Nuno Moreira da Cruz, Católica-Lisbon School of Business & Economics: “Fazer o luto” por um passado que já não volta

Nuno Moreira da Cruz, director executivo do Center for Responsible Business & Leadership na Católica-Lisbon School of Business & Economics, destaca «a pandemia acelerou algumas das tendências do mercado de trabalho. É difícil entender como muitas empresas ainda se posicionam como “as coisas voltarão ao que sempre foram” – da minha parte sugiro que façam o luto com o passado e revejam esse posicionamento». Leia a sua análise aos resultados do XL Barómetro Human Resources.

 

«A atracção e retenção de talento sempre foi obviamente uma prioridade para as empresas que querem fazer a diferença e liderar. Mas o que precisa agora de ser totalmente compreendido pelas empresas é o que está realmente a mudar nessa atracção e retenção de talento. O que é que estas novas gerações realmente procuram? A pandemia acelerou certamente algumas das tendências do mercado de trabalho – o trabalho remoto é o exemplo mais óbvio –, mas nenhuma empresa pode já afirmar ter compreendido qual é a expectativa deste “novo talento” ao entrar no mercado de trabalho.

Algo parece estar claro: essa expectativa é diferente, e as empresas capazes de mostrar a sua vontade em se adaptarem terão acesso a esse talento de uma forma mais eficaz. É difícil entender como muitas empresas ainda se posicionam como “as coisas voltarão ao que sempre foram” – da minha parte sugiro que façam o luto com o passado e revejam esse posicionamento.

As gerações que agora entram no mercado têm uma sensibilidade ao que está a acontecer à nossa volta – planeta e pessoas – que as gerações anteriores não tinham. Temos de chegar ao fundo desta realidade para podermos compreender porque é que as suas expectativas são diferentes e porque é que a sua relação com o mercado de trabalho é diferente.

Quando essa imagem se tornar totalmente clara, as empresas compreenderão que se trata de muito mais do que simplesmente “trabalho remoto” ou de um “melhor equilíbrio entre trabalho e família”. A questão é muito mais vasta, e pode ser tão abrangente como ter políticas sólidas de apoio à saúde mental, ou regras transparentes sobre os direitos humanos na cadeia de abastecimento, apenas para mencionar duas questões fundamentais que se tornarão certamente mainstream na agenda empresarial.»

 

Este testemunho foi publicado na edição de Março (nº.135) da Human Resources, no âmbito da XL edição do seu Barómetro. Está nas bancas. Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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