O fim do mundo do trabalho… como o conhecemos

A data da primeira Conferência Human Resources de 2026 já está marcada – 19 de Março – e começamos o ano a desvendar o tema: “O fim do mundo do trabalho… como o conhecemos”. E desengane-se quem acha que é “mais uma conferência sobre inteligência artificial”. Não é. As variáveis que cabem nestas mudanças (cada vez mais rápidas) a que estamos a assistir são muitas mais. E não menos complexas.

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

“O fim do mundo do trabalho… como o conhecemos” não é uma previsão apocalíptica, longe disso. Mas o trabalho está a mudar mais depressa do que a nossa capacidade colectiva de o interpretar, regular e liderar. É um facto.

A aceleração tecnológica está na base de muitas das mudanças, mas não só. Acelerada pela pandemia da COVID-19, houve uma redefinição das prioridades individuais, e alinhar as expectativas dos profissionais com as necessidades das empresas parece cada vez mais difícil.

A mudança de atitude perante o trabalho é evidente. É uma questão geracional, mas não só. Se, por um lado, o aumento da longevidade indica que vamos trabalhar mais tempo, por outro, surgem movimentos como o “FIRE” (Financial Independence, Retire Early), que preconiza deixar de trabalhar mais cedo.

O bem-estar é uma prioridade, mas aumentar a produtividade é vital para a sustentabilidade das organizações e para assegurar melhores salários (com novas formas de remuneração a ganhar peso); as empresas estão a investir em inteligência artificial, mas o break even está difícil de alcançar; há, por um lado, escassez de pessoas, mas há também pessoas cujas funções se tornam redundantes com a tecnologia – ou seja, a verdadeira escassez é de competências, a urgência é de requalificação contínua, para todos; e se há cada vez menos jovens (e menos disponíveis), como estamos a olhar para os mais velhos e a aproveitar o seu potencial?

Neste contexto, a liderança é chamada a reinventar-se, ao mesmo tempo que a fronteira entre humanos e sistemas inteligentes tende a esbater-se, levantando novas questões éticas, organizacionais e culturais. Temos mais tecnologia, mas é precisa mais humanidade. Exige-se mais flexibilidade (os modelos de trabalho continuam a ser tema), mas aceita-se maior responsabilidade e exigência?

O que propomos é uma reflexão profunda sobre o que está verdadeiramente a chegar ao fim – e, sobretudo, a olhar para o que de novo está a surgir. Com o futuro já aí.

O almoço do Conselho Editorial realizou-se no hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, e contou com a participação de: Ana Gama Marques (MEO), Ana Rita Lopes (Delta Cafés/Grupo Nabeiro), Elsa Carvalho (WTW), Fernando Neves de Almeida (Boyden), Isabel Borgas (NOS), Isabel Heitor (ANA Aeroportos), Joana Pita Negrão (Dils), Marco Serrão (Nadara), Mariana Canto e Castro (Randstad), Nuno Ferreira Morgado (PLMJ), Patrícia Fernandes (Montepio), Pedro Fontes Falcão (Iscte Executive Education), Pedro Henriques (Siemens), Pedro Rocha e Silva (LHH | DBM), Rita Baptista (Cimpor), Sara Silva (L’Oréal), Tiago Brandão (The Browers Company) e Vanda Jesus (Doutor Finanças).

Almoço do Conselho Editorial da Human Resources, artigo publicado n.º 181, de Janeiro de 2026

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