Nove tecnologias de avaliação que (quase) dispensam os humanos no processo de selecção

Margarida Lopes
2 de Outubro 2020 | 09:10

As tecnologias de avaliação tiveram uma evolução contínua nos últimos anos, mas uma nova geração de fornecedores começou a entrar no mercado a partir de 2005. Estes ofereceram ferramentas que transcendiam as habilidades e a avaliação psicométrica, para apresentar uma compreensão mais holística da composição ou “impressão digital” de um candidato.

 

Porém, à medida que a tecnologia de avaliação evolui, põe-se a questão: o instinto e julgamento humanos ainda serão necessários? Se a tecnologia de avaliação pode ajudar a filtrar candidatos, será que podemos excluir totalmente os humanos do processo de seleção?

O Departamento Global de Inovação do Grupo Robert Walters lançou um novo guia digital sobre como contratar com base em potencial na quarta revolução industrial, que aborda os desafios, soluções e métodos para o sucesso dos recursos humanos na indústria 4.0.

Neste ecossistema de avaliação cada vez mais lotado, a tecnologia de avaliação pode ser amplamente subdividida e categorizada da seguinte forma:

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1. Avaliação de IT/técnica
Este tipo de avaliação foca-se no conhecimento técnico (geralmente através de perguntas de escolha múltipla) e habilidades técnicas (através de desafios ou cenários baseados em situações do trabalho). As versões mais avançadas permitem que os responsáveis de avaliação não só vejam a resposta dos candidatos, como também entendam como estes chegaram às suas conclusões, fornecendo insights sobre como abordam os problemas e constroem o seu processo de pensamento.

 

2. Avaliação de habilidades no local de trabalho
Compreender a capacidade de um candidato de fazer o trabalho para o qual se está a candidatar não é um desafio novo. Exercícios para avaliar competências necessárias para realizar uma função específica têm sido centrais nos centros de avaliação há décadas. No entanto, a tecnologia cada vez mais sofisticada permite que os recrutadores recriem cenários do local de trabalho muito realistas, como avaliação de voz para recrutamento em contact centers.

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3. Avaliação baseada em jogos
A gamificação das avaliações envolve a aplicação dos princípios de jogos ao processo de avaliação. Em vez de responder a várias perguntas de escolha múltipla ou testes escritos, os participantes jogam um jogo digital que os avalia potencialmente em milhares de pontos de dados. A natureza mais divertida dos jogos costuma gerar altas taxas de resposta dos candidatos. Isto, combinado com a credibilidade dos mesmos através de psicólogos, resultou numa ampla adoção deste tipo de avaliação nos últimos anos.

 

4. Avaliação de encaixe cultural
Muitas vezes mal compreendido, o ajuste cultural é a correspondência dos valores, comportamentos e objectivos essenciais de um candidato à cultura da sua empresa. A avaliação do ajuste cultural visa encaixar candidatos que tenham os mesmos valores e preferências que a sua organização (ou os valores e preferências que deseja que esta tenha no futuro). Sendo uma avaliação popular em empresas dinâmicas e com grande crescimento, alguns críticos questionam se esta abordagem pode perpetuar preconceitos (inconscientes ou não).

 

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5. Avaliação através de vídeo
A nossa relação com o vídeo mudou no final de 2005 com a explosão do YouTube, que de repente permitiu interagir com vídeos como nunca antes. Por outro lado, o vídeo unilateral (onde um candidato é gravado a responder a um conjunto de perguntas que vão aparecendo no ecrã, sendo esta entrevista partilhada posteriormente com o recrutador) e o vídeo bidirecional (entrevistas em direto, essencialmente videoconferências) tornou-se possível no início dos anos 2000, mas largura de banda e hesitações culturais adiaram a sua verdadeira adoção até à década de 2010. Por seu turno, a Covid-19 foi responsável por outra mudança radical na adoção desta tecnologia para avaliação de candidatos.

 

6. Avaliação psicométrica
Também conhecida por testes de aptidão, a avaliação psicométrica testa a capacidade cognitiva ou a personalidade de um candidato. Estes são populares para as empresas que têm o objetivo de prever o potencial ou avaliar uma gama relativamente ampla de habilidades, desde cognição, conhecimento e personalidade.

 

7. Avaliação de legado
Esta categoria funciona como um agregador para fornecedores e metodologias de avaliação mais tradicionais, incluindo típicas questões de escolha múltipla. Frequentemente, também inclui raciocínio verbal e numérico. Estas avaliações têm o benefício de serem comprovadas (e, portanto, validadas e verificadas), e por terem amplas bibliotecas, permitindo que as empresas implementem um único sistema de avaliações digitais para todo o tipo de funções.

 

8. Avaliação experiencial
Tradicionalmente, trata-se de uma avaliação que visa compreender e avaliar as habilidades, competências e características de um candidato. No entanto, à medida que as empresas vão lutando cada vez mais pelo talento com maior procura, passou a utilizar-se esta avaliação também como forma das organizações se relacionarem com os candidatos e promoverem a sua marca junto destes. Um exemplo disto é a utilização da tecnologia de realidade virtual (VR), que até o momento carece de validade e verificação convincentes, mas que tem funcionado e inspirado os candidatos.

 

9. Proficiência linguística
O aumento da globalização, das forças de trabalho “nómadas” e o offshoring resultaram no aumento da utilização das avaliações linguísticas. Há muitos anos que se realizam testes de língua a profissionais de diferentes idiomas. No entanto, desde 2015, uma tecnologia cada vez mais sofisticada permite que os avaliadores não só entendam o vocabulário e a compreensão do candidato, mas também as suas habilidades de comunicação oral, incluindo sotaque e competências de discurso (partilhar e ligar ideias de forma coerente).

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