Novas descobertas revelam um elevado interesse em funções técnicas num cenário de maiores oportunidades de acesso a essas posições, avança o HRD.
Os trabalhadores de escritório têm considerado deixar os seus empregos para assumir uma função técnica em busca de um trabalho com mais significado, mas estão a ser travados por cortes salariais, revela um novo estudo.
As conclusões do mais recente relatório da Kickresume revelam que 52% dos colaboradores consideram deixar os seus empregos para seguir uma carreira técnica, incluindo 18% que pensam nisso regularmente.
Os trabalhadores de escritório que consideram a mudança vêm principalmente de funções de engenharia e manufactura (64%), seguidos por aqueles em cargos de gestão e consultoria (59%). A mesma percentagem de profissionais de marketing, publicidade e relações-públicas afirma que também pensou em mudar para uma função técnica (59%).
A principal carreira técnica que os trabalhadores de escritório revelam ter considerado está ligada à agricultura (31%), seguida da construção civil (11%) e do paisagismo ou horticultura (11%).
O motivo
O desejo de um trabalho mais significativo ou gratificante surge como o principal factor por detrás dos planos concretos de migração para uma função técnica, referido por 23% dos inquiridos. Isto porque 87% dos trabalhadores de escritório que estão dispostos a deixar os seus empregos admitem que o stress ou o burnout os fez questionar as suas carreiras em algum momento, incluindo 28% que começaram a questionar o trabalho de escritório nos primeiros dois anos.
«A dúvida não é uma crise de meia-carreira que se constrói ao longo de décadas; ela surge rapidamente e simplesmente nunca desaparece totalmente», lê-se no relatório. «O desejo de sair, por outras palavras, é generalizado e tem uma origem predominantemente emocional – uma resposta ao sentimento do trabalho de escritório, sem qualquer relação com o que uma função técnica possa oferecer.»
O tema salarial
Segundo o estudo, o factor financeiro é relevante quando se trata de uma mudança planeada para uma função técnica. Apenas 11% dos trabalhadores de escritório afirmam estar a considerar uma mudança para funções técnicas porque querem ganhar mais dinheiro.nDe facto, 43% revela que a queda esperada no salário quando migram para uma função técnica é a principal razão que os impede de realmente fazer essa mudança.
«O dinheiro não atrai as pessoas para uma profissão técnica. Mas é o principal factor que as impede de realmente fazer a mudança», lê-se no relatório. «Essa é a verdadeira tensão. Não é que as pessoas estejam divididas entre o significado e o dinheiro – já decidiram que o significado vence. O que as impede é mais prático: não podem suportar o corte salarial necessário para lá chegar.»
Mas se a perda de rendimentos fosse totalmente compensada, o relatório descobriu que 96% dos trabalhadores de escritório que estão dispostos a deixar os seus empregos fariam essa mudança. Mais de metade (54%) disse que o faria imediatamente, e outros 42% fariam a mudança após uma análise cuidadosa.
«Esta é a descoberta que reformula tudo. Não é que as pessoas estejam inseguras em relação às profissões técnicas – simplesmente não se podem dar ao luxo de as experimentar. A verdadeira barreira não é a carreira em si, mas sim o caminho até ela. São os cortes salariais iniciais, os anos de requalificação e o período de espera até que a nova carreira comece a dar frutos.»
Aumento das oportunidades
As descobertas surgem na sequência do crescimento das oportunidades em funções técnicas, após uma previsão de que, nos EUA, 2,1 milhões de vagas ficarão por preencher até 2030. A escassez poderá incluir cerca de 130.000 electricistas até 2030 e mais de 350.000 novos técnicos automóveis até 2029.
A Google, a Ford, a BlackRock e a Carhartt anunciaram recentemente uma nova aliança para expandir o acesso à formação em profissões técnicas. A Meta lançou também recentemente um programa gratuito de formação profissional centrado nas profissões técnicas, como parte dos seus esforços para apoiar o crescimento da infra-estrutura de IA.














