A taxa de esforço é a fatia do rendimento mensal que vai para pagar encargos com créditos. Calcula-se dividindo o total das prestações (a da casa, mais a do carro, mais cartões e outros créditos) pelo rendimento líquido do agregado. É a forma de o banco responder a uma pergunta concreta: se as circunstâncias apertarem, sobra dinheiro para viver depois de pagar os créditos?
Imagine-se um casal com 2500 euros de rendimento líquido e uma prestação de casa de 800 euros: a taxa de esforço é de 32%, dentro da zona considerada confortável. Mas, se a essa prestação se juntar o crédito de um automóvel de 250 euros, o esforço sobe para 42% e a folga reduz-se. É por isso que o banco olha para o conjunto dos créditos, e não apenas para o da casa. E como calcular na prática? A conta é simples, mas basta usar um simulador de taxa de esforço, algo que deve fazer antes de escolher qualquer crédito.
O tema ganhou relevância com a garantia pública, que facilitou a compra de casa sem entrada inicial e alargou o acesso ao crédito. Mas o Banco de Portugal, que reviu em baixa a taxa de esforço máxima recomendada, avisa que a parcela de crédito concedido a perfis de maior risco aumentou e estuda novas regras para conter o sobre-endividamento. Por outras palavras, a porta abriu, mas a prudência tornou-se mais importante, não menos.














