Dados analisados pelo Jornal de Negócios e divulgados pela SIC Notícias indicam que o impacto médio das novas regras ronda os 10%.
A conclusão resulta da análise das pensões de velhice atribuídas entre 2012 e 2022, período durante o qual se tornou cada vez mais visível o efeito do novo modelo de cálculo implementado de forma gradual desde 2007.
O que mudou?
A principal alteração prende-se com a base salarial utilizada para determinar o valor da pensão.
No regime anterior, eram considerados os 10 melhores anos de remunerações dos últimos 15 anos de carreira contributiva. Com as novas regras, o cálculo passou a abranger os salários de toda a carreira contributiva, até ao limite de 40 anos de descontos.
Esta mudança tem um impacto relevante porque, regra, os salários tendem a aumentar ao longo da vida profissional. Ao incluir períodos mais antigos, frequentemente marcados por remunerações inferiores, reduz-se a média salarial utilizada para apurar o valor da pensão.
Segundo os dados divulgados, a consideração de toda a carreira contributiva provoca uma redução próxima de 20% no valor dos salários de referência utilizados para calcular a reforma.
Impacto já é visível
A transição para o novo modelo começou em 2007 e os seus efeitos têm vindo a intensificar-se à medida que mais trabalhadores passam a ter a sua carreira contributiva integralmente abrangida pelas novas regras.
Em 2022, o novo método de cálculo já representava uma diminuição de cerca de 4,5% no valor das pensões face ao que teria sido atribuído com as regras anteriores. A tendência aponta para que este impacto continue a aumentar nas próximas décadas, à medida que o regime é plenamente aplicado.
Para os trabalhadores, esta evolução reforça a importância de um planeamento financeiro de longo prazo e da monitorização regular da futura pensão. O valor da reforma dependerá cada vez mais da consistência da carreira contributiva e dos rendimentos declarados ao longo de toda a vida profissional.


















