Nuno Gonçalo Simões, PwC: «A redução dos impostos sobre o trabalho iria garantir a possibilidade de oferecer melhores condições salariais aos trabalhadores»

Nuno Gonçalo Simões, director de Capital Humano da PwC, acredita que «a redução dos impostos sobre o trabalho, e que iria garantir certamente a possibilidade de oferecer melhores condições salariais aos trabalhadores, sem um impacto directo na economia das empresas».

«Os resultados do LII Barómetro Human Resources são bastantes interessantes para se tirarem algumas elações do actual estado do mercado de trabalho em Portugal. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em Fevereiro de 2024, a taxa de desemprego em Portugal estava situada em 6,7%. Este percentual corresponde a cerca de 350 mil desempregados, um número que tem vindo a aumentar nos últimos meses e que poderá estar a reflectir a desacelaração da economia e do recrutamento nas organizações.

O facto de 92% dos respondentes considerarem que o nível de turnover das suas empresas não é preocupante ou até aceitável é um sinal positivo, mas poderá significar que as movimentações no mercado de trabalho estão a diminuir. Ainda relacionado com o turnover, gostaria de destacar que as três principais razões para a saída das empresas mencionadas pelos inquiridos, representando 82%, são os salários e benefícios, bem como questões relacionadas com o projecto/desafio e as perspectivas de carreira e desenvolvimento.

O primeiro tópico é sempre o mais difícil de conseguir gerir por parte das organizações, contudo, 45% de quem respondeu apresenta uma possível solução imediata, que passa pela redução dos impostos sobre o trabalho, e que iria garantir certamente a possibilidade de oferecer melhores condições salariais aos trabalhadores, sem um impacto directo na economia das empresas.

Adicionalmente, os restantes tópicos podem ser trabalhados internamente de forma a garantir uma maior sustentabilidade. O reskilling e upskilling podem claramente ser uma forma interessante de trabalhar carreiras e perspectivas de desenvolvimento, preparando e protegendo os trabalhadores para um futuro do trabalho, tendo em conta a evolução tecnológica com que nos estamos a deparar.

A maior aposta nos profissionais seniores por parte das empresas poderá ser também uma boa medida. Este é um tema ainda pouco falado, mas que está visível e bem patente na nossa sociedade, com o envelhecimento da população activa, e claramente ameaçado pela saída de profissionais jovens para os mercados externos. Esta é uma das hipóteses para que 98% dos participantes do Barómetro tenham considerado que a importância da imigração no futuro do mercado de trabalho em Portugal seja fundamental, sobretudo nas funções indiferenciadas

 

Este testemunho foi publicado na edição de Abril (nº.160) da Human Resources, no âmbito da LII edição do seu Barómetro.

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