova consciência sobre a própria sustentabilidade da liderança. Num contexto em que as carreiras são mais longas e as exigências mais intensas, os líderes precisam de desenvolver a capacidade de se regenerar continuamente, preservando os seus níveis de vitalidade, energia, clareza e propósito.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Formação”, publicado na edição de Junho (n.º 186) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














