O digital skilling na saúde tem de ser transversal e envolver instituições, profissionais e pacientes

Tânia Reis
30 de Janeiro 2023 | 14:40
O digital skilling na saúde tem de ser transversal e envolver instituições, profissionais e pacientes

Tânia Reis, jornalista da Human Resources Portugal, esteve à conversa com Julio Díaz Ojeda (Critical, Primary & Social Care OL Director na Inetum) e Rui Gomes (head of Information Systems do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra), no painel “Digital Skilling for Healthcare Professionals” da edição de 2023 do Building the Future, que teve lugar nos passados 25 e 26 de Janeiro. 

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Rui Gomes começou por fazer um breve retrato do actual nível de competências dos profissionais de saúde que, após dois anos disruptivos, «ganharam super-poderes» e competências para utilizar as ferramentas tecnológicas que têm ao seu dispor. Numa realidade em que a complexidade das instituições públicas provoca algum atraso na implementação das ferramentas disponíveis, defendeu como prioritária a requalificação dos profissionais de IT nestes organismos.

Também em Espanha a situação é semelhante. Julio Díaz concorda que os profissionais de IT têm um papel cada vez mais importante neste sector e os profissionais de saúde devem estar conscientes de que uma «maior alfabetização digital» irá permitir-lhes, além de melhor gestão do tempo, um maior foco no paciente e, consequentemente, maior eficácia nos serviços prestados.

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Para chegarmos ao patamar desejado, além do skilling dos profissionais, Rui Gomes defende que também as instituições devem ser capacitadas. São necessárias estratégias claras e os objectivos dessa “digitalização” têm de estar perfeitamente alinhados com os da instituição, para que a «arquitectura seja integrada e a interoperabilidade seja alcançada a todos os níveis». Um programa de “digital skilling” é a seu ver fundamental para qualquer organização a operar no sector da saúde.

E essa capacitação deve começar no processo de onboarding para novos profissionais. Muitas vezes, estes sabem quais serão as funções e tarefas a desempenhar, porém não conhecem as ferramentas digitais que têm à disposição. Esse factor tem de ser acautelado logo a partir do primeiro dia, acrescentou Julio Díaz.

Aproveitar a expertise dos “nativos digitais” e o conhecimento dos médicos já experientes é uma simbiose que não deve ser descurada nesta digitalização.

Também as diferenças entre os sistemas disponíveis nas unidades de saúde públicas e aqueles que encontramos no sector privado, nomeadamente em Portugal, foram abordadas. Rui Gomes acredita que o facto de um hospital privado criar toda a sua estrutura de raiz é um benefício do qual o sector público não dispõe. A criação de centros hospitalares, que absorveu hospitais mais pequenos e fundiu outros, cada um com gestão e procedimentos distintos, é um processo bastante demorado. «Apenas uma transição digital com ferramentas úteis e eficazes, profissionais altamente qualificados e estratégias claras poderá transformar os serviços prestados, mais focados nos pacientes do que em procedimentos internos», realçou.

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Julio Díaz alertou também para o facto de não devermos focar-nos apenas no digital skilling dos profissionais de saúde. Há uma grande parte da população, especialmente a mais envelhecida ou que vive em zonas rurais isoladas, que não deve ser esquecida neste caminho. Todos os pacientes que não tenham a necessidade ou a possibilidade de se deslocarem a unidades de saúde devem poder fazê-lo, através das ferramentas e dispositivos necessários mas também saber fazê-lo, através de capacitação digital.

À luz de ataques informáticos a organizações do sector que aconteceram nos últimos tempos, ambos concordaram que o tema da cibersegurança ganha cada vez maior relevância e, ainda que sejam processos morosos, é urgente e necessária a implementação de medidas adicionais, com ferramentas certificadas.

Para terminar, como medida prioritária para um digital skilling eficaz no sector da saúde, Rui Gomes defendeu um programa transversal à organização e que permita estar constantemente a capacitar os seus profissionais e a consciencializá-los para uma cultura diferente. Julio Díaz acrescentou o apoio ao profissional no processo de onboarding nas ferramentas digitais disponíveis nas unidades de saúde.

 

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O Building the Future, evento português de transformação digital, promoveu a partilha de conhecimento sobre como a tecnologia está a redefinir o progresso humano e a forma como interagirmos com a realidade, e, em dois dias, mais de 130 oradores passaram por quatro palcos diferentes e foram vistos por 15 mil participantes a partir de 58 países.

 

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