Novo método identifica telemóveis adulterados e promete travar espionagem

Human Resources com Lusa
1 de Março 2026 | 16:00

Investigadores desenvolveram um método para identificar remotamente um dispositivo móvel, que pode ajudar a garantir que um telemóvel não foi adulterado durante o fabrico, reduzindo assim o risco de espionagem.

Uma equipa de investigação da Universidade do Colorado em Boulder e do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, nos Estados Unidos) referiu, na sua publicação na revista AIP Advances, da AIP Publishing, que, com o aumento dos ciberataques e das fugas de dados governamentais, um dos dispositivos mais importantes que deve ser mantido seguro é aquele que está no bolso, os smartphones.

O problema é que é difícil verificar se um smartphone não foi adulterado sem correr o risco de o danificar acidentalmente, noticiou a agência Europa Press.

Quando os smartphones comunicam com uma torre de telemóvel, emitem um conjunto de ondas electromagnéticas. Utilizando cartões SIM e um emulador de estação base que cumpre as normas de rádio celular, os investigadores instruíram um conjunto de telemóveis “fiáveis” (dispositivos reconhecidamente não modificados) a transmitir exactamente os mesmos sinais.

Isto permitiu a criação de uma base de dados com a aparência real destes sinais para diferentes modelos de telefone, servindo como impressões digitais dos modelos.

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«Imaginem que todos os telefones estavam a tocar a mesma música. Mesmo que emitam as mesmas notas, cada modelo apresenta pequenas diferenças microscópicas no seu hardware interno», explicou a autora Améya Ramadurgakar, da Universidade do Colorado.

«O nosso sistema é sensível o suficiente para detetar estas subtis diferenças sonoras», garantiu.

Ao comparar os sinais emitidos por um dispositivo desconhecido com a base de dados, os investigadores podem determinar se o dispositivo foi adulterado, ou seja, se os seus sinais não correspondem a nenhuma das impressões digitais fiáveis.

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Os investigadores testaram este processo em vários smartphones de última geração disponíveis comercialmente, de fabricantes líderes no mercado nacional, conseguindo uma precisão superior a 95%.

Estes resultados foram repetíveis e estáveis ao longo do tempo. Uma vez que o método se centra no comportamento electromagnético fundamental do hardware, não se limita às atuais redes móveis 4G e 5G e poderá ser alargado a futuras gerações de tecnologias celulares.

Ramadurgakar realçou que este método estabelece as bases para a estrutura de testes do Instituto Nacional de Metrologia.

Para formalizar esta solução, os investigadores precisam de expandir a sua biblioteca de fontes fiáveis para ter em conta possíveis pequenas variações entre lotes de fabrico, desenvolver condições de teste padronizadas e criar um processo mais automatizado.

«Este trabalho demonstra uma abordagem fundamental para obter uma impressão digital de alta definição, fiável e estável de um smartphone comercialmente disponível, de forma a verificar se não foi adulterado ou comprometido antes de ser distribuído», sublinhou Ramadurgakar.

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«Prevejo que isto será utilizado para validar o hardware móvel antes de ser entregue a utilizadores de alta segurança, como a cadeia de comando militar ou altos funcionários do governo», concluiu.

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