Nuno Gonçalo Simões, PwC: «Teremos de lidar com uma grande imprevisibilidade»

Nuno Gonçalo Simões, director de Capital Humano da PwC, destaca «vai ser garantidamente mais um ano desafiante para a Gestão de Pessoas, em que é preciso lidar com uma grande imprevisibilidade, em que as organizações terão de continuar a apostar numa cultura orientada para as suas pessoas». Leia a sua análise aos resultados do XXXIX Barómetro Human Resources.

 

«Em 2022, iremos ter uma tendência positiva na evolução do emprego em Portugal. Esta é pelo menos a opinião patente nas respostas do Barómetro Human Resources deste mês. É bastante positivo verificar que as respostas são validadas com as perspectivas de empregabilidade nas próprias organizações dos respondentes e, obviamente, com a taxa de desemprego no nosso país a ultrapassar ligeiramente a casa dos 6%.

Não é assim de estranhar que a atracção e retenção de talento apareça no barómetro como líder no top três de grandes temas/desafios na Gestão de Pessoas de 2022, juntamente com as novas formas de organização de trabalho e a saúde (física e mental dos colaboradores), certamente reflectindo ainda o impacto da pandemia e do teletrabalho na vida das organizações e seus colaboradores.

O fenómeno “The Great Resignation”, de acordo com as respostas dos inquiridos, irá afectar também Portugal, ainda que 50% acreditem que de forma esporádica e sem grande expressão. Será interessante percebermos como este fenómeno internacional de demissões voluntárias, ao qual têm aderido milhões de pessoas – com especial enfoque nos trabalhadores entre os 30 e os 45 anos – e que tem levado ao aparecimento de milhões de vagas em aberto nos EUA e no Reino Unido, se irá reflectir no nosso país.

Isto num momento em que o trabalho remoto esbate as fronteiras do mundo do trabalho, aumentando a concorrência na procura de talento para além das nossas fronteiras físicas, e com todos os desafios inerentes a essa “nova” concorrência, sobretudo em aspectos de flexibilidade, de remuneração e de desenvolvimento, aspectos valorizados e considerados diferenciadores pelos trabalhadores. Como se irão comportar as organizações em Portugal face a esta conjuntura? Será por isso que no Barómetro aparece uma perspectiva de crescimento no recrutamento das empresas? Será por isso que a atracção e a retenção ocupam um lugar de destaque para 2022? Vamos certamente ter oportunidade de acompanhar ao longo do ano que agora começa o desenvolvimento destes temas.

Vai ser garantidamente mais um ano desafiante para a Gestão de Pessoas, em que teremos de lidar com uma grande imprevisibilidade, em que as organizações terão de continuar a apostar numa cultura orientada para as suas pessoas, em ouvi-las, e em perceber as suas emoções e motivações, equilibrando da melhor forma possível com os objectivos e propósitos do seu negócio.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Janeiro (nº.133) da Human Resources, no âmbito da XXXIX edição do seu Barómetro.  Está nas bancas. Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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