Nove em cada 10 colaboradores em Portugal testemunharam discriminação no local de trabalho

Margarida Lopes
1 de Outubro 2025 | 10:40

O estudo internacional “Diversidade e Inclusão nas Organizações” do Grupo Cegos, representado em Portugal pela Cegoc, mostra ainda que dois em cada três colaboradores (66%) afirmam ter sofrido pessoalmente discriminação durante a sua carreira (63% em Portugal).

As principais formas de discriminação observadas pelos colaboradores a nível global estão relacionadas com a aparência física (53%), idade (48%), racismo (45%) e estatuto socioeconómico (42%).

Em Portugal, aparência física (75%, o maior valor entre todos os países), origem socioeconómica (70%), nacionalidade (65%) e local de residência (65%) são os factores mencionados.

O estudo indica ainda que 84% dos colaboradores internacionalmente relatam ter testemunhado pelo menos uma forma de discriminação durante a sua carreira. Os motivos citados com mais frequência incluem aparência física (53%), idade (48%), racismo (45%) e formação académica ou contexto socioeconómico (42%). Estas percepções são partilhadas em todas as regiões geográficas, com níveis particularmente elevados relatados na América Latina e em Singapura.

Em Portugal, 90% afirmam já ter presenciado alguma situação de discriminação. As mais apontadas e a sua ordem de prevalência são quase as mesmos da generalidade dos países, apenas com esta diferença: a nacionalidade (52%) está no top 4 no lugar da formação académica ou do contexto socioeconómico.

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Esses resultados sublinham a relevância de um fenómeno multifacetado, presente em quase todas as organizações, que continua a ser uma barreira significativa para a inclusão genuína.

Adicionalmente, 98% dos profissionais de RH relatam ter testemunhado discriminação no local de trabalho (em Portugal 100%), enquanto 56% dos profissionais de RH reconhecem a presença de pelo menos uma forma de discriminação dentro da sua própria organização.

O estudo revela também que um em cada três colaboradores acredita que a discriminação prejudica o ambiente de trabalho e nove em cada 10 profissionais de RH partilham esta opinião, destacando especificamente os efeitos prejudiciais de: comentários sexistas (53%); comportamento racista (47%) e a importância dada à aparência física (45%).

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O mesmo estudo indica que 81% dos profissionais de RH afirmam que querem continuar ou acelerar a sua política de D&I (80% em Portugal).

Quando questionados sobre as medidas implementadas no seu local de trabalho, os colaboradores mencionam: comunicação dedicada à D&I (48% no global, 34% em Portugal, a cifra mais baixa); integração de temas de D&I nos processos de integração (47% no global e 42% em Portugal), e envolvimento visível da liderança nessas questões (46% no global e 33% em Portugal, de novo o valor mais baixo dos 10 países).

A cultura de solidariedade ou aliança — ou seja, o compromisso voluntário de indivíduos privilegiados em apoiar activamente grupos marginalizados ou discriminados — tem ainda um longo caminho pela frente: por agora, conta com a adesão de 40% dos colaboradores e 41% dos profissionais de RH;

O estudo mostra também que apenas 42% dos colaboradores acreditam que os seus gestores actuam verdadeiramente como aliados contra a discriminação (29% em Portugal) e 59% dos gestores receberam formação sobre preconceitos inconscientes que podem levar à discriminação (45% em Portugal, a cifra mais baixa dos 10).

Tanto os colaboradores como os profissionais de RH identificam competências essenciais que ainda precisam de ser desenvolvidas entre os gestores: capacidade de ouvir (45%), empatia e solidariedade (42%), tolerância (37%), e abertura em relação aos outros (35%).

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Além disso 64% dos colaboradores e 74% dos profissionais de RH são a favor de uma política de quotas e quase seis em cada 10 organizações implementaram uma comunicação regular sobre temas de D&I.

E 45% dos profissionais de RH, segundo os próprios, estão na linha da frente quando se trata de resolver conflitos relacionados com a discriminação, mas apenas 25% afirmam que os gestores estão activamente envolvidos na resolução dessas situações.

Realizado em Abril e Maio de 2025 em 10 países da Europa (França, Alemanha, Espanha, Itália, Portugal, Reino Unido), Ásia (Singapura) e América Latina (Brasil, México, Chile), este estudo esclarece como os colaboradores e os profissionais de RH percebem, esperam e implementam práticas de Diversidade e Inclusão (D&I).

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